| Livraria Nobre - a nossa Garnier |
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Menezes y Morais, no seu texto sobre o livro O. G. Rêgo de Carvalho - Fortuna Crítica, que organizei e lancei no dia 30 de julho do ano passado (2007), no Clube dos Diários, em Teresina, destaca a atuação de um dos maiores livreiros do Piauí - Antônio Nobre de Aguiar e sua livraria Dilertec ou livraria Nobre, a nossa Garnier.
Vejamos o que disse o Menezes Y Morais, grande jornalista piauiense, de Campo Maior, atualmente residente em Brasília: "(...) quero aqui falar especialmente de um personagem, para mim histórico, numa História da Cultura Piauiense: Antônio Nobre Aguiar. À Livraria Dilertec, ou livraria do Nobre, como chamávamos, eu e mais meia dúzia de companheiros íamos pelo menos uma vez por semana - William Melo Soares, Zémagão (que Deus o tenha), F. Eduardo Lopes, Jorbacilomar, Josemar da Silva Neres, Albert Piauí - era também um ponto de convergência da resistência cultural à ditadura militar. Num certo dia do mês de agosto de 1979, ao saber que eu havia aniversariado (quase no final de julho), Nobre presenteou-me com o livro "Teorias Econômicas - de Marx a Keynes", de autoria de Joseph A. Schumpeter - que, aliás, ainda não li, mas vou lê-lo neste 2008 - com a dedicatória: "Ao jovem Menezes, pela sua constante atividade em favor do livro e à causa da Imprensa". Esse era o Nobre, sutil, elegante, só vestia roupa branca, a exemplo dos poetas queridos Emile Dickson (1830-1886) e Thiago de Mello. São raras as figuras como o Nobre. A livraria Dilertec foi fundada no dia 16 de dezembro de 1966, pelo Antônio Nobre Aguiar, que renegava o título de livreiro, preferindo ser chamado de "Vigia", e se recusava a vender livros de Medicina e de Direito para não ajudar a máfia dos homens de branco e de preto. Também não colocava nas prateleiras livros de certos "autores" piauienses, por não divulgar "fancarias". O Nobre fazia questão de selecionar os homens e livros que entravam na Dilertec. Batiam ponto na Dilertec, quase que diariamente, além dos nomes citados pelo Menezes Y Morais, o Clidenor de Freitas Santos, Pedro Celestino, Pompílio Santos, O. G. Rêgo de Carvalho, Camilo Filho, Francisco Miguel de Moura, Cineas Santos, Paulo Machado, Rubervam du Nascimento, J. Miguel de Mattos, Herculano Moraes, Hardi Filho, William Melo Soares, Jesualdo Cavalcanti, Amaury Nunes, Cícero Ferraz, Geraldo Borges, Alberoni Lemos Filho, Didácio Silva e este escriba. Enquanto a maioria dos escritores e aspirantes se sentava à porta da livraria, na Rua 13 de maio, 222, o oeirense O. G. Rêgo de Carvalho, nosso romancista maior, ficava lá no fundo, o que não o impedia de ser o mais requisitado para conversa com professores e alunos. Com simplicidade e paciência, atendia a todos, sem qualquer embaraço. Com a morte do Nobre, no dia 31 de agosto de 1986, a livraria passou para a Rua Elizeu Martins, 1307, na casa onde morava com a mulher Aldaíres Maria da Silva Aguiar e os filhos Lúcia, Fernando e Diana Maria. Um dia, O. G. Rêgo de Carvalho, ao saber das dificuldades da família, que teve que enfrentar alguns contratempos financeiros nos primeiros meses da morte do Nobre, fez a doação de diversos exemplares de suas obras para, com a vendagem das mesmas, minimizar as dívidas da livraria. Quando menos se espera, dando pretexto de estar precisando de alguns exemplares do Rio Subterrâneo, dirigiu-se à Dilertec, e, como qualquer comprador normal, foi à boca do caixa pagá-los, apesar dos protestos de dona Aldaíres. O. G. Rêgo de Carvalho é assim, uma das pessoas mais solidárias que conheço. Quando eu fui editor de cultura e depois editor chefe do Jornal da Manhã editei várias crônicas e críticas do Nobre, que tenho no original. Estou preparando, com autorização da família, um livro para preservar melhor e divulgar mais os escritos dessa grande homem da cultura piauiense.
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