| Lágrimas de Prata - O futuro de Liv |
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Em primeiro de Maio de 1943 uma entrevista com os líderes Hitler e Mussolini deu nova força ao avanço nazista. Quando perguntado sobre o que seria mais forte, o arado ou a espada, Mussolini respondeu: "O arado abre a terra, mas é a espada que a protege". Adolf Hitler esclareceu suas convicções quanto ao movimento nazista dizendo "O futuro do movimento depende da certeza e até mesmo do fanatismo desmedido dos que o defendam, a intolerância é necessária, considerando-o como a única causa justa". A ofensiva americana contava principalmente com os quatro porta-aviões de que dispunha em sua marinha de guerra. Dentre estes o principal era o classe Lexington CV-2, com mais de trinta mil toneladas de peso em total capacidade de carga. Os principais aviões a bordo eram os P-47 Thunderbolt e os P-51 Mustang. Foi neste navio que se percebeu a necessidade da inclinação de nove graus entre a pista de pouso, ajustada a bombordo, e a pista de decolagem, ajustada a proa. A Batalha do Mar de Coral no Sul do Pacífico para tentar controlar a ofensiva nipônica contra a Austrália e a Nova Zelândia foi uma breve e arrasadora. Os comandantes Frank Fletcher e Takeo Takagi manobraram seus navios durante quatro dias de batalha incessantes. Canhões rugiam o tempo todo. A noite ficava clara pelo fogo nos gigantescos canos e das explosões. A frota australiana engajou-se em combate e ficaram em pé de igualdade no segundo dia de briga. Zeros e Thunderbolts singravam o ar como águias ligeiras e incisivas. O primeiro a adernar foi o porta aviões japonês Shoho, incinerado até as cavilhas e deitando a bombordo levando consigo dezenas de marinheiros. Após a decolagem dos Wildcats, o grupo precursor das escola de pilotos norte-americanos conhecidos como "Top Gun", os navios japoneses começaram a perder léguas marítimas. O Shokaku foi afundado em pouco mais de quatro horas de ataques diretos e teve seus reservatórios de combustível incandescidos o que levantou, às 02:45 da madrugada, uma bola de fogo sobre o mar. Naquela batalha o tenente John Colt abateu cinco aeronaves japonesas e foi um dos primeiros a investir contra os conveses dos japoneses driblando a artilharia anti-aérea. Mesmo com a superioridade americana e com a ajuda dos australianos, o Lexington foi afundado causando mais uma grande baixa norte-americana. As forças francesas haviam corrido com os invasores de Bir Hakim, cercanias de Paris. Mas o avanço nazista era constante e forte no litoral. Em uma larga praia escarpada onde uma encosta se mostra imponente, deixando cem metros de areia e erguendo-se quase quarenta metros acima do mar, os alemães montavam uma super estrutura com bunkers, panzers, metralhadores, minas terrestres , acampamento, campo de concentração de prisioneiros, pista de pouso e decolagem e linha de abastecimento com o interior europeu. A praia estendia-se por três quilômetros, mas o principal ponto era o mais baixo no mapa. O local começava a ganhar formas de uma fortaleza intransponível. Logo que os resistentes franceses retomaram parte de Paris, o general Charles de Gaulle, já condenado à morte pelos dirigentes franceses, agora simpatizantes ao Fuhrer, emitiu ordem de Londres para que os sobreviventes de Ardenes, resgatados pelo SAS, fossem trazidos a terras bretãs. O acordo de cooperação firmado entre os Aliados, previa, se necessário, asilo temporário aos sobreviventes. Um mês após a queda de Dachau os sobreviventes já estavam sendo removidos para a Inglaterra. No momento de embarcar no B-29 cedido pelos americanos, as prisioneiras deram seus nomes, ocupações e nomes de familiares, para que fossem localizados, se vivos. Liv fora nomeada novamente enfermeira para auxiliar nos atendimentos, já que agora, aquele era um ponto tomado pelos Aliados e uma contra-ofensiva era iminente. O SAS havia transformado as áreas ao redor de Dachau num imenso campo minado iniciando as instalações de fora para dentro. A saída, única, fora demarcada com estacas baixas fincadas como que formando uma estrada, difíceis de ver se não se soubesse exatamente suas localizações. Para evitar problemas os homens foram novamente separados das mulheres, mas tinham liberdade em andar pelo local. Muitos sucumbiram à fome e ao frio. Outros morreram de complicações de doenças e ferimentos graves. Um médico do SAS assumiu o que seria a casa segura para hospital. O tenente coronel De Bruce, certo dia, foi falar com a enfermeira Liv Duncan. __Você trabalhava no hospital de Ardenes? __Sim, senhor. Comecei como enfermeira voluntária, mas depois fui designada para o setor de administração. O tenente vasculhou uma gaveta trancada a chave e retirou um papel de dentro, estendeu a moça e pediu que ela reconhecesse aquilo. __Fui eu quem redigiu isto, senhor. Mandei que um assistente do hospital levasse a Paris, mas