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| DEREK E O CAVALEIRO BRANCO |
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O Testamento
O relógio bateu as doze badaladas, e o ânimo dos herdeiros assentados à grande mesa de Cedro esvaecia. - Será que vale alguma coisa a velha mesa de jantar? Era a pergunta que Mildred, a Sobrinha neta de Abigail C. Holts esboçava em sua mente. Bem parece ser peça única, entalhada e rebuscada como todas as relíquias da família Holts. Samuel Vernal já havia sucumbido à impaciência. O velho Manfred, mordomo da família, fitava os ingratos sobrinhos da amada Abigail com ar de indiferença, pois os via como lobos famintos revoltos e envoltos na sua tão peculiar ganância. Abigail, mulher prodigiosa, fora educada na Universidade de Oxford, uma pessoa generosa, como poucas, ajudou vários orfanatos da região com substanciais recursos. Porém era compreensível esse apreço pelos órfãos, uma vez que ela nunca pode ter seus próprios filhos. Triste foi sua história, pois, apesar de sua excelente conduta social e reputação ilibada, ela fora acometida de uma doença rara e sem diagnóstico, passando seus últimos dias em um torpor imensurável. A enfermidade a conduziu a uma vida quase vegetativa em sua cama. Lúcida, porém, em extremo fragilizada, acabara por sucumbir à doença. Deixando é claro o caminho livre para seus únicos herdeiros vivos, os sobrinhos netos Samuel e Helinda Vernal (netos do falecido Albert Vernal, o irmão) e Joshua, Mildred e Belinda Simpleton (netos da falecida Gertrude Simpleton, a irmã). Então, depois de muita espera, o testamenteiro finalmente apareceu. Sobriamente assentou-se a cabeceira da mesa, suspirou um pouco, pediu um gole d’água e começou a abertura do testamento. - Prezados Senhores, é do conhecimento de todos que a querida Abigail Holts tinha um venturoso apreço por todos aqui presentes; e digo isto, sem falsas modéstias, eu a conhecia muito bem. E Apesar de seus muitos esforços reiterados na educação de alguns dos presentes; poucos, eu diria, a exceção da nossa querida Mildred, mereciam tanto esmero (disse isso olhando para o Samuel). E continuou: - Mas acredito que ela foi muito justa com todos os sobrinhos, portanto, eu não quero me alongar mais. Esses são os últimos desejos de Madame Holts: - Ao meu sobrinho Joshua, deixo a coleção de carros antigos do meu querido e falecido esposo David Holts. - Isso! Gritou Joshua em êxtase. - À minha sobrinha Mildred, deixo a coleção de livros raros e a mansão Holts. - Pobre Titia, se lembrou de mim, que carinhosa. Balbuciou Mildred! - À minha sobrinha Belinda, deixo minhas jóias de grande valor. - Eu sabia que iriam pra mim, ó querida Titia, obrigada! - Para minha sobrinha Helinda, as gravuras e as pinturas de minha pinacoteca particular. - Muito justo! Sempre fui a mais ligada às artes. - Quanto ao meu querido mordomo Manfred, deixo uma pequena importância em depósito a ser resgatada... Em agradecimento aos seus infinitos préstimos. – Para mim! Oh, obrigado, querida Madame Holts! Que Deus a tenha! - E finalmente, ao meu sobrinho mais novo, meu querido Samuel, deixo a caixa de charutos de mogno que fora do meu amado marido, David Holts. - Charutos? Mas o que eu vou fazer com charutos? - Bom meus caros, esse era o último desejo de sua querida tia avó Abigail, agradeço por todos comparecerem, mas por hora é só! Vemo-nos no cartório para outros fins. Boa sorte jovens, sejam prudentes com os bens que receberam! Até mais ver. - Como só? Mas que raios de testamento é esse? - Calma Samuel, você vai ter todo o tempo do mundo para se deleitar com os charutos do Tio David! Disse o Joshua