(diálogo entre o Rei Davi e seu filho, Salomão.)
Pai (Rei Davi): És uma folha que o vento espalha. Não tens solo onde firmar tuas raízes, não podes te nutrir da fertilidade do solo, daí nada produzes que não te queixares das delirantes sensações do teu vôo desgovernado. Não crês na essência, pois tua própria essência é volátil. Se para mim Deus aparece como a providencial beneficência do solo, para ti é o vento, cujo sentido não captas.
Filho (Salomão): Você é a árvore e tudo ao seu redor tem um lugar determinado, os dias e estações passam regularmente diante de sua "arborosidade". Mas, quem pode saber mais do mundo e das coisas, uma árvore plantada ou tal folha levada a mil cantos? A folha logo percebe que não é o centro de nada, ela cai... Se sou a folha, já estive árvore... Acho mesmo que sou árvore, mas uma que não esquece suas folhas, antes, continua por elas, sendo cada uma daquelas decompostas e reabsorvidas no vir-a-ser do haver-sido. Você, talvez, ignore as folhas caídas... mas, venho lembrá-lo de que é alimentada a sua pequena glória... Por que não pensar o modo como o Todo Poderoso a sustenta? A vida também passa pelo horror do humos... E deixe-me lamentar! Pois o solo está cada vez mais seco, árido, menos humano... Cada vez mais, velhas florestas em petróleo alimentam motores inumanos...
Pai (Rei Davi): Que estás dizendo? Há que se despojar das coisas velhas e passageiras e prosseguir ao alvo. Renovar-se! Cortar galhos infrutíferos, importa os frutos e não as folhas...
A George W. Bush
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