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| Por certo acabou |
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Sempre pensei que o amor só pudesse nos causar alegria.
Mesmo quando eu sofria, sabia que valia a pena, porque era por amor. O amor era algo que eu mais desejava. Amar! Sem necessariamente ser amada. Era bom. Eu gostava. Eu queria. Amar me fazia sonhar, desejar, buscar. Pegava-me sorrindo ao ver um casal de namorados caminhando de mãos dadas. Que saudade sinto de quando eu me deitava em minha cama, ligava o rádio e sintonizava em estações românticas. Pegava uma folha de papel, uma caneta, e fazia rimas com frases de uma adolescente apaixonada. Saudades tenho de quando chorava de emoção ao pensar que quem eu amava poderia estar pensando em mim. Planos fiz em minha cabeça. Histórias de amor nunca vividas. Alma leve. Inocência. Inexperiência. Hoje, ah hoje, não acontece mais. Aquelas estrelas de um céu de uma noite de verão que outrora brilhavam, se revelaram refletores de um céu artificial de um estúdio de televisão. Aquela brisa da madrugada que tanto me empolgava, hoje me faz vestir uma blusa. Contos de amor são apenas contos de amor. Nada real. Antes as luzes dos prédios de uma avenida movimentada me faziam pensar se em alguma daquelas janelas poderia haver alguém apaixonado como eu. Hoje vejo que estão todos preocupados em fechar as janelas para diminuir os ruídos exteriores. As vezes me pergunto o por que tive que abrir os olhos e nada mais me encantar. O segredo da mágica foi revelado e não acredito mais no ilusionista. Já me cansei de piadas repetidas, não consigo mais sorrir. Não queiram mais me enganar que o amor existe. Ele só existe uma vez. E como tudo que nasce tem por regra a morte, ele morreu. Felicidade? Só para quem nunca foi ferido. Por que quiseram me mostrar que os fantoches não se movimentavam sozinhos, e que os presentes da árvore de natal foram comprados numa loja? Obrigada por mostrarem que o bicho papão é o outro nome para o medo. Cansei dessa vida insosa. Ainda queria acreditar que fadas existiam, assim ainda seria capaz de acreditar no amor.
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