Pecado de Teresa Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Arnaldo Silviera, em 22-07-2008 16:00
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(UM QUARTO DE SEMINARISTAS EM UM PLANO À DIREITA E UM QUARTO DE IRMÃS Á ESQUERDA. ESTÃO EM CENA ESTEBAN, SEBASTIAN, TERESA E MADALENA.)

(PRIMEIRA CENA - NO QUARTO DOS SEMINARISTAS - ESTEBAN ARRUMANDO SUA CAMA DIZ...)

ESTEBAN - Senhor! Ouvi dizer que a inquisição será instaurada na próxima semana para punir os maus comportamentos daqueles que violaram a lei divina! Você acha mesmo necessário que se faça acusar as pessoas por aquilo que nem sabemos se elas o são?

SEBASTIAN - Como não sabemos? Esteban! Os inquisidores sempre disseram que devemos punir os pecadores, os donos de feitiçarias e aqueles que não temem a Deus. E esta punição sendo feita aos olhos de todos inibirá com certeza seus possíveis próximos pecados.

ESTEBAN - Ainda não me respondeu! O Senhor acha que realmente sabemos quem merece ser punido? Dessa forma tão grotesca?

SEBASTIAN - Está duvidando da Santa Inquisição, Esteban? Você não deve dar atenção às suas dúvidas, pois elas podem lhe trazer problemas!!

ESTEBAN - O Senhor não quer responder, já percebi! Acha a fuga dessa resposta no poder que Inquisição impõe sobre seus pensamentos. Não o culpo, todos fecham os olhos para tudo e enxergam somente o que lhes convém. Mas sei que um dia hei de encontrar as respostas. Deus ainda me fará justo para que minhas dúvidas não me entreguem a atitudes errôneas.

SEBASTIAN - Ainda não entendi aonde quer chegar com estas indagações! Afinal, o que você faz aqui ?

ESTEBAN - Procuro a verdade divina. Aquela que traz o amor como bandeira principal. Que ensina o real sentido da vida, a busca do eu no amor pelo próximo.

SEBASTIAN - Mas, você não acha que é isso que a Inquisição propõe, dentro dos padrões cristãos?

ESTEBAN - Posso estar cometendo heresia ao dizer isso, mas sinto que jamais conseguiria comandar uma inquisição, contra um ser humano.

SEBASTIAN - Seja racional, Esteban. Tudo que nos circunda está infestado de pecado, até os nossos pensamentos mais secretos, que muitas vezes nos fazem quebrar a cabeça, achando que são certos, ou pelo menos procurando uma falha na lei divina para que possa tornar-se certa. Muitas vezes nesses atos é que caímos em desgraça, concretizando os pecados, claro que então estes pensamentos tem que ser inibidos, e a forma mais adequada é Inquisição. Temos que cortar o mal pela raiz.

ESTEBAN - É! Acho que estou procurando uma falha na lei divina para corrigir os meus erros sem pagar pôr eles.

SEBASTIAN - Agora você falou como cristão que é! Deus é perfeito não existe falha na criação concebida, a falha está na liberdade, no livre arbítrio recebido pôr "Ele", que nos faz vulneráveis aos prazeres da carne.

ESTEBAN - Mas ainda existe algo me incomoda!!

SEBASTIAN - E o que vem a ser?

ESTEBAN - Ouça! Quando amamos alguém, devemos ser sinceros, leais. Não é isso que Deus nos pede?

SEBASTIAN - Claro! E que incômodo há nisso?

ESTEBAN - Acredito que o ato de amar, ou, pelo menos sentir amor, não deva ser acompanhado pela ira. Quando praticamos e executamos as leis da Inquisição estamos deturpando os desígnios de Deus, pois fazemos prevalecer a ira sobre o erro e não o perdão pelo ato. As vezes me sinto culpado pôr muitas vidas que são ceifadas pela ignóbil atitude humana de julgar sem ter poderes para isso.

