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Escrito por Álvaro Luís Rodrigues Santos, em 12-04-2008 04:34
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As grandes perdas I capítulo

Foi no outono de 1948, no estado da Louisiana que a nossa estória cambiou para um desfecho inesperado; nós, estranhos em solo hostil, aspirando e respirando às grandes descobertas; aquelas, que nem sequer puderam nos consolar... Tão pouco à minha inocência, perdida pelas agruras daquela época insana. Meus pais, eu e meus irmãos estávamos cingidos de toda a sorte de bênçãos para uma nação que só nos cercou de trevas e dores.
Pobre família Miller... Sim, meu pai que nunca ostentou sua origem germânica e minha mãe, filha de Nova Orleans; vieram de missões no velho mundo para o seu último destino no novo. Os missionários da esperança que aportaram no porto do ocaso...
Jamais imaginei que aos onze anos, me tornaria a mais importante influência para os pequenos membros de minha família; Emma e Julian, meus pequeninos irmãos, agora, vencidos pela orfandade. Emma, cingida de sua timidez peculiar; e Julian, em seus quatro anos bem vividos de puras traquinagens.
Mamãe sempre fora muito cuidadosa com os seus rebentos, mas apesar disso logo ficou só; Papai... Imbuído de seus lavores (seus e nossos, pois sem ele como subsistiríamos?) fora acometido de uma doença nos pulmões, fruto dos onze anos de trabalhos forçados em pequenos espaços insalubres daquela terra tórrida e inóspita, mas que ainda assim nos acolheu... Morrera antes que pudesse conhecer Julian em sua maravilhosa essência; pobre Julian, sofro por ainda ser tão tenro...
Em sua lápide Mamãe deixou este registro: “Aqui jaz Robert Miller, pai adorado, marido devotado, homem fiel que encheu a nossa vida de significados”.
Tudo aconteceu muito rápido, fomos tragados por tão cruel realidade, mas quando pensávamos que jamais superaríamos aquela perda, algo por demais terrível ainda nos atingiu. Mamãe após alguns meses também nos deixara; graças a uma gravidez de alto risco e inesperada que só foi identificada após sua morte. Sou levada a acreditar que Mamãe e Papai não poderiam viver separados, eram como metades de um só; pois num improviso momento (e ainda muito debilitado, onde o cansaço parecia não ser tão pesado para ele) consumaram aquele pequeno fruto de amor, num dos últimos gestos afetuosos de suas vidas. Isso foi no natal, e não fosse a fatalidade da torpe gravidez (Pobre anjinho não teve culpa, mas a referida acometeu mamãe de morte), eu não seria órfã também de mãe.


Publicado em : Livros, Trechos de Livros
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