jamais achei que sairia da França e chegaria a Londres. O tenente acendeu um cigarro, limpou a garganta e tomou um longo gole de seu café. Franziu as sobrancelhas e olhou Liv por cima dos óculos de leitura. __Isto chegou a Londres, não tenha dúvida. - levantou e pôs-se a caminhar pela sala atrás dela, sentada disciplinadamente numa cadeira de espaldar reto- Para ser mais preciso, menina, isto chegou às mãos do Comandante Bernard Montgomery, e na verdade foi entregue pelo General Trafford Malory, primeiro comandantes das tropas de terra da Ochre House. Ela não entendia o que era aquilo tudo, mas não temia o tenente Bruce, ele vinha sendo cortês com todo mundo, do jeito dele, claro. __Acontece, minha jovem, que fui o primeiro a ler esse relatório. __Não era para ser um relatório, senhor. Era só para ser um alerta... Mas funcionou bem demais. Os britânicos puderam ter uma noção do que estavam por enfrentar e por isso, o SAS foi acionado. Vinham treinando há um bom tempo e precisavam de ação. O tenente explicou que havia um novo acordo entre franceses, americanos e ingleses, e que o comandante da França livre estava governando de Londres. O que ele queria perguntar a Liv era se ela tinha intenção de ficar em campo, ou se preferia ir a Londres. __Ficar em campo... Significa que vou ter de ficar aqui? - perguntou baixando a cabeça. __Sim. Mas há outra oferta que meus superiores lhe fizeram. As informações que passou naquela carta foram conseguidas de quê forma? Ela ajeitou-se e começou a pensar. __Bem, estávamos num hospital comandado por militares e com pacientes militares, então, o que eu basicamente fiz foi anotar as informações que eles passavam e fazer uma previsão do que podia estar acontecendo nos campos de Ardenes. Um dos homens se apoderou de um rádio alemão, ao que eles não perceberam, provavelmente, porque continuaram as transmissões dando informações importantes. O tenente ensaiou um sorriso olhando pela janela para o pátio abaixo deles. Ela continuou. __ Um dos primeiros feridos a chegar ao hospital sabia exatamente o que estavam enfrentando, então enviei uma segunda carta, mas acho que essa não chegou à Londres. __E por que mandou para Londres, e não para Paris? __Por que sabia que Petain não tinha meios de resistir aos combates - ela baixou os olhos, tristes- eu tinha um amigo que é admirador de Charles de Gaulle. Imaginei que os britânicos seriam os únicos capazes de chegar ao general. __Então basicamente você fez um previsão política do que poderia acontecer? - ofereceu a ela uma caneca com café, ela aceitou. __Sim. Mas não sei o que aconteceu com a segunda carta... Nem com meu amigo... - baixou os olhos novamente. O tenente tirou a segunda carta da gaveta e mostrou a ela. __ Nossos bombardeiros aniquilaram as forças alemãs em Ardenes, mas ainda assim os nazistas mantém uma posição importante. Estão neste momento com um grande contingente de soldados e armas na praia da Normadia. Ao que parece eles acreditam que mesmo perdendo terreno no interior da Europa, podem deter qualquer ataque marítimo. Ela olhou a carta e pensou por um minuto. __Mas por que iriam abrir mão dos territórios tomados no interior? A menos que estejam tentando expandir para África e mantendo somente um corredor de abastecimento para a Normandia, não há motivo para isso. - a moça era boa de raciocínio. O tenente sorriu para a mesa. __É exatamente o que está acontecendo, senhorita Duncan. A Itália aderiu às razões de Hitler e Mussolini instaurou um novo Estado Fascista. Neste momento devem estar cruzando as fronteiras do Egito. Liv levantou-se da cadeira indignada com a informação. __Precisamos impedi-los! Se tomarem o estreito de Gibraltar entrarão com força plena na Espanha, e tendo a Normandia, terão quase toda costa oeste européia... - deixou-se cair na cadeira-... Meu Deus! __Disse que não gostaria de ficar em campo, senhorita Duncan? Pois temos um plano interessante para você. Ela até esquecera o amigo com que estava preocupada. Não viu Gascoin depois da libertação. Ficou tão atarefada com os cuidados dos feridos que quando foi perguntar se alguém sabia alguma coisa dele, era tarde demais, não estava mais com eles no campo. De Bruce pediu que ela juntasse suas coisas e estivesse no campo de decolagem em duas horas. Um B-26 cargueiro iria decolar para Londres e ela devia estar naquele avião. __Tenente! - gritou da porta da aeronave- O homem que pegou aquele rádio, vocês sabem quem é? O tenente-coronel afirmou que sim. __Onde ele está agora? Ele é meu amigo, de Paris. Queria muito saber o que aconteceu com ele... De Bruce apertou os olhos e caminhou por baixo da asa do avião parando perto da porta. __O soldado Henri Gascoin foi morto num acidente com uma mina... Eu sinto muito. - e retirou-se no momento em que o sub-oficial de vôo tirava as madeiras da frente das rodas
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