| Escrito por lyscia braga, em 01-05-2008 10:17 |
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Tirando a Vaca - Dick Felicidade
A alvorada foi cedo no dia da mudança, os homens ficaram de chegar por volta das 6.30 hs. da manhã. O Dick na véspera juntou toda sua tralha e colocou na caixinha que eu separei para ele quando ele chegou como uma caminha, caixa toda destroçada por ele, lembrando uma cadeira de balanço, parecia adivinhar a mudança arrumando suas coisas. A mudança começou e a Júlia e a Laura vieram buscar ele com Olívia e Raquel que havia dormido aqui para irem juntos para Petrópolis por volta das dez da manhã; vestido com a coleira da Lindona de corpinho ele partiu de carro com as meninas, da outra vez que ele entrou no carro da Júlia foi quando elas trouxeram ele do abrigo.Raquel trouxe uma cortina de banheiro que comprara para forrar o carro para o caso de alguma eventualidade.Olívia nervosa começou a enjoar pensando no possível enjôo do Dick subindo a serra e vomitou um pouco, o Dick imitou com uma vomitada rápida.Talvez um pernil da véspera comprado no bar. Passaram na farmácia para comprar Buscopam, Plazil,Floratil, um arsenal contra os seus enjôos psicológicos, ela havia ainda , virado a noite. Dick se comportou muito bem em toda viagem, dormiu no balanço do carro com aquele barulhinho de viagem e só acordou em Petrópolis,um príncipe. Elas até estranharam, ele ficou sério e comportado na chegada a casa.Cheguei por volta das 16.30hs em petrópolis e, o encontrei quietinho. Fui de taxi com Haroldo assim que carregaram a mudança na Lagoa, a mudança só apareceu as 20.00hs em Petrópolis. Os homens exaustos foram almoçar e descansar já que no Rio eles trabalharam até as 15.00hs, três da tarde, na mudança que começou por volta das seis e meia com dois lances de escada e caixas de livros que não acabavam, além dos móveis pesados como o piano. Cheguei depois de uma chuvinha na estrada, a tardinha encontrando o Dick que virou outro quando me viu, voltou a morder, "é comigo a coisa, ele acha que eu sou dele", correu pela casa e fez finalmente xixi na copa, coisa que já estava deixando todo mundo preocupado já que, ele passou toda a viagem e o tempo até eu chegar, sem ir no banheiro, quieto, jururu. Foi alegria completa me ver chegando trazendo os seus brinquedos, ele havia mudado. A mudança durou 24 hs, os homens às quatro horas da manhã estavam terminando de montar os móveis centenários pesadíssimos da casa, que estavam voltando para os seus lugares depois de quatorze anos. Quando eles saíram da casa em 1992, foi feita uma mudança em dois dias, desta vez os homens preferiram assim e nós também, mas não sabíamos que ia cansar tanto, uma loucura. Escolhi o banheiro do meio para transferir a educação sanitária do Dick, ele vai no banheiro a noite e a área externa é fechada a noite, levei o saco de biscoitos Maria para um cabideiro no hall ao lado da porta deste banheiro, coloquei jornal, falei em xixi bonito e, ele respondeu no ato, antes atacou alguns locais com caixas e livros afinal é tudo papel e ele não pode ver nenhum pedacinho de papel no chão que mira em cima e faz um xixi bonito. Muito sabido. Depois transfiro esse jornal para um local melhor já que esse é o banheiro que a princípio todos vão tomar banho, com o aquecimento geral da casa desligado, é o único que tem chuveiro elétrico e, é ainda o banheiro central na frente do quarto de hóspedes entre as duas salas, o resto é dentro dos quartos ou muito longe na parte dos fundos da casa. Raquel ficou com Olívia alguns dias para ajudar a arrumar a casa, estamos tirando a vaca. Depois, Olívia vai ficar nômade até seu apartamento de solteira que finalmente comprou no Jardim Botânico tendo uma vista incrível para o Cristo, na mesma rua que ela nasceu, vagar. Vai ficar hospedada na casa de vários amigos, além de Petrópolis, pulando para lá e para cá, os amigos disputam para hospedá-la e, ela está achando um divertimento essa vida sem lar. Falando nisso, Petrópolis é uma cidade onde se vê muito cachorro de rua, fico no computador posicionado na frente da janela que dá para a rua, na varanda envidraçada, vendo o movimento da rua e, vi passar uma dupla de cachorros, um bonitão, branco, grande com um vira-lata parecendo o Dick, outro dia, um preto e, ainda outros dois atravessando a rua movimentada com maestria. Penso no Dick abandonado, na fome que estes cachorros passam, sem falar no frio do inverno. Descobri mais uma entidade de ajuda a animais no Orkut, chamada de "sos vira-latas", que ajudam esses bichinhos abandonados, aqui em Petrópolis. Falei com o Gapa para colocar este livro on-line para estimular adoções e outras ajudas para que as pessoas sintam a transformação na vida da gente que uma adoção destas pode causar. O Gapa tem umas camisetas escritas" Amor não tem pedigree" que eu estou querendo comprar assim que tiver velox de novo depois do carnaval. A