| O Sonho. |
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O sonho: das frutas divinas a mais almejada. A uva mais cobiçada da grande parreira celeste, dona de um doce incomum e eterno. O maior desejo, e por vezes, o mais distante.
Uma terra sadia para plantar, o descanso tranqüilo após o trabalho, conhecer um herói, e às vezes, se tornar um. Ser feliz e fazer os outros, a sua volta, também felizes; são inúmeras as aspirações de um ser. Nos dias de glória, esquecemos os sonhos, mas nos dias de amargura sobrevivemos graças a eles. Tudo passa na vida, mas o sonho não, ele se conclui ou perdura. Cresce à medida que o sonhador se ergue, mas nunca cai quando o sonhador desaba. Ilumina o caminho como luz, mas não se apaga como a vela sob o vento. É o guia da vida e o desvio da razão. O imaginário inalcançável, mas tentador e poético. Um privilégio de reis, mestres, sábios e nobres, mas também de plebeus, ferreiros e artesões. Todos em Veyenor possuem os sonhos próprios, mas sem dúvida eles têm um grande sonho em comum: A Paz. Os sonhos de um reino de bondade e paz em Veyenor são antigos, a grande maioria nem mais se lembra desta anosa época que já existiu. Mas lutam por este sonho, mesmo não tendo vivido naquele tempo e herdam este sonho de seus pais, que herdaram de seus avôs... Estes conheceram a Era Livre por meio de palavras belas de um antigo poema, que fora escrito por um anônimo poeta. Assim, a época antes da Malícia tornou-se conhecida e passou pelas gerações em forma da Arte da Letra, tornando as suas rimas em uma esperança cantada, e os versos cúmplices de uma era apreciada e sonhada por todos. Todos conheceram de alguma forma o Poema do Rio. As palavras destes versos antigos, que contam sobre uma época tranqüila, sem receios e guerras, serviram de alento a muitos que aguardam o dia em que um poema como este poderia ser escritos pelas suas próprias experiências. Em cima de uma ponte, as luas observando. Cantos atrás do monte. Noite nevando. Cái a neve lá do céu, barcos brancos sobre o rio. Por sobre o rosto um véu, para fugir do frio. Com o som das correntezas, relacho em breve cochilo. Acordo e volto para casa, a pedido do filho. No lar: boa noite, menino e amada. No rio: silêncio, mais nada. Sonhos sobre a cama: A estrada é o meu destino. Sigo o canto do rio e me guio. É dia, hora de acordar. Rio corre, o lago para, nuvens n'água a navegar. O rio é como o tempo, Nada a preocupar. Sorria, a água avança, mas não sái do lugar. Amigos e riachos, em liberdade e paz. Que a Era livre Não se acabe jamais. Mas o "jamais" enfim chegou. E toda a paz e tranqüilidade daquela época se tornaram o grande sonho do mundo atual. Há certas pessoas que nos trazem esperança para alcançar este grande sonho. Eles nos fortalecem e nos arma contra os perigos que afrontam a nossa determinação e coragem. Infelizmente estes são poucos, quase únicos: Os heróis. Vários aspirantes a heróis já existiram. Alguns morreram antes de colherem o fruto do grande sonho, outros, cruzaram os braços e desistiram. "É impossível", alguns até hoje dizem. Mas poucos sabem o que há no alto do "impossível", pois ele é um grande penhasco astuto e perigoso, aguardando o momento certo para sacrificar um dos seus dedos de pedra e matar os poucos que tentam escalá-lo. Nos pés desta rocha íngreme muitos ficarão, mas somente os que sobem com coragem e perseverança, enfrentando, apesar das diversidades, o "impossível", poderão conquistar a uva inatingível da mais alta parreira. Do topo do penhasco se tornará inigualável. Verá, lá de cima, que a sua conquista foi a de um reino e que o impossível não foi barreira para obter o que está agora em sua mão. E felizmente constatará que o saboroso e abundante vinho da paz, que será dividido e blindado por gerações, fora feito da uva por ele colhida: O sonho.
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