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O cortejo de São Cristóvão Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Z.A. Feitosa, em 22-04-2008 01:09
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Como costuma ser a história da maior parte dos santos, a historia de São Cristóvão, padroeiro dos motoristas, conta-se a partir de uma lenda, segundo a qual Cristóvão era um homem de grande estatura, que decidiu devotar a vida a ajudar os transeuntes a atravessar um rio sem ponte.
Um dia, uma criança pediu que Cristóvão a carregasse, em meio às águas caudalosas, até a outra margem. Cristóvão colocou a criança nos ombros e sentiu que o peso dela aumentava a cada passo. Ao chegar à margem oposta estava curvado pela carga. Naquele momento reconheceu o pequeno viajante. Era o próprio Menino Jesus, que lhe disse carregar como fardo os pecados dos homens.
Em que pesem as dúvidas de sua verdadeira existência, eu venerava a figura de São Cristóvão e sua história, assim como os aspectos de sua festa: a procissão dos motoristas - assim chamavam aquela celebração, realizava-se no dia 25 de julho.
A imagem de São Cristóvão, nove dias antes, era deixada na Igreja de Santa Bernadete para ser trazido na noite em que se festejava o seu dia. A peregrinação saia do povoado vizinho e se dirigia lentamente para Alvinópolis.
O santo, encimado por uma guirlanda de luzes, que formavam um halo sobre sua cabeça, parecia deslumbrante, agarrado ao seu bastão de padroeiro. A figura de uma criança sustentada em um dos ombros emprestava a São Cristóvão o aspecto paternal de que são dotados os santos que carregam o Menino Jesus nos braços.
O cortejo do santo era o mais comovedor com os carros em fila a buzinar, o povo em cima das carrocerias das camionetes e caminhões, a cantar o seu hino. Na frente do cortejo vinha um carro com a imagem do santo em seu imponente altar.
O andor era construído sobre a cabina do motorista, em um caminhão. Era ricamente adornado com peças de cetim nas cores das vestes do santo, pontuadas por flores brancas, cujas hastes ficavam ocultas pelas dobras do tecido, e realçadas por focos de luzes distribuídos por toda a boléia.
Adornos escondiam, também, as grades da carroceria do caminhão onde dezenas de crianças eram colocadas, todas fantasiadas de anjos com suas mãos erguidas, palma com palma, rendendo cultos a São Cristóvão.
Eram dezenas de crianças, normalmente morenas e feias, a formar uma legião colorida de querubins e serafins, vestindo frouxas túnicas de cetim amarradas na cintura com torçal. Alguns usavam branco, outros, azul e alguns, rosa, mas quase todos tinham o corpinho curvado ante o peso de suas asas de arame, papelão, papel crepom e areia prateada.
Como me encantavam aqueles anjinhos com seus rostos magros e olhos grandes e lacrimosos, diferentes dos anjos de tonalidade desmaiada e bochechas carmesins, que foram pintados no teto da igreja.
(Fragmento do livro "O Íntimo Ofício, págs. 77/78)


Publicado em : Livros, Trechos de Livros
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Comentários (1)
Postado em Elel, em 28-09-2008 14:34, , Membro Registado
interessante relato descritivo de texto rico abundante em datalhes. Parabens!
 
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