com todo o cinismo que lhe era familiar. - Mildred, até para você, que sempre foi uma farsa... Tia Abigail deixou a mansão. O que está acontecendo aqui? - Oras, Samuel! Você não achou que Titia fosse deixar algo a mais para você, achou? Você sempre foi muito esquisito, ninguém gosta de esquisitos! Replicou Mildred. - Quer saber, adeus, passar bem! - Não se esqueça do seu tesouro, caro primo! Sorriu Belinda apontando para a caixa de charutos. - Mas claro, cara Belinda... Obrigado pela gentileza! Que todos possam se esbaldar com o que agora têm... No mais, até nunca mais! - E todos se puseram a gargalhar do coitado do Samuel, enquanto este batia a porta da mansão segurando a velha caixa de mogno. - Que ingrato! Balbuciou Joshua com um sorriso nefasto no rosto e um olhar impiedoso na direção da porta que acabara de ser cerrada. - Joshua, você é incrível mesmo, sabia? Coitado do Samuel! - Oras, senão vejamos! Quer dizer que a velha Helinda agora aprova o seu querido irmão! - Não seja tolo Joshua! Meu irmão adotivo sempre foi um fraco e desprovido de nenhuma ambição; saiba que tenho vergonha do que ele se tornou... - Achei que eu vi uma pontada de humanidade neste seu coração de pedra! E pôs-se a rir. - Deveras, meu coração sempre foi frio com pessoas que não sabem o seu lugar; ele tinha tudo para ser grande, mas escolheu ter princípios! Bom, chega de falarmos do meu irmão, vamos festejar! Traga o champanhe Mildred. - Com prazer cara prima! Gargalhou Mildred com uma risada maníaca. Já de fora da casa, Samuel abriu seu velho carro, jogou a também velha caixinha de mogno no banco do carona e tentou fechar a porta, que acabara de quebrar o trinco. - Uouuuu, e mais essa agora! Tudo bem, tudo bem! Ele suspirou... - Vou colocar em prova todas as seções de terapia que a Tia Abigail me fazia passar durante os meus treze anos (ele agora tinha dezoito). - Ok! Adeus, Tia Abigail! Descanse em paz! No caminho, ele pensou sobre todos os males que enfrentara durante toda a sua vida. Ele queria ser escritor e passou os dois últimos anos pulando de emprego em emprego, tentando sua sorte junto aos famosos editores da Grã-Bretanha, mas mesmo com seus infindáveis esforços; nunca conseguiu, nem mesmo sair do aluguel. Seus pais e os pais de seus primos morreram num acidente fatídico, quando viajavam num cruzeiro pela Grécia, o navio naufragou. As crianças estavam em internatos da Inglaterra, quando receberam a notícia. Apenas sobrou-lhes a querida Tia Abigail, que além de custear todos os seus estudos, foi seu único apoio emocional durante anos, já que não havia mais nenhum parente vivo que pudesse ser por ele e por seus primos. Acredito que havia em Abigail uma mescla de abnegação e culpa, uma vez que partiu dela a idéia e o custeio do cruzeiro que levou seus pais à morte, naquele acidente horrível. Samuel, cansado de uma jornada longa de anos, suspirou, sentiu um aperto grande no peito enquanto dirigia pela rodovia. Seu coração tentava se consolar, se apegar a algo que pudesse trazer algum conforto, mas nada podia consolá-lo. Ele chorou. E diante daquelas incertezas que o cercavam, uma dúvida grande o apertava no coração... Talvez ele fora o único que realmente amara sua Tia Abigail e as outras raposas só queriam tirar proveito da relação que tinham com sua Tia. Mas o que será que ele fez de tão grave? Isso começou a moê-lo por dentro, tanto, que se esqueceu de abrir o invólucro da caixa e fitar o que havia no seu interior. Bem, é óbvio que ali só poderia ter charutos! Afinal, era uma caixa de charutos, foi o que pensou e ainda: - Mas os charutos pertenceram ao meu Tio Avô David, e ele já havia partido