SEBASTIAN - Não sinta-se culpado! Veja! A ira pela qual você acha que encobre as leis da Inquisição, deve justamente dar ao acusado aquilo que ele mais deseja, que é o perdão, tanto o querem, que são eles mesmos, os réus que confessam suas culpas, das suas próprias bocas. Não existe crueldade, apenas deixam de viver ou passam a pagar por seus erros de maneira justa, assim como ordena a Inquisição.

ESTEBAN - Mas Senhor Sebastian! A confissão é realizada debaixo de torturas que fazem até mesmo inocentes caírem no erro de confessar. E as vezes eu penso que...

SEBASTIAN - O quê?

ESTEBAN - Penso que o que é certo para mim, como ser humano, desde que não ofenda a palavra e os mandamentos de Deus, não faça de mim um pecador perante as leis do homem. Deus disse para não julgarmos, para que não sejamos julgados.

SEBASTIAN - Acha então que pode fazer o que quiser sem ser chamado a atenção?

ESTEBAN - Isso! Se meu coração me manda amar da forma que seja, por que não fazê-lo? Afinal é amor, entende?

SEBASTIAN - Entendo! Mas quero deixar claro uma coisa. Esteban, o que você pretende é alto e perigoso. Mudar as coisas assim de uma hora para outra, sem ter apoio algum, é atirar sem ter um alvo. Meu amigo, tudo na vida tem seu motivo de acontecer, se acontece é porque existe a intervenção divina! Então não deixe que estas idéias façam de você uma fatalidade.

ESTEBAN - Senhor! Por favor, não comente a nossa conversa com ninguém. Está bem?!

SEBASTIAN - Claro Esteban. Pode confiar em mim, sou seu superior mas também sou seu amigo.

ESTEBAN - Não penso em mudar as coisas, só quero a paz para o meu espírito.

(BLACKOUT NESTE LADO DO PALCO E LUZ NO LADO DO QUARTO DAS IRMÃS.)

TERESA - Como são as coisas, não é Madalena? Imagine que um dia eu sonhei em me casar, ter filhos e realmente constituir uma família. Sou uma pessoa feliz, mas eu sinto que falta alguma coisa! Me entreguei totalmente a Deus, sei que sou feliz, mas...

MADALENA - O que está a pensar minha irmã? Tudo que temos é Deus e nós mesmas. Sabemos que muitas vezes temos que nos submeter às tais abstinências, aos jejuns, mas tudo para um amor maior. Se tens alguma dúvida sobre isso e quiser me participar, estou ouvindo.

TERESA - Acho que não é nada, mas... sabe quando se percebe que as coisas na vida da gente andam normais e é tudo. Mas esse tudo parece estar incompleto?

MADALENA - Continue, quero ouvir!!!

TERESA - As nossas vidas tão dedicadas a um único objetivo, muitas vezes caímos no egoísmo de não termos dado a oportunidade de vida a nós mesmas.

MADALENA - Teresa!!? Você está me assustando!

TERESA - Todos nós sabemos que a verdade assusta!

MADALENA - Eu não quis dizer isso!

TERESA - Eu sei que não! É sempre assim, assumimos tantas posturas, que perante o povo são de relevância, mas no fundo abandonamos nossos sonhos, nossos mundos, nossas vidas. Tudo para que todos nos admirem e nos tomem como exemplo. Mas as vezes, eu me pergunto, se sou tão egoísta que nunca deixarei alguém me amar de verdade, e desse amor, fazer nascer uma vida a mais no mundo e que possa ser importante.

MADALENA - Teresa!! Que absurdos são estes que você está dizendo? Tome consciência das suas palavras. Você não manifesta prazer algum em servir o Senhor? Olhe para sua vida, que é tão linda, tão cheia de caminhos, tão volumosa em bondade. Agora pensa em destruir tudo isso?

