| Juro que vou à forra |
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Estou tão surpreso de estar assim que nem em mim acredito mais, aliás, de tão aflito, estou um horror!, não estou medindo esforço nem suor, pior, não estou ligando pra montante nem pra valor, perdi o vezo de poupar e dei de gastar sorrindo, e paca e bastante e a rodo e à beça, e estou quase ficando sem base, e precisando de reforço pra teso não ficar de todo, me tornei um panaca, e não sei se vou sair ileso dessa, mas, não deixei nem por um instante de acalentar meu desforço, ora essa, que fase!, assim que te vi, fiquei uma pilha, aí, por você, cometi um crime: virei a casaca na hora; agora, torço pelo time da família, na lapela pus a Cruz de Malta, e como é bela!, como salta!, como brilha!, e fico aceso no dia do jogo e a pressão fica alta, é... paixão é fogo!, o segundo encargo foi perder peso, puxa!, uma ducha fria que nem estava obeso, mas, fui fundo no regime, passei a beber café amargo e a comer só o que constava da pauta, e deixei de ser franco e acabei mentindo: "não estou sentindo falta nem de cerveja e goró!"; em dia de branco, levo ao bingo sua titia materna e solteirona que esbraveja e me humilha que de materna essa dona não tem nada, e dessa safada inda banco o vício, e no afã de bajular a irmã da sua tia, vivo acendendo vela e fazendo sacrifício e vigília, e, no domingo, madrugo, mas, me privo da pelada e à igreja vou com ela, em feriado prolongado, faça chuva ou faça sol, alugo carro, pego a estrada e vou a Tucunduva, e vou como uma bala, e sem escala, e sua madrinha trago, e pago tudo sozinho, e vou e volto mudo, atento à fala da dindinha, na quarta, marco mais um tento, com seu sobrinho vou ao futebol que me amarro nele, ele é um sarro... é um esbarro aqui, ali um cacete, um chute acolá, e sorvete, quitute, guaraná, e o danado se lambuza e farta e ainda me acusa de babaca e mão-de-vaca, e por aí não finda não, com seu pai escuto fado noite após noite e sem pausa nem fim, e ai de mim se deixar furo, se precisar de ar puro por causa do charuto, seu irmão é useiro e vezeiro em pegar meu dinheiro e nunca me paga, e você nem liga, e ainda me obriga a ficar de bom humor, sua cunhada é uma praga na partida de buraco e você amarela quando olha pra ela, e se molha e se borra, e a batida não vê, e dá o curingão de mão beijada, e ela bate, late e torra o meu saco, é duro tanto dissabor, mulher, mas, quando eu puser a mão no seu amor, juro que vou à forra!, e lhe dou uma dica, vai ser berro, ferro a carvão, tanque, forno e fogão!, de adorno, escovão e espanador, e você inda vai ser o motor de arranque da minha linda fubica!
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