há tantos anos... Bom, Tia Abigail não seria capaz de me dar uma caixa com charutos mofados, seria? Ele enxugou então suas lágrimas, parou no primeiro acostamento, saiu do carro, pegou a caixa e ficou andando de um lado para o outro a segurando. Criou coragem, respirou fundo novamente, e com um olho fechado e outro entreaberto; numa careta de desgosto, ele abriu a caixa... Para a sua surpresa, lá não havia charutos, mas uma pequena jóia com uma pedra incrustada numa armação de ouro, um bracelete. Afinal, ele pensou, ela tinha me deixado algo de valor! Mas então veio a surpresa, a pedra era fosca. Não podia ser, seria uma Opala? Mas Opalas não têm grande valor! Se ao menos fosse um diamante, ou uma safira, quem sabe uma esmeralda, ou um rubi, mas para o seu infortúnio, realmente era uma Opala! - Ora Tia Abigail, o que eu vou fazer com uma jóia destas? Por que me deixou isso? Quer saber... Tia Abigail, descanse em paz! Eu simplesmente desisto, cansei de tudo, a partir de hoje não vou mais me deixar abalar por nada, já tive minha parcela de sofrimento, vou procurar um destino melhor que este, chega de Grã-Bretanha para mim. - Mas de qualquer sorte, Adeus Tia Abigail, não sei se posso deixar de amá-la, afinal, você foi a pessoa que mais se aproximou de uma mãe para mim! Adeus Inglaterra, leve consigo seus tesouros, eles não me instigam mais. E Adeus irmã e primos ingratos, façam bom proveito dos valores roídos que escolheram! Entrou no carro e seguiu viagem; no caminho ligou o rádio e sintonizou uma música dos Pretenders, o grupo que mais gostava. E ao menos por alguns instantes, ele voltou a sorrir. Logo avistou de longe um túnel aberto numa grande rocha em meio à rodovia, mas o que não conseguiu deixar de fitar realmente foi a jóia que havia colocado no painel do carro, ela brilhava quando um raio de sol a tocava, era interessante, parecia que estava ficando hipnotizado com o brilho da pedra. Então ele pensou, pobre Tia Abigail, acho que esse bracelete era de valor sentimental para ela, talvez o achasse tão especial que resolveu deixar para mim. Aquele sentimento alegrou tanto seu coração que pegou o bracelete e colocou no seu pulso, enquanto o carro adentrava no túnel. O Bosque dos Enlevados Subitamente, o carro pareceu parar, e justamente quando acabara de entrar no túnel. Algo novo ainda aconteceu, o tempo também pareceu parar, e depois, em câmara lenta, ele viu o seu braço se erguer involuntariamente, guiando sua mão que se abriu sem a sua vontade; uma luz também começou a ser emitida na estrada, a luz era como um eco que se propagava e percorria a extensão do túnel chegando ao fim deste... E quando ele se deu conta, a luz vinha de sua própria mão. Samuel, ao fitar a visão que teve, suspirou fechando os olhos; ao abri-los, ele já estava sob a luz do dia, num imenso bosque pouco iluminado; havia muitas copas de árvores abarrotadas de folhas secas de cores amareladas e avermelhadas em várias nuances outonais que as cobriam. - Meu Deus, onde estou? Eu estava na rodovia há segundos atrás! E que luz foi aquela que saiu da minha mão? Será que o bracelete da Tia Abigail me trouxe aqui? Essas eram as perguntas que povoavam a mente de Samuel. O coitado estava tão transtornado que nem se deu conta de que ele havia chegado ali, mas o seu carro não. - Que bosque será esse? Como fui chegar aqui? Atônito, ele ficou parado sem saber o que fazer. Até que ao longe, mas não tão distante, ele avistou uma cena surpreendente. Uma árvore; uma macieira, com frutos que pareciam exalar um perfume adocicado, muito suave, e em meio à árvore, uma égua branca. O que viu depois o deixou estarrecido, extasiado; seu