TERESA - Eu não disse isso Madalena. Apenas digo o que me veio a cabeça em relação ao amor! Acho que Deus jamais ficaria triste em saber que alguém acredita que o amor fiel possa ser expandido, possa ser explorado. Já parou para pensar se seu útero fosse abençoado com uma criança, e que ela pudesse trazer grandes benefícios a humanidade? Mas por causa deste egoísmo jamais "ela" poderá vir ao mundo!?

MADALENA - Teresa!! Deus já destinou quem precisa procriar, se ele nos escolheu, é porque de nós jamais seria necessário nascer alguém.

TERESA - É, eu sei! Creio que eu deva me confessar, para receber a comunhão. Parece que após a ordenação dos novos padres, teremos a inquisição. Você conhece o novo padre?

MADALENA - Sim conheço Esteban. Um rapaz muito dedicado.

TERESA - E a Inquisição, Madalena? O que pensa dela?

MADALENA - Teresa!!!? O que você tem? Sabe perfeitamente que não podemos ficar falando sobre esses assuntos! Somos proibidas de pensar qualquer coisa sobre a Inquisição.

TERESA - É que me incomoda saber que as pessoas tenham que sofrer tanto, e logo depois disso, do sofrimento, a confissão e então a consumação. Será essa a natureza do homem? O que sabemos de nós para fazermos os outros sofrerem tanto?

MADALENA - Teresa, você está impressionada com isso tudo. Não deve ficar perdendo tempo com estas divagações. Olha! Se Deus criou o homem, e o homem criou a Inquisição para fazer respeitar o Senhor, então não há o que discutir. São os desígnios de Deus que nos dão proteção contra os pecados do mundo.

TERESA - Madalena! O que faria se eu fosse levada para a Inquisição?

MADALENA - O que está dizendo, menina?!! Você tem o coração tão puro que jamais chegará sequer a assistir uma.

TERESA - O que faria? Ainda não me respondeu.

MADALENA - Não sei, talvez ficasse com raiva de Deus. Se acreditasse que você não merecesse.

TERESA - O que você sente, quando outras pessoas, que as vezes nem sabemos se são culpadas ou não, são torturadas e condenadas?

MADALENA - Se eu não as conheço, como poderia sentir alguma coisa?

TERESA - Está vendo como somos egoístas!? Não pensamos em ninguém quando não são nossos próximos, e Deus manda que amemos aos outros como a nós mesmos.

MADALENA - Menina!! Não pense nisso. Não são assuntos para nós pensarmos! Amamos a Deus e basta!

TERESA - Deus? Que Deus? Será que é “Ele” que determina isso, ou é a ânsia de sangue e poder dos homens? Deus, Deus...

MADALENA - Para o carrasco não é pecado, ele apenas faz cumprir o que o pecador precisa para ser perdoado. Teresa, Teresa! Você ainda vais arrumar confusão.

TERESA - Não, não! Eu não me atreveria Madalena.

MADALENA - Pois então descanse! Vai dormir, que já é tarde!

TERESA - Está bem.

(TERESA DORME E MADALENA VAI FALAR COM SEBASTIAN, ENCONTRAM-SE NO CENTRO DO PALCO.)

MADALENA - Sebastian! Acha que alguém pode nos ver aqui? Estou achando arriscados estes nossos encontros.

SEBASTIAN - Não se preocupe, a estas horas, estão todos dormindo. Tem notícias da inquisição?

MADALENA - Soube por alto que algumas pessoas deixaram a câmara de tortura e voltaram para suas celas dentro do prédio principal!

SEBASTIAN - Gutiérrez está entre os torturados?

MADALENA - Não estou certa, mas parece que a Inquisição irá puni-lo em praça pública. E você sabe qual é a pena para punição em praça pública!

SEBASTIAN - Não, Gutiérrez não! Nós temos que fazer alguma coisa, não posso deixar Gutiérrez ir para a fogueira! Como podemos impedir que Gutiérrez seja queimado?

