| Laura |
|
|
|
As grandes perdas I capítulo continuação
Sentíamos naqueles dias que havíamos perdido o chão e nada podíamos diante de tamanho pesar e tristeza. Julian, meu pequeno ursinho, sempre fora muito apegado a mim. E num momento de pura ansiedade, medo ou desilusão, não sei ao certo precisar, ele me disse: - Laura, por favor, não me deixe. Se você morrer, eu também morro. Emma não gosta de mim, não quero ficar sozinho. Você promete que não vai me deixar? - Jamais pupert! Jamais o deixarei, eu prometo. É claro que Emma era muito nova, mas não era insensível, eu a conhecia bem... Emma sofria a perda de mamãe, mas por ser tão arredia, escondia de nós suas lágrimas temendo talvez ser exposta; ela sempre se mostrou uma fortaleza! No dia do enterro, além da dor da perda da Luz das nossas vidas, sobre nós ainda pairava uma mescla de medo e incertezas; pois onde nós moraríamos? Ou, quem velaria por nós? E o que seria do meu pobre pupert e da minha Emma? Essas eram as perguntas que povoavam a minha mente e não se calavam em meu coração. Mas em ocasiões como essa, um sopro de esperança parece sempre nos atingir como um presságio de alívio e de alento. E então, sem que pudéssemos prever, fomos apresentados a uma figura muito peculiar, um homem alvo, desconcertado, meio antiquado a julgar pela sua aparência ultrapassada; mas de um sorriso singelo e um olhar encantador; Tio Charles, o pretenso marido de Tia May, irmã de mamãe, a quem nunca havíamos sido apresentados.
|
Nenhum comentário
| < Anterior | Próximo > |
|---|