coração saltou do peito ao ver o animal erguendo-se sobre as patas traseiras para colher a maça mais suculenta; que, de tão vermelha, mais parecia um rubi. Ela estava no cume da árvore. O animal não o podia ver, mas ele não parava de fitá-lo. Que magnífica era aquela égua, toda branca, com os olhos cor-de-rosa, jamais havia contemplado um animal tão raro e lindo. Samuel estava hipnotizado, tanto, que veio um desejo súbito e ardente em seu coração: - Eu preciso tocá-la! Mas algo de tão lindo, tão singelo e tão puro pode ser tocado? Mesmo assim ele não pôde resistir, tentou se aproximar, porém o farfalhar das folhas secas o denunciou, assustando o animal que logo se distanciou. Samuel fora de si, subitamente gritou: - Não! Por favor, não vá! Fique minha cara! Sem nem mesmo se dar conta de que estava falando com uma égua. - Perdoe-me, não quis assustá-la, fique! A égua apenas relinchou e depois, ligeiramente, cavalgou em direção a uma ramagem mais distante. - Meu Deus, só posso estar louco! Acabei de falar com um animal, onde estou com a cabeça? A égua se afastou deixando nele um pesar inexplicável no coração. Exausto de tantos acontecimentos, ele sucumbiu a tudo e se sentou na relva. Lágrimas rolaram caudalosamente de seu rosto e ele nem isso percebeu. Contemplando o rapaz chorando, a égua branca agora se voltou para ele. Lágrimas passaram a rolar dos olhos da égua, e uma melodia doce e suave o rapaz passou a ouvir naquele momento. Samuel fechou seus olhos e a égua se achegou e tocou em seu ombro; mas a melodia não cessou, até que o Samuel tocou em seu focinho. - Minha querida, você veio até mim? - Sim, nobre cavaleiro! Desperto, ele abriu os olhos e se deu conta de que a égua estava junto dele, e de que falara com ele. Samuel se levantou e olhou para ela e percebeu que não era uma égua, mas um unicórnio. O chifre que estava oculto fora revelado pela melodia. - Meu Deus, que criatura maravilhosa! E ela fala, isto só pode ser um sonho! - Na verdade eu não falo nobre cavaleiro. Mas posso ler seus pensamentos e falar através deles. Pude contemplar que em seu coração não há mácula, a não ser o pesar que você carrega no peito. Não tenha medo, sou um unicórnio, uma criatura mágica; todavia você é um nobre cavaleiro! - Cavaleiro? - Sim! - Eu vim até você cavaleiro para provar o seu valor. Em seu coração eu não vi nenhuma cobiça, por isso não tema, você foi aprovado. - Cavaleiro, mas o que quer dizer? Por que me chama de Cavaleiro? - Não tenha medo, vou levá-lo a Dama do Bosque. Suba em minhas costas. A Dama do Bosque esclarecerá tudo. - Em você? - Sim, em mim, a menos que saiba subir no cume das árvores? - Não, eu não sei! Mas eu sinto que não devo subir em você. Você é uma criatura tão pura! E de qualquer sorte, duvido que você possa. - Sim eu posso, mas não tenha medo. - Está bem! Eu montarei em você! E subiu no animal. A Magia do unicórnio o envolveu, e os dois foram transformados em uma névoa de luz, branca que reluzia e bailava se movendo com muita velocidade por toda a extensão do bosque; até chegar ao cume das mais altas árvores, onde se escondia uma cidade cheia de luzes, com escadarias em redor e várias habitações com janelas abertas; e àquela hora, já era noite. Ele ficou deslumbrado com aquela atmosfera, mas assombrou-se ao ver que a luz que iluminava o bosque não vinha de velas, mas de chamas verdes que pairavam no ar, como que por magia. Assim que desceram, Samuel afagou o dorso do animal e beijou sua face. - Minha linda Lady encantada, obrigado por ter me trazido! Então o animal relinchou e transformado em névoa outra vez, sumiu na escuridão, sem que ele pudesse