MADALENA - Sebastian! Não tenho certeza do que lhe falei, são apenas rumores. O grupo de inquisição se reuniu e as pessoas comentam! Mas, você também sabe que a pena para os homens pode ser amenizada, se pôr acaso encontrar alguém que tenha pecado contra a Igreja de forma mais grave que Gutiérrez. Pode conseguir amenizar a pena dele.

SEBASTIAN - Onde poderei descobrir alguém? Nós ficamos trancados aqui dentro o tempo inteiro antes da ordenação. Já sei! Pode fazer com que eu fale com Gutiérrez na cela dele?

MADALENA - Claro! Converso com o carcereiro hoje ainda e amanhã ao anoitecer, você fala com ele. Mas deve tomar cuidado! Sabe que não pode ser visto fora da vigília antes da ordenação! Portanto deverá ir disfarçado! Mas de quê?

SEBASTIAN - Diga ao carcereiro que eu farei uma visita aos prisioneiros para dar-lhes um pouco de conforto, antes de irem às ruas receber o perdão da Inquisição.

MADALENA - Mas devo dizer o seu nome ao carcereiro?

SEBASTIAN - Não! Diga que sou Esteban! Ele não conseguirá distinguir quem sou na verdade.

MADALENA - Mas você colocará a culpa sobre Esteban?!! Está louco?!

SEBASTIAN - Desde quando você se preocupa com Esteban?

MADALENA - Não é isso! É que seria injusto arriscar o nome de alguém dessa forma!

SEBASTIAN - Faça o que eu lhe pedi! Você não quer ser acusada de Bruxaria! Ou quer!?

MADALENA - Não faria isso! Comigo não!

SEBASTIAN - Então experimente me desobedecer!

MADALENA - Está bem!

SEBASTIAN - Amanhã as oito horas do anoitecer estarei na porta do cárcere com uma das roupas de Esteban. Está bem?

MADALENA - Está bem!

SEBASTIAN - Não se preocupe, Madalena! Se alguém chegar a saber de algo, Esteban, merece ser punido. Ele é contra os princípios da inquisição. Ainda hoje comentou comigo, algumas idéias estranhas que ele tem sobre o processo inquisitor. Não acha justo, diz que quase nunca sabemos quem merece realmente ser punido, coisas dessa espécie.

MADALENA - Tudo bem! Mas eu posso saber o que você quer com Gutiérrez? Quais são seus planos para salvá-lo?

SEBASTIAN - Amanhã minha cara, amanhã! Bem, tenho que me retirar. Deixe tudo conforme combinamos.


(SEBASTIAN SAI, MADALENA FICA, PARADA NO MEIO DO PALCO PARALISADA, COM APENAS UM FOCO DE LUZ [ PINO ] SOBRE ELA, ENQUANTO TOCA UMA CANÇÃO MUITO DESOLADORA, BLACKOUT E APÓS A MÚSICA A LUZ ACENDE, MADALENA ESTÁ NO QUARTO, OLHANDO TERESA DORMIR, QUANDO MADALENA PASSA A MÃO NA CABEÇA DE TERESA A MESMA ACORDA.)

TERESA - O que foi? Madalena? Já é dia? (MADALENA CHORANDO) O que aconteceu? Pôr que chora? Posso confortá-la?

MADALENA - É tão difícil falar sobre isso! Estou completamente arrasada ! E a razão de tudo não posso revelar, pequena Teresa! Eu poderia comprometê-la, e eu não quero isso!

TERESA - Mas eu quero ajudar! Conte-me, o que está acontecendo, pôr que você está tão aflita?

MADALENA - É melhor não, querida! Seu mundo é tão precioso, não quero estragá-lo com minhas bobagens! Durma sim! Daqui a pouco será um novo alvorecer e você precisa estar descansada para a comunhão. Mas antes que durma, gostaria de lhe pedir algo! Posso?

TERESA - Claro, diga-me o que é!

