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PALPITES DE ALMA Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Carmelo Vitorino da Costa, em 18-06-2008 19:46
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Certa vez, quando ainda era solteiro, puto com a impossibilidade de acertar no jogo do bicho, desabafei xingando as possíveis almas que me rodeavam, achando eu, naquele momento, que tendo parentes e aderentes falecidos, algum deles poderia me fornecer dados para acertar no jogo do bicho tirando-me inclusive, de algumas pendências dinheirísticas.

Fui dormir após sorver aquela latinha, cheias de letrinhas vermelhas em fundo preto, cujo conteúdo é inflamável e sonhei... Apareceu neste feedback do inconsciente, alguém que não reconheci dizendo-me o seguinte: “Você pegou pesado! Depois de estarmos do lado de cá, não somos obrigados às contingências comuns ao mundo dos vivos: Fazer feira, pagar pensão alimentícia para a mulher torrar na churrascaria com o namorado e nem tampouco, dar palpites - até porque, o dono da banca dá empregos e não pode ser prejudicado. Entretanto, vou lhe dar algumas pistas que poderá até lhe ajudar no intento. Anote logo cedo os sinais, isso será de grande valia.”

Acordei às 5:00, tirei a ressaca no banheiro e, de posse de uma caderneta e uma caneta, sentei no batente da oficina, e fiquei esperando, mas nada acontecia. A rua ainda não era calçada, mesmo assim, não apareceram os suínos, galinhas bodes e outros animais tão assíduos ao trecho. Não ouvi nenhum canto característico ou latido e olhando para cima, não vi nenhum gavião ou ave outra, que pudessem proporcionar pelo menos os primeiros dados palpísticos. A minha vizinha (Louzinha) saiu, - Bom dia, varreu a calçada e entrou. Levantei a vista e vi a velha Rural de Chico Ramos – fui direto às placas - a traseira não havia e nem também a dianteira, voltei então, a esperar sentado.

Chegou de repente um senhor, mancando de uma perna, que usou um pedaço de papelão, para se localizar debaixo do veículo. Levantou-se, abriu o capô, deu algumas batidas, balançou a cabeça e, enquanto eu segurava com força a caneta, ele não dizia nada. Chegou então, um possível ajudante, de macacão preto, qual não continha nenhuma referência numérica. Eu estava para desistir, quando se deu um diálogo:

- CARNEIRO! Vá na Casa de Chico

TOURO, diga ele para mandar o

MACACO-JACARÉ para ver se dá para consertar esta

VACA, pois tem defeito nos

BURROS de freio, nos

CACHORROS da embreagem, na

BORBOLETA do carburador e tem ainda, um

GATO na instalação.

A GUIA do virabrequim foi comprada num

CAMELÔ e está solta. Do jeito que está? nenhum

CAVALO de força!

- Acordar hora dessa? A muié dele vai virar uma

COBRA... e eu num vô agora ninhor não!

- CABRA

VIADO, não fique aí roncando feito

PORCO. Me vá logo, antes que eu lhe faça um

GALO nessa sua cabeça de

AVESTRUZ. Na volta, passe na padaria de

COELHO e traga

TRÊS pedaços de bolo e

DOIS refrigerantes de

UM litro.

- O meu bolo é de farinha de

TIGRE! Coca pra mim e pru sinhô. E pru Chiquim

PAVÃO é o que?

- Pra

ELE, FANTA!


DESISTI!


Publicado em : Literatura Popular, Causos
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