tomar fôlego. - Meu Jovem, não se preocupe, você a verá novamente. - Eu espero que sim, essa criatura é sublime! E então ele se virou para ver quem falara com ele. À sua frente, uma linda mulher de olheiras pontudas, com vestes brancas, e cabelos longos e loiros, um sorriso singular e olhos penetrantes; azuis da cor dos oceanos. - Eu sou Lady Erwyn, a Dama do Bosque. - Lady Erwyn, obrigado por me receber, na verdade eu estou muito confuso, vim parar neste bosque, que sei que é mágico, mas acho que não deveria estar aqui. Recebi este bracelete de herança da minha Tia Avó Abigail, e assim que o coloquei, cheguei a este mundo mágico, parece que estou sonhando, ou melhor, eu só posso estar sonhando! Talvez eu tenha morrido, eu morri? - Não, meu caro, você não morreu. - É bem verdade que em outras condições, provavelmente eu desmaiaria de horror, mas aquela criatura me passou tanta segurança que eu não pude sentir medo algum. - Sim eu sei, eu a enviei a você! Mas não se preocupe, você a verá novamente em breve! - Ela revelou a você o seu nome? - Não, também não sabia que tinha um nome! - Por isso digo, que você a verá novamente! - Nobre Cavaleiro Branco, você foi trazido até meus domínios, pois lhe foi confiada uma missão. - Cavaleiro Branco, mas eu não sou cavaleiro! Eu nunca cavalguei na minha vida. E o que me trouxe até aqui, eu já disse, foi o bracelete. - Sim, o bracelete que pertenceu à rainha Lenora. - Rainha Lenora? - Sim, você é o descendente direto da Rainha e herdeiro do reino das Opalas. - Eu, só pode haver um engano! Não conheço nenhuma Lenora, e nem mesmo rainha alguma; além disso, nasci na Inglaterra! Esse seu mundo é mágico, e no meu mundo não há magia. - Bem, é melhor que eu lhe mostre e assim compreenderá como as coisas são. Ela tocou com um dedo no olho d’ água de numa bacia de prata que se ergueu em cima de um tronco cortado, como que por encanto. As imagens logo se formaram, e eles contemplaram no espelho a cena de uma criança sendo raptada e escondida numa cesta de vime. Um arqueiro com olheiras pontudas e cabelos longos como os da Dama do Bosque a tomou e montou numa águia gigante; sobrevoou toda a imensidão do bosque indo parar numa caverna no alto de uma montanha. Ele tirou a criança e riscou no chão um circulo e escreveu algumas palavras em um idioma estranho. Ao contemplar a cena, Samuel não soube ler o significado das palavras. O Arqueiro acendeu uma tocha e recitou as palavras escritas, a chama da tocha se tornou azul, ele colocou a criança no círculo e estendeu as chamas por toda a sua extensão, que queimaram envolvendo a criança, e esta... Desapareceu. Duas criaturas grotescas, de assalto, tomaram o Arqueiro, e sem que ele pudesse se desvencilhar; uma delas, com um grande machado, o matou. - Viu a criança? A criança era Lenora. - Mas o que matou o arqueiro? - Trols das fossas de Graben; estavam sob as ordens de Betrayer. - Sim, mas por que ela foi tirada do seu mundo? - Vejo que entendeu o significado da visão. Sim ela foi tirada do nosso mundo, por que um mal se apossou deste mundo. Este bosque, meu caro, é o último refúgio dos Enlevados e o único domínio mágico que não foi usurpado por Betrayer “o impetuoso”. - Betrayer matou Elm o pai de Lenora e Glim, sua mãe. Betrayer era o guerreiro mais corajoso do reino das Opalas, mas cobiçoso, sucumbiu aos apelos de sua ganância. Ele usurpou o reino. - Reino das Opalas? - Sim, já o mencionei a você, você é o herdeiro do reino. - Mas por que eu? - Você é o filho de Lenora. - Filho? - Sim, Lenora teve um filho, e o deu para um jovem casal criar no mundo que você conhece. Lenora, como você, aprendeu o segredo da