| Dick, o filhotinho (capítulo 3) |
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O escolhido que se escolheu
Raquel estuda veterinária, amiga da Olívia desde o primeiro grau no CAP, mostrei a ela os jornais que havia guardado para elas procurarem um cãozinho em Petropólis que tem o cantinho de adoção por telefone mas achava que era melhor um mês e meio antes da mudança para ele chegar maiorzinho na casa, afinal era o guardião. Ela nos disse que tinha um abrigo na sua faculdade em Vargem Pequena onde aparecia uns cachorrinhos de vez em quando recolhidos nas ruas ou levados por alguém que fica de responsável até conseguirem adoção. Eles vermifugam e tratam, deixando-os em uma jaulinha expondo-os procurando adoção. Ela ficou de ver se aparecia algum filhote antes de sair de férias no inicio de dezembro de 2006. Pegou as recomendações: pêlo escuro, curto, pequeno , macho e o principal , tem que latir, senão eu vou ter que ensinar latindo quando chegar alguém. Era esse atributo de guardião que eu precisava, qualquer coisa eu ensino mas o melhor é escolher algum esperto latindo. É pra agora então, eu disse olhando para Olívia que preferia que adotássemos depois dela se mudar para seu apartamento de solteira que ainda estava procurando nos jornais sem achar. A morte da Lindona gerou muito sofrimento, as duas dormiam agarradas, mas ela topou, daria um apoio, é o cachorro de Petrópolis, é de vocês falava. Na verdade achou melhor ir no abrigo pequenininho, da faculdade da Raquel, do que procurar em um abrigo grande, muito deprimente, com muitos para escolher, ela só escolhendo um, os outros ficando a procura de adoção, só querendo ser amados, não queria encarar isso. No abrigo da faculdade ela iria com a Raquel ver. A mudança foi adiada um mês, agora era para 27 de janeiro de 2007, afinal sempre moramos no Rio e os móveis centenários da casa que haviam se mudado somente uma vez em 1992 estariam voltando a casa com muita coisa para encaixotar. Eu não iria no abrigo buscar o Dick isso é coisa de futura veterinária om Olívia que convidou a Júlia, sua amiga bióloga, que viajou com ela para a Europa, para buscar o Dick como um presente de natal para mim e para o Haroldo, ela daria esse presente. Raquel pegou todas as indicações e ficou combinado que se ela achasse algum, ela ligaria. Ia ficar de olho na faculdade que já estava para entrar de férias, depois ficaria mais difícil. Três dias depois ela ligou à noite informando: Pretinho e marrom, gordinho, cara de pastor alemão, é viralata e, não deve crescer muito, o único macho, o resto que tem lá é tudo fêmea, vamos marcar de buscar amanhã. Passo lá e pego, trago para casa que é ao lado no campus da faculdade e você pega direto lá em casa, antes dou vacina e o que for necessário. Olívia concordou e nós também. Dormimos em polvorosa. Última noite na minha cama pensei me preparando para um mês e meio no chão no meio de choros do bebê cão. Lindona chorou um mês e meio todas as noites com saudades da matilha; eu tinha que dormir com ela no chão, era preciso um revezamento e todos ficaram de ajudar. Ainda bem que apareceu, um mês e meio antes da mudança ele chegaria em Petrópolis maiorzinho como eu queria e eu ainda teria ajuda da Olívia para revezarmos com o filhotinho. O telefone tocou acordando Olívia na hora do almoço era Raquel esbaforida: Chegaram mais dois machos! Olívia teria que escolher, estava em casa esperando por elas para irem ao abrigo pegar o Dick. Rapidamente Olívia acordou e, ligou para Júlia para ir com ela buscar o corpo do Dick, como disse o pai da Júlia, que ficou ainda de levar uma caixinha de viagem que tinha sido da sua gatinha Rinnie, onde pegariam o Dick bebê. Escolhe o mais simpático e animado eu disse me despedindo da Olívia na porta. Haroldo acordou e foi comprar ração de filhote, eu preparei uma caixinha de papelão para colocá-lo como uma caminha, separei um colchonete para lateral das camas; Olívia e Júlia partiram para a faculdade em Vargem Pequena zona oeste do Rio. Lindona havia sido enterrada na zona oeste e, o Dick estava vindo de lá sendo retirado de um abrigo para cães abandonados. Ao chegar no abrigo Olívia, Raquel e Júlia encontraram todos os filhotes dormindo menos um bege de focinho preto, que brincava de morder com um grandão. Ele chegou até elas chamando a atenção, Raquel o pegou no colo e perguntou a ele se ele era o Dick, Olivia achou que sim, tinha se escolhido indo falar com elas. Seria um rapaz de família, iria para a cidade imperial ter vida de barão. Levaram ele para uma consulta médica Olívia pediu para a Raquel encarar a vacina com ele, não queria olhar. A moça da sala se ofereceu para cortar o rabo e a orelha dele. Olívia agradeceu a preocupação estética, e recusou com horror o serviço. Ele seria normal com suas orelhinhas caídas e rabo argolinha como disse mais tarde o Luiz outro amigo da Olívia, bonitinho do jeito que era até com uma perebinha no rabo que passou despercebida da Olívia, que foi fazer o papel de adoção enquanto Raquel se encarregou de vaciná-lo. Raça: SRD ( Sem Raça Definida) = vira-lataço clássico disse Olívia. Com dois meses de idade, tinha ido parar no abrigo naquele dia o sortudo, brincou e nem dormiu no abrigo foi logo adotado. Leva o irmão também, disseram, Olívia arregalou os olhos, basta um. Seu irmão em seguida foi adotado também, dos machos sobrou o pretinho que estava dormindo. Raquel ainda quis ver os outros na hora que estavam saindo Olívia recusou-se incomodada de só estar adotando um. Já havia escolhido o Dick. Antes de vir para o apartamento da Lagoa passaram na casa da Raquel que mora com três gatos, ele ficou meio temeroso para pânico do Haroldo que morre de medo de gatos e tinha pedido para não passarem lá. Sem medos, ele não é a Lindona. Ele veio na cestinha da Júlia que não achou a jaulinha, cestinha de palha, com um paninho, um verdadeiro retirante, brinquei. Chegou quietinho na cestinha, tão pequenininho. O colocamos na caixa para ele dormir mas, antes demos ração que ele comeu como um indigente, depois dormiu de barriga cheia pulando de cabeça na caixa, sabia entrar e sair. Inteligentíssimo!
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