A Expionagem no Tempo da Banalização Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Marco Aurélio de Castro Deus, em 13-07-2008 19:22
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Houve um tempo em que a espionagem não estava tão infiltrada em nosso meio. Ser espião ou detetive "era coisa pra macho", envolvia perigos e adrenalina. Na vida do cidadão comum entrava pouco, não ocupava muito lugar, parecia distante. Porém às vezes por motivos reais ela acabava sendo indispensável em alguma face da vida.
Mas quando é que cidadãos se transformavam em espiões? Quando tinham causas no intimo, estavam mexidos por dentro, eram alvos de sentimentos intensos que não os permitia escolha, então sim, não havia jeito, tornavam-se espiões.
*
Os espiões quase sempre nasciam por culpa dos amores platônicos, estes que por si só escreveram as mais belas estórias de espionagem entre as épocas, pois sozinho (ele o amor platônico) levou milhares de pessoas a serem espiãs incondicionaveis umas das outras e a ficarem corajosamente expostas a todo o tipo de vexame que poderiam enfrentar se fossem descobertas.
Exemplos estão cheios na história, principalmente meninos que se apaixonavam por moças no colégio ou na vizinhança, estes aos poucos se transformavam em exemplos no sentido da arte e da espionagem, eles introduziam conversas na roda sem visíveis pretensões, procuravam amigos que fossem próximos às vitimas, e quando eram pegos por suspeita, negavam. No intuito de chegar mais perto muitas vezes eram obrigados a esconderem, fingir acasos pouco confiáveis, planejar situações, roubar fotos. Era necessário desvendar horários, prescrever caminhos, saber gostos, filiações, onde moravam. A cada descoberta vibravam.
Resumindo, nos bons tempos a espionagem era arte e isto é fato, ela rompia com a rotina, trazia até mesmo vida para vidas aparentemente mortas, esquentava corações mornos, moldada e fortalecia a coragem, fazia o espião sentir orgulho de sua audácia. A espionagem nos bons tempos transformava meninos em homens, só acrescentava, aumentava, enaltecia.
Porem agora o tempo mudou e junto às belas estórias de espionagem ficaram para trás nas cortinas da lembrança. Digo isto porque ouve a banalização da exposição, e todos se tornaram espiões fracassados, visto que a espionagem deixou de ser heroísmo e os valores enfraqueceram até o ponto que aos poucos se inverteram.
Nos dias de hoje até o "Zé mane" expia, e os "Nerds" como nunca ganharam sua vez na história. Ferramentas como o "Kooglle", "Orgut" entre outras evoluíram seus mecanismos de uma forma precisa para este tipo de trabalho, e basta qualquer pessoa acessar, procurar, e pronto, ali esta quem procurava. É verdade que algumas pessoas criam alguns bloqueios, mas estes são sempre transpostos com um pouco de paciência. Por fim ouve definitivamente a banalização da profissão que por milênios atuou em causas nobres.
Tanto é verdade que houve uma inversão de valores que o espião atual não é mais o rapaz corajoso ou a menina experta antes obrigados a enfrentar situações diversas contra seu próprio medo, o espião de hoje vivi o comodismo por detrás de seu computador. Sendo assim não é mais um inimigo de suas franquezas, nem precisa lidar com elas se não quiser, na verdade não precisa fazer nada que lhe seja imprevisto ou dificultoso para expiar. Ao invés de lidar com suas fraquezas acaba cada vez expondo mais e mais elas, ate que se torna um viciado.
Não que os espiões de antigamente conseguiam quem queriam, mais viviam muito mais que os de agora, as emoções estavam presentes o tempo todo, a vida saltitava pelas veias a cada nova aventura.
A vitima também não é mais a mesma, pois não é mais pega de surpresa dentro de seu coditiano, onde ela podia ser vista de chinelo ou despenteada. A vitima sabendo que esta sendo espionada finge uma vida que normalmente não tem, coloca fotos que não condizem com a sua realidade, e acompanha o espião no seu contador de visitas.
Definitivamente expiar hoje não é mais nobre, não produz nada, nem acrescenta. Claro que existe suas exceções e nem tudo pode ser considerado espionagem, mas ainda gostaria de viver o tempo em que
à matéria era obrigada a percorrer o espaço, que a beleza era pega de surpresa e que o amor produzia a nobreza. É isto.


Publicado em : Crônicas, Crônicas
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Comentários (1)
Postado em horusviana, em 20-07-2008 22:04, , Membro Registado
Texto bonito, 
o ser humano ainda não acordou para ver que roubaram-nos a pulsação do sangue, o aperto no peito; podemos ligar e desligar o medo e garimpar alguma rara poesia no 'koogle' até que todas se pareçam muito iguais. E mandar a 'qualquer um' amigo.
 
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