| Ela dá mole |
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Vêm o bole-bole, a esmola e o gole de pinga, e ela dá mole, dança e entra pelo cano e a lambança não breca nem tira o seu da seringa, de tão meiga, de tão leiga e singela, digere o que lhe dão, minguado e graúdo, caipira e urbano, aguçado e rombudo, cabeludo e careca, e se fere e esfola posto que tudo engole sem manteiga que o pão vem puro, e vem duro e sem gosto, e ao lado de média rala, quando há!, e olhe lá!, sob o peso do arreio e com o vezo da rédea, se encolhe e se cala, não reclama da desídia daquela fada madrinha que dela se esqueceu e batizá-la não veio, que perfídia com a coitada!, e sozinha, sem norte, sorte e memória, sem um só sonho seu pra sonhar, um só pra contar história, ela só não desiste porque assiste a esporte e novela, e na tela da tevê ela se vê, e sonha o sonho que a faz sonhar a mídia, mas, diante de assunto tão importante, a mim a todo instante pergunto: vamos ser sempre assim?!
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