Dick, o filhotinho (capítulo4) Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por lyscia braga, em 29-04-2008 14:07
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Dick

Um filhotinho de viralata, de focinho preto patinhas bege claro, pêlo marrom e preto com um friso preto no meio de toda sua coluna da cabeça ao rabo no estilo gambá americano. Um olhar digno com sorriso de homem, homem sério. Chegou o Dick! Mal anda, ou melhor, anda trôpego segurando com dificuldade a cabeça. É magrela com barrigão, tipo retirante nordestino.
Já foi vermifugado no abrigo. Não para um minuto por duas horas, depois apaga, dormindo entocado por uma hora com a lingüinha para fora sonhando que está mamando batendo a patinha na teta da mãe.
Falei para Olívia escolher o mais esperto e ele, o único acordado no abrigo que brincava de morder com um cachorrão, já mostrava o que estava por vir, é hiperativo, um bebê de dois meses, dentes nascendo morde tudo e, todos com força de destruidor nato. Uma fera. Faminto, come com sofreguidão de indigente depois sai batendo o seu prato de ração para filhotes a única do mercado, molinha, a Frolic Junior. Água, derrama para todos os lados.
Dorme e acorda fazendo xixi e cocô em todos os colchonetes que eu coloquei ao lado da cama para eventuais quedas. Marca o território. Se abaixa para fazer xixi, ainda não aprendeu a levantar a perninha. Tenta descer dos lugares baixinhos se lançando para cima e abrindo as perninhas no ar, um kamikase, que se joga nas pernas das pessoas correndo, caindo sobre os dois pés, voôu várias vezes em cambalhotas inevitáveis quase ocasionando acidentes de tombo duplo. Acorda mansinho, bonitinho, calminho e, vai acelerando mordendo tudo e todos. Rejeitou o osso chiclete, muito duro, então ganhou da Raquel uma caixa de ossinhos para filhotes, devorou ansioso todos, em três dias. Mandei comprar mais, Haroldo trouxe o mesmo, que esfarela, em sacos, com formato de lápis, um perigo, pensou Olívia preocupada com ele que tenta pular das camas com o osso na boca mal agüentando a cabeça quase batendo o queixo no chão e, temos que vigiar quando ele desce, pulando nos colchonetes que amortecem o salto.
Descobriu a geladeira, através de um pingo de ambrosia, doce imperial que caiu na frente da geladeira e, ele lambeu, passou a vigiar a porta, louco, tentando entrar para pegar tudo lá dentro. Come cenoura e beterraba.
Tão diferente da Lindona que só comia ração e peito de frango, nenhum legume ou verdura; quando ficou doente uma vez e foi receitado um regime onde teríamos que cortar carne, não foi possível de fazer.
Vou acostumar ele a comer legumes que não causem gases, batata e grãos é proibido mas tem uns que são fundamentais como a cenoura e a beterraba crua ralada e, frutas também é bom acostumar.
A casa precisa ser limpa todos os dias com Lisoforme, único desifentante eficaz que não faz mal para animais, quando ele dorme, é hora de corrermos para passar pano em tudo quanto é lugar que ele usou como banheiro.
Na primeira noite ele dormiu agarrado no meu cabelo que eu tinha lavado como ele, com sabonete de enxofre que é bom para a pele e nele cura a perebinha do rabo, receita da futura veterinária Raquel.
Ele deve ter achado que eu era parte dele com o mesmo cheiro.
Olívia no dia seguinte ao banho dele aplicou o Frontline em gotas para cães até dez quilos para exterminar algumas pulgas que já estavam começando a aparecer. Ele adorou dormir sozinho se entocando atrás do sofá, debaixo da estante, não gostou de ficar na cama agarrado, é tipo independente de poucos beijos. Se entoca em espaços ínfimos, cada hora numa toca diferente, prefere os móveis mais pertos do chão e, quanto mais estreito e impossível de chegar mais ele se diverte se escondendo.
Outro dia desapareceu e fomos descobrí-lo somente quando resolveu aparecer, ele tinha conseguido a façanha de se entocar atrás de um sofá Chesterfield que tem um espaço embaixo porque a parte abaloada encosta na parede, espaço ínfimo que ele entra e sai como um coelho louco com as orelhas para trás e em alta velocidade. Deve ter alguma coisa de caçador cachorros do tipo que entram em tocas, por que ele adora isso.
Voltei então a dormir na minha cama deixando os colchonetes para o caso apenas dele cair. Tão diferente da experiência com a Lindona que era tão carente. Haroldo o confunde e o chama de Lindona minha cachorrinha, ele lhe dá uma mordida e sai independente. Abusado e corajoso, é homem e além da cara tem jeito. Ele o chama também de ratão do banhado por causa da cor do pelo. Todo o território marcado começamos a educação sanitária.
Biscoitinhos Maria de maisena no banheiro, local escolhido para iniciar o treinamento. Ele está aprendendo. Vai ser mais fácil quando chegar em Petrópolis. Ele gosta de ganhar biscoito toda vez que acerta um xixi bonito ou um coco bonito, para completar levou ossos e brinquedos para o banheiro e, fez mais um lugar seu. Seus diversos potes de água pela casa, com ossos escondidos em cada cômodo o deixam tranqüilo. Destemido e, independente, morde o tempo todo e só dorme sózinho, não gosta de ficar em cima das camas, graças a deus, não consegue ainda subir sozinho e nós nos refugiamos lá. Ele chora e, late irritado, quer subir mas, ele morde, vai para o chão, leva uma bronca com barulho do jornal e, sobe por um lado, desce pelo outro. Quando ataca, lhe empurramos osso ou sapatos velhos, ele ganhou uma coleção para destruir, revistas que ele já atacou nas primeiras ateleiras da estante, adora rasgá-las.
Abrimos lhe a boca para retirar nossas mãos ou pés ou qualquer roupa porque ele morde com força sem noção. Está melhorando mas é cínico, quando morde e leva um safanão, sai fingindo de desentendido, malandro, finge que morde outra coisa e, corajoso volta a investir mesmo com o coraçãozinho batendo forte ao escutar um sonoro não, acompanhado de uma batida de jornal; ataca o jornal, a tudo e a todos, o tempo todo e, nos refugiamos nas camas.
Parece que dura um mês e meio essa coisa infernal de morder, são os dentinhos de leite nascendo. Um chato reclama Olívia e todos nós, com essa carinha quem diria.
Vamos ter que impor limites.


Publicado em : Livros, Diversos
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