MADALENA - Sei que somente o Senhor Deus pode me perdoar pelo que acabo de fazer, mas eu gostaria de ter o seu perdão!

TERESA - Mas...

MADALENA - Não fale ainda! Fiz algo que pode destruir muitas vidas, eu realmente preciso de conforto, pois acho que o que fiz não tem mais concerto.

TERESA - Mas se você fez algo ruim, deve contar-me, para que juntas possamos remediar a situação.

MADALENA - Não quero remediar nada, só preciso do seu perdão, apenas isso! Se pôr acaso eu chegar à Inquisição gostaria apenas de estar perdoada por você! Me perdoa?

TERESA - Madalena! Você tem um coração tão bom! Não creio que precise do meu perdão! E depois se acertasse a situação da qual você fala, seria mais fácil. Creio que não seja nada sério! Hã? Se precisa do meu perdão, já o tem! Agora vem aqui! Vamos dormir!!

(AS DUAS VÃO DORMIR, LUZES APAGAM E SE ACENDEM APENAS ALGUMAS LUZES EM SEBASTIAN, QUE ESTÁ PASSANDO PELO CARCEREIRO E CHEGANDO NA CELA DE GUTIÉRREZ.)

SEBASTIAN - Gutiérrez! Acorda homem!!!

GUTIÉRREZ - Sebastian!? O que faz aqui? Sou um pecador, acabo de confessar a minha culpa! Não sou digno da sua visita.

SEBASTIAN - O que disse aos inquisitores!

GUTIÉRREZ - Fique sossegado! Não comprometi ninguém, seu nome nem mesmo foi citado.

SEBASTIAN - Fico mais tranqüilo! Mas estou aqui para ajudá-lo! Existe uma maneira de amenizar sua pena! Sei que a Inquisição quer colocá-lo nas ruas, com os outros, para a execução.

GUTIÉRREZ - (DESOLADO) Maravilha!!! E você tem algum plano?

SEBASTIAN - Sim, claro! Mas não sei como resolver!

GUTIÉRREZ - Diga! Quem sabe eu possa ajudar!

SEBASTIAN - Escute! Para podermos amenizar a pena, precisamos achar alguém que tenha pecado contra a igreja de maneira mais aparente, mais agressiva, algo como bruxaria...

GUTIÉRREZ - E você encontrou alguém?

SEBASTIAN - Não. Ainda não encontrei e acho que será muito difícil de encontrar...

GUTIÉRREZ - Se está difícil de encontrar, por que não induzir alguém a fazê-lo?

SEBASTIAN - Hum! Você me deu uma boa idéia! Para vir até aqui, pedi à Madalena que dissesse ao carcereiro que eu seria Esteban. Isso me deu uma idéia de fazê-lo pecar contra a própria vontade, pois quando conversamos sobre a inquisição, ele me pareceu ser contra.

GUTIÉRREZ - Mas veja! Amanhã acontecerá a ordenação de Esteban e logo em seguida a inquisição será instaurada para a punição dos pecadores, ou seja, logo após a ordenação pode ser que você tenha que me dar a extrema unção. Estarei morto em dois dias. Você tem que andar depressa.

SEBASTIAN - Nunca! Eu não permitirei. Ouça! Madalena faz tudo que eu mando! Bem, ela tem uma companheira de quarto chamada Teresa que nós poderemos utilizar!

GUTIÉRREZ - Mas, e como Esteban entra nessa estória?

SEBASTIAN - Gutiérrez, meu anjo! Deixe que eu arrumarei tudo para que a ordenação de Esteban seja inesquecível.

GUTIÉRREZ - Você vai me deixar aqui esperando, não é? Como você sempre faz.

SEBASTIAN - Meu tempo está acabando, devo ir antes que percebam minha falta. Se alguém perguntar quem veio visitá-lo, diga que foi Esteban, o futuro padre. Assim ele acumula mais pouco de culpa.

GUTIÉRREZ - Quero ver no que dará tudo isso! Olhe! O carcereiro!

(O CARCEREIRO APROXIMA-SE COMO QUEM DIZ: ACABOU A VISITA)

SEBASTIAN - Deus o abençoe e o leve em paz, meu filho!

(JÁ É DIA, MADALENA ESTÁ NO JARDIM COM TERESA)
TERESA - Irmã Madalena! Sei que está difícil, mas procure entender. Ficar acumulando seus segredos, poderá piorar ainda mais as coisas! Você tem certeza que não quer falar?

MADALENA - Está bem Teresa! Estou assim por causa de Sebastian!

TERESA - Como assim?

MADALENA - Sebastian tem um irmão chamado Gutiérrez, e Gutiérrez profanou um dos templos da Igreja, sendo julgado foi levado para o cárcere.

TERESA - E então...

MADALENA - Ficou ali durante doze anos. Há alguns dias, foi solicitado pelo processo de Inquisição. Foi torturado e assumiu totalmente a culpa! Agora ele só espera a sentença da rua ser executada.

TERESA - Mas, e o quê isso tudo tem haver com você? Não deveria sofrer tanto, pois você nem conhece direito este Gutiérrez, ou conhece?

MADALENA - Não. Nunca o vi. Mas Sebastian está me forçando a fazer coisas que são contrárias as vontades divinas!

TERESA - Meu Deus! Mas como ele pode força-la a fazer algo que você não quer? Que poder ele tem sobre você?

MADALENA - Você não entende. Como ele pertence ao Clero, tem muita influência e ameaçou me acusar de bruxaria se eu não fizesse o que ele mandou.

TERESA - Mas este homem não pode estar no rebanho de Deus! Temos que acusá-lo! Mostrá-lo à Cúpula!

MADALENA - Não podemos! Teresa, este homem, realmente não pertence ao rebanho de Deus. Ele entrou para a Igreja, por vingança. Ele quer se vingar de quem colocou Gutiérrez no cárcere.

TERESA - Isso é tenebroso! Mas, por que você diz que não podemos acusá-lo? Precisamos denunciá-lo. Tenho certeza que seremos ouvidas.

MADALENA - Você é tão jovem! Ainda não entende! Não podemos fazer nada contra ele porque ele tem a imunidade da Igreja. Somente Cardeais e Bispos podem fazer estas acusações. E como a Igreja não gosta de se envolver em escândalos, não chegarão nem a ouvir-nos, e ainda se tentarmos poderemos ser acusadas por levantar falso testemunho contra a Igreja, porque esta manhã recebemos a notícia de que ele representa a Igreja neste momento, quem está a frente do processo de Inquisição aqui é Sebastian.

TERESA - Mas isso é um absurdo! Eu...

MADALENA - Quieta! Sebastian encaminha-se para cá!

(SEBASTIAN APROXIMA-SE DELAS.)

SEBASTIAN - Madalena! (CHAMANDO POR ELA) Bom dia irmã?... (COMO QUEM PERGUNTA O NOME PARA TERESA)

TERESA - Teresa.

MADALENA - (FRIA) O que você quer aqui?

SEBASTIAN - Teresa, meu anjo! Poderia deixar-nos à sós pôr um instante, sim? (MADALENA FAZ UM SINAL COM A CABEÇA APROVANDO, TERESA AFASTA-SE DIZENDO...)

TERESA - Depois conversamos, irmã Madalena.

MADALENA - Sim, Teresa! Deixe que eu procurarei por você!

TERESA - (SAINDO) Sim!

MADALENA - O que quer ainda comigo? Já não conseguiu o que queria? O Clero já está sabendo que Esteban esteve ausente da vigília e que foi visitar Gutiérrez. Está feliz. Pois ele será punido logo após a ordenação! E o pobre ainda nem está sabendo.

SEBASTIAN - Madalena! O que importa isso? Você nem sabe quem é Esteban! Hã? Preciso de mais um favor seu!

MADALENA - Também não conhecia Gutiérrez e me preocupei com ele. Só que agora é um inocente que está em jogo, Sebastian. Nada mais de favores. Já me arrependi de fazer o que fiz, e por ser a responsável pelo castigo que Esteban receberá... Sinto muito, mas não poderei fazer nada...

SEBASTIAN - Madalena, primeiro lhe pedi um favor, agora será diferente! Direi apenas o que quero, se não for atendido, você verá o resultado na seqüência, garanto que não será nada agradável. Apenas ouça o que quero...

(SIMULAM UMA CONVERSA EM OFF. ENQUANTO TOCA UMA MÚSICA PARA EVIDENCIAR SUSPENSE. APAGAM-SE AS LUZES E COM TOQUES DE SINOS SEGUIDOS PÔR UM CANTO GREGORIANO COMEÇA A CELEBRAÇÃO DA ORDENAÇÃO DE ESTEBAN. AO FUNDO COMO QUE EM UM ALTAR. ESTEBAN APARECE FAZENDO O SEU SERMÃO E LOGO EM SEGUIDA ENTREGA A COMUNHÃO AOS FIÉIS, PODENDO O PÚBLICO PARTICIPAR)

ESTEBAN “- Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos, se eu não tivesse o amor, seria como sino ruidoso. Ou como címbalo estridente. Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios. E de toda a ciência, ainda que eu tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse o amor, eu não seria nada. Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse o amor, nada disso me adiantaria. O amor é paciente, o amor é prestativo. Não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência também desaparecerá. Pois o nosso conhecimento é limitado. Limitada também é nossa profecia. Mas, quando vier a perfeição, desaparecerá o que é limitado. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que tornei adulto, deixei o que era próprio de criança. Agora vemos como em espelho e de maneira confusa, mas depois veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas depois conhecerei como sou conhecido. Agora, portanto, permanecem estas três coisas: A fé, a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor.

(NESSA ORA SEBASTIAN, MADALENA E TERESA, RESPECTIVAMENTE, VÃO RECEBER A COMUNHÃO DAS MÃOS DE ESTEBAN. CERIMÔNIA ACOMPANHADA PÔR CANTOS GREGORIANOS, QUANDO TERESA FICA FRENTE A ESTEBAN SE PEGAM NUM OLHAR PROFUNDO E APAIXONADO, UMA FORÇA EMPURRA TERESA PARA OS LÁBIOS DE ESTEBAN (BEIJO). OUVE-SE MUITOS SUSSURROS ESPANTADOS, NO AR ECOA O GRITO DE SEBASTIAN...)

SEBASTIAN - Bruxa!! Prendam esta mulher e confinem o padre até que tudo se resolva. Vamos!

TERESA - Não!!! Eu não sou Bruxa! Pôr favor, não!

(TERESA É ARRASTADA PARA FORA AOS PRANTOS E BERROS. ESTEBAN FICA ATORDOADO, POIS O BEIJO O FAZ APAIXONAR PÔR TERESA.)
SABASTIAN - Levem este homem para que seja purificado! Não podemos permitir que uma bruxa destrua a imagem dos nossos padres e nem tão pouco coloquem em risco o seu celibato. Vamos, levem-no daqui!

(BLACK OUT, EM CENA AGORA ESTÃO SEBASTIAN E MAIS DOIS SERVOS DA IGREJA ANALISANDO TERESA.)


SEBASTIAN - Pôr que você fez aquilo Bruxa?

TERESA - Eu não sou Bruxa, já disse! Pôr Deus deixe-me ir! Não sei o que deu em mim! Minha mente e meus gestos foram invadidos pôr um sentimento lindo que eu não conhecia, até olhar para os olhos de Esteban! Eu senti amor na sua plenitude! Mas nada que pudesse desagradar ao Senhor!

SEBASTIAN - Isto é uma confissão? Então confessa que você usou deliberadamente seus encantos para enfeitiçar o padre para que ele à beijasse enfrente à toda comunidade?

TERESA - Não! Eu não sei explicar! Talvez nem eu, nem Esteban devêssemos estar na instituição, quem sabe nosso destino seja servir ao Senhor de outra forma, que não a entrega ao celibato.

SEBASTIAN - Mas isto é heresia! Jamais deveria pensar deste modo depois que você se prometeu em celibato. Estou vendo que seu crime foi premeditado, e que suas idéias eram difamar o santo nome da Igreja.

TERESA - Não! Então eu direi a verdade!

SEBASTIAN - A verdade!

TERESA - Já que pensa que sou bruxa, então ouça o que eu tenho a dizer.

SEBASTIAN - Estou ouvindo!

TERESA - Uma noite antes de eu receber a comunhão de Esteban, recebi a visita de um anjo...

(TUDO ESCURECE, UMA LUZ SÓ SOBRE TERESA, OS OUTROS SAEM. A NARRATIVA PASSA A ACONTECER.)

SEBASTIAN - Como?!

TERESA - (ASSUSTADA) Sim um anjo! No início eu me assustei, porém, ele me tranqüilizou. Disse-me que estava ali para fazer acontecer a vontade divina. Ele queria me preparar para a vinda do Senhor, assim como preparara Maria...

SEBASTIAN - Blasfemia! Herege, Bruxa. Como se atreve citar o nome de um anjo em vão? Cale-se maldita, imunda...

TERESA - Não, por favor me escute. O anjo conversou comigo, disse-me que a Igreja que se diz Cristã, não está pregando o que Deus realmente deseja! A opressão e a falta de amor pelo próximo, fazem com que o domínio da Igreja afaste-se do seu propósito. “O Senhor te quer como uma nova chance, para o que o mundo venha novamente ter paz e esperança! Para isso terás que mostrar a Deus que podes assumir este fardo! Teu ato transformará o pensamento dos homens para que uma nova vida possa ser instaurada.”

SEBASTIAN - Chega!!

TERESA - O que farás, certamente chocará os olhos de quem ver porque eles ainda não têm fé! Para eles os dogmas da Igreja serão ultrajados pôr este ato. Passarás pôr muitas dificuldades, mas sempre estarei aqui para reconfortá-la. Tudo procederá durante a missa de ordenação, quando sentirás o desejo de amar alguém. O sentimento mais puro e angelical será tido como crime contra a Igreja e aí cairão todas as pragas e sentimentos de repulsa contra ti. Mas não deves desanimar, pois o Senhor sempre estará contigo.

(VOLTA A CENA COM OS PADRES, TERESA VIRA-SE PARA SEBASTIAN AINDA DIZENDO...)

TERESA - Foi tudo que ele me dis...

SEBASTIAN - Está louca, e ainda fazendo injúrias contra seu Senhor! Ele jamais permitiria que se procedesse algum ato dessa natureza! Vamos! Vocês! (AOS OUTROS PADRES) Procurem sinais de bruxa no corpo dessa mulher! Agora!

(OS PADRES FAZEM UMA REVISTA NO CORPO DE TERESA E MESMO SEM ENCONTRAR ANUNCIAM TERESA COMO BRUXA)

SEBASTIAN - E então?!

OS TRÊS - Nós a consideramos Bruxa!

TERESA - Não!!! Gabriel! Não deixe que façam isso comigo! Gabriel! (FAZEM TERESA CALAR-SE)

SEBASTIAN - Eu Sebastian de Molina como representante oficial da Igreja e autorizado a presidir a Inquisição neste povoado declaro que esta mulher é uma Bruxa e que sua presença dentro da Santa Igreja perverte os nossos dogmas, e que portanto deve ser punida em praça pública! Queimada!

TERESA - Não!!! (DESESPERADA)

SEBASTIAN - Calma! Quem sabe o seu anjo a livrará das queimaduras!!!

TERESA - Não!

SEBASTIAN - Levem-na