mudança com o Dick é outra coisa, ele movimenta a casa e virou o Dick felicidade quando descobriu o quintal e o jardim, além do salão lá em cima. Subiu com medo, agachadinho, a escadaria que vai dar no salão no segundo andar, depois correu para uma única jardineira sobrevivente aos aluguéis da casa, com um pé de roseira e outro de pimenteira. Ficou louco, virou alegria pulando na jardineira do quintal e cavando vários buracos, mostrei a ele o jardim, correu como um coelho louco com as orelhas para trás em grande velocidade, arrastou uma folha caída, pegou uma pedra e levou para a "nossa" cama, onde leva tudo que rouba pela casa, ou acha. Levou outro dia uma lagartixa morta que eu achei que era uma pimenta, quando descobri fiz um escândalo. Sem adiantar. Não me obedece e acha que tudo é brincadeira. Agora com quatro meses, já está mais amoroso, dorme comigo na minha cama e ninguém pode chegar perto do quarto sem ele rosnar, está muito agarrado comigo, Haroldo não aguenta a bagunça dele e briga mais com ele. É quem dá limites e ele obedece, comigo que é um inferno, e isso de dar com o jornal nele, ele arranca e, destroça o jornal na minha mão, mas acabo educando esse rapaz. Ele visita Haroldo por volta das seis horas da manhã todos os dias,dando beijos, não se esqueceu que era ele que ficava com ele quando acordava, quando tinha dois meses, depois ele volta para a minha cama esperando Haroldo fazer o café da manhã. Quando ele coloca o queijo na mesa lá vai ele com sua fome de indigente pedir alguns pedaços ameaçando subir no colo. Quando acordo ele pede para abrir a janela envidraçada, seu posto de segurança, já que ele sobe na cama sofá e fica debruçado na janela vendo a rua, o portão de entrada da casa e, um portãozinho que divide o jardim do quintal, depois vai me pedir sentando enfrente a porta do quintal para a copa, para abrir esta porta que dá para o quintal, pula na sua jardineira e corre de alegria para o segundo andar, é impressionante a alegria, late do seu posto de segurança e os cachorros das casas vizinhas respondem. Vai ser um bom guardião quando crescer, outro dia a empregada que ganhou a chave do cadeado do portão para entrar e só depois tocar a campanhia abriu o portão e, ele começou a latir, no dia seguinte também, ele já aprendeu que passando do portão é território dele. Quem chega e escuta ele latindo acha que é um cachorrão enorme preso dentro de casa, tem eco e ele adora o pé direito alto que faz eco. Descobri que em Petrópolis, tem doença do carrapato, descobri isso vendo a tv local quando apareceu um carrapato no meu queixo, já que ele levou uma aplicação de frontline aos dois meses e dura uns três meses o efeito contra pulgas e carrapatos. Essa coisa de ser dono da jardineira é complicado, ele sapateia na terra, cava buracos, depois volta com o nariz sujo de terra, sem falar das patinhas, tenho que dar uma limpeza rápida entrando com ele atrás de mim no box na hora que eu tomo banho, mas o uso de colcha pesada na cama é fundamental além de limpar paredes e sofás dos carimbos das suas patinhas. Adora pedra que desenterra, como um tesouro, lá vem ele trazendo-a na boca e cospe em cima da minha cama radiante de felicidade tudo que acha. Haroldo mandou botar tela de viveiro em toda a cerquinha da casa que é baixa, muito antiga de madeirinha e, ele ficana tela da varanda fazendo sucesso olhando o trânsito que cresceu muito, e agora é grande na rua, tem até engarrafamento e, da varanda eu posso mexer na cabeça das pessoas que passam na rua esticando o braço no parapeito da varanda que é bem no meio da rua, e a telinha deu segurança para o Dick, mas como a Ximbica um cachorro que havia sido recolhido na rua e passou a morar aqui na década de 80 vivia fugindo e como era de rua, safa, fugia e voltava, o que não é o caso dele, ele vai usar coleira em casa e Olívia comprou três para ele experimentar, vai ter que ficar com ela no pescoço com nome, endereço e telefone, mostrando que é de família, mimado, come duas vezes por dia um pratinho de ração e Haroldo prepara todo dia para ele um pratinho de arroz, beterraba e cenoura crua com fígado que ele adora. Está forte, pesado, com muita força, pequeno ainda, mas eu não consigo segurar ele para tomar banho, Olívia vai ajudar porque comigo ele sai correndo ensaboado pela casa, fugindo. Na vacinação foi uma loucura, é um escandaloso nato e, não para quieto, Haroldo teve que segurar com força ele esperneando e gritando antes de tomar a vacina só porque não queria ficar quieto imobilizado. Chegamos em casa e ele gostou da casa, que é grande para ele e, penso em um companheiro ou uma companheira para fazer companhia para ele. Ainda não fomos ao sótão em obras muito perigoso, mantenho trancado. Ele só vai subir lá depois da obra terminada, no resto da casa ele reina absoluto, cuida de todos os cantinhos.
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