De Simone para P. Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Luís Fernando, em 15-07-2008 22:23
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Quem diria... agora com estes incríveis mergulhos na sexualidade de Alice tenho me encontrado ainda mais com P. Ando às voltas com esta idéia. Quando recebo uma de suas cartas, lembro-me como me apraz a sua proximidade, seu espírito combativo e elevado. Agora com Alice é diferente. Ao acordar pela manhã, recuo às suas carícias como um homem satisfeito. Incrível pensar em como posso ter sido levada por este caminho tortuoso. Ouvi, em certa oportunidade, dizerem que eu e P. éramos "atrapalhados". Ora, ninguém mais do que nós perseguimos nossas divisas, caminhamos por espaços sem jamais perder a legitimidade e a coerência. É isto ser atrapalhado? Por outro lado e verdadeiramente, também podemos ser encarados como pessoas que se perderam e não há nada mais atrapalhado que isto.

Antes Alice me divertia com aquelas cartas imaturas e frescas. Andávamos por aí, eu elevava-me de minha cátedra e a conduzia, pequena besta, por lugares que ela não conseguiria suportar. Mal me acompanhava, mal seguia o meu pensamento. Mas seu frescor e passividade me atraíam como a um sorvete. Em certo momento comecei a cortejá-la veladamente. Ela correspondera da exata maneira como concebia em minha imaginação. Num certo dia, fui direta. Marcamos uma data em um motelzinho distante e fomos ambas para lá. Cada uma em seu carro. Desde então andamos juntas e conversamos nos corredores da faculdade.

Talvez não me divirta tanto mais que quando começamos este contato, pois percebi que gozava mais com a masculinização que me surgira do que propriamente com o ato. Aliás o ato é sempre antipático. E na manhã seguinte, acordo mal-humorada, sinto meu corpo crescer como o de P., meus gestos tornam-se descoordenados, sinto os meus cabelos loiros e corredios como os dele, a impaciência eslava ataca-me as entranhas, então escorregava da cama para um café próximo e ia escrever ao meu outro eu. O verdadeiro P. que agora se distanciava de mim, por obrigações militares, obrigações tardias de um mundo que não coaduna com guerra, mas absurdamente ainda arregimenta jovens rapazes.

Decerto estaremos juntos em breve, nos veremos no próximo mês. Apenas é flagrante, neste momento, notas em um diário que consagram uma modificação em mim que se projeta para ele, como se fôssemos efetivamente um.


Publicado em : Literatura - Contos, Diversos
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