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| Promessa Pro Santo Errado |
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Estava completamente enfeitiçada pelo rei das caatingas. Toda noite tomava banho perto da cacimba, lá no fundo do quintal, olhando a lua e pedindo a Deus que lhe apagasse esse fogo que tomava conta do seu coração. Tinha medo de que aparecesse por ali um lobisomem, uma mula sem cabeça, um peão safado ou um matador, que se aproveitasse dela. Mas, se não fizesse isso, não conseguiria dormir. Percebeu que discretamente, Adoniz demonstrava que ficaria feliz se ela namorasse Tião. Como homem, mantinha um comportamento meio distante, como se ela fosse apenas uma amiga de suas filhas. No meio do matagal, ouvindo os grilos, as cigarras e os barulhos do sertão, ela não devia temer nada: Seus dois cachorros eram seus guardadores desde que ficou órfã. Eram seus protetores aqui na terra e com eles por perto, sentia-se segura. Por via das dúvidas, usava sempre um facão ao alcance das mãos, caso precisasse. Olhou para a lua cheia e jogou uma farta porção de água que pegou no balde, com a caneca amassada. Seus cabelos molhados e sua pele macia brilhavam como a prata no meio do nada. Raimunda olhou em direção a lua cheia e jurou que sua sorte ia mudar. Solteirona ela não ia ficar, de jeito nenhum, embora estivesse cheia de pretendentes. O problema, é que ela não queria nenhum outro homem que não fosse ele. Pouco se importava se ele tinha filhos, se era mais velho. Ia lutar para conquistar o seu amor a qualquer preço. Na vida ou na morte, Adoniz seria seu marido para sempre.
No dia seguinte, Raimunda foi montada nas ancas do jumento até a plantação de Adoniz. Já estava com os quadris doendo, o sol arrebentando a pele, pois na ansiedade de encontrar o homem amado, esqueceu o chapéu e sua sombrinha. - Adoniz percebeu a parada e o burburinho dos trabalhadores, que assobiavam e cumprimentavam a moça tirando o chapéu e fazendo mesuras. Não demorou muito para ver a mais linda morena do sertão, chegando toda faceira em sua direção. -O que tu tá fazendo aqui Raimunda? Veio falar com Tião? -Não sinhô! Vim falar com o sinhô! - olhando firme nos olhos dele bem atrevida. -Não me chame de sinhô! -Chamo sim sinhô! Eu não vim até aqui, com as cadeiras doendo, toda estropiada, neste sol de lascar, para falar com Tião. Eu quero falar é com o sinhô mesmo! - o homem disfarçou acendendo o cigarro de palha com a lente dos óculos de grau direto para sol a pino, fingindo que não estava entendendo, qual era o assunto. -Raimunda, você é uma boa moça. Gostaria que ficasse noiva de Tião. Ele está gostando da vossa pessoa. Vai dar certinho vocês dois. -O sinhô tá cego ou tá se fingindo de cego? -Só não tô cego, graças a São Francisco do Canindé! -Não se faça de beeesssta! -Mocinha olha o atrevimento! Diga logo o que veio fazer aqui. -Quando eu morrer, venho lhe buscar! -Imagina! Sou muito mais velho do que a senhorita. Eu vou morrer primeiro, você vai se casar e ter filhos. Não fala besteira mulher! - Adoniz tentou argumentar que Raimunda devia tirar aquelas caraminholas da cabeça. Uma moça tão novinha, falando de morte, que pesadelo! -Pois eu quero lhe dizer na sua cara, que se o sinhô não for meu marido nesta vida, vai ser na outra. Quando eu morrer, venho lhe buscar! Não vou durar muito mesmo! continua....
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