pedra que você carrega no pulso e as profecias das Terras Antigas. Ela soube que era a herdeira; mas ocultou você e a sua origem até o momento em que ela partisse. - Por isso Tia Abigail estava doente, ela não era da Terra. Tia Abigail era a criança Lenora? - Sim, você entendeu tudo! - Mas Erwyn, como isso é possível? - O bracelete não está com você? - Sim, ele está aqui. - Ele é o sinal de que você é o regente. Esse bracelete só poderia ser dado a um herdeiro direto do trono. - Se você não fosse filho de Lenora, não poderia usá-lo. Então, Tia Abigail era minha mãe? - Escute Lord Varden, não há mais tempo, preciso lhe dizer o que precisa saber! - Varden? - Sim este é o seu nome de Poder, confiado a você pela Profecia dos reis Elfos do passado. Sei que o chamam de Samuel, aqui você é Lord Varden, o Cavaleiro Branco, herdeiro do reino das Opalas. - Mas você só vai entender essas coisas a partir do momento que aceitar sua missão! - Minha missão? - Sim, ela começa nas ruínas dos reinos antigos. - Ruínas dos reinos antigos? - Sim, mas você precisará de ajuda e a ajuda virá, porém, eu preciso lhe prevenir, um mal antigo acaba de adentrar no seu reino, mas antigo que este mundo, mas não tema! Nas ruínas dos reinos, você conhecerá o segredo dos valentes escolhidos. - Agora vá, e isto lhe será por sinal de alegria, uma jovem o encontrará na sua jornada. Ela precisará acreditar na sua lealdade ao reino das Opalas; se acontecer, você conseguirá vencer as duas faces do mal que atingiu o nosso reino. - Uma jovem? - Bem, então eu sou um Cavaleiro, Lord Varden, você disse! E Tia Abigail, digo, Lenora era minha mãe! - Sim, ela era. - Mas como ela pôde ocultar de mim que eu era seu filho? E por que ela só me deixou esse bracelete como herança? - Ela não deixou só o bracelete Varden, ela lhe confiou um reino que não pôde salvar, mas você pode! - Um reino, mas eu não sou daqui, meu lugar é na Inglaterra. - Se o seu lugar for mesmo a Inglaterra, não haverá salvação para o seu reino, pois Betrayer acabará com tudo o que mais prezamos e lutamos para preservar. - Mas Erwyn, não sou experimentado na guerra. - Isso não é importante! Como eu disse, aceite sua missão e vá até as ruínas dos reinos antigos! Lá você compreenderá por que você é tão importante para o reino das Opalas e encontrará respostas para as profecias sobre sua mãe e sobre o que você representa para este mundo. - Ok, eu irei Lady Erwyn! Mas eu preciso saber qual é a direção. - O Bracelete que usa e você agora são um, basta desejar saber o caminho e ele o apontará para você. - Ok, eu irei. - Você deve seguir ao amanhecer; assim que o sol raiar, Beauty o levará ao seu destino. - Beauty? - Por hoje é só, já há um aposento o esperando. - Cedar, leve Lord Varden aos seus aposentos. - Claro, Lady Erwyn. - Siga-me meu jovem! - Boa noite, Lord Varden, Grande Cavaleiro Branco! - Boa noite, Lady Erwyn! - Cedar, quem é Beauty? - Amanhã você saberá, boa noite Lord Varden! - Bom, boa noite! - Que coisa estranha, se alguém me contasse não acreditaria em tais coisas, mas está acontecendo comigo, e tenho certeza que não estou louco. Pobre Tia Abig... Meu Deus, Tia Abigail era minha mãe! Lenora... Que nome interessante! - Mãe, por que se ocultou de mim? Se soubesse que era minha mãe jamais a teria deixado sozinha em seu leito de morte. Ao menos sei que ela sabia que eu a amava, disso eu tenho certeza. - Meu Deus, será que isto tudo foi um sonho. Bom... Uuuuuffffff! Disse isso bocejando... Se isso é um sonho eu não sei, mas o sono já me pegou. Samuel se recostou na cama feita de folhas secas e dormiu.
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