| Que de pomba tem feitio |
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O carioca da gema nem por decreto tomba e ao Rio é fiel até debaixo d'água, e não medra com água de tromba que chega ao teto e arranha-céu afoga, aquela tromba que acompanha trovão que provoca arrepio até em coração de pedra, agora, carioca da gema não rema contra vento e maré, nessa situação, desprega a vela ou pega jacaré, e no momento do assalto o carioca é ágil, dialoga, conversa, engambela o gajo pra baixar o ágio, e argumento tem paca, mas, não fala alto nem adversa o ladrão, e se cala quando é hora que não é babaca e com bala não quer confusão, o lema do carioca é manter o timão na mão, quer dizer, o Mengão, e a barca em curso bom, por isso, não embarca em ouriço e canoa furada, nem se contamina com discurso à-toa de arauto do naufrágio que se vacina com piada e pilhéria, carioca é assim, brincalhão e risonho, mas, vá por mim, frágil e pamonha o carioca não é não, se toca com miséria e desdita e levanta a grimpa, se irrita com lomba de vagabundo que zomba do trabalho e abarranca as águas do Rio, o carioca é demais e nas águas do Rio vai fundo e garimpa, esmiuça e fuça o cascalho atrás do sonho que mais sonha, a pepita branca que de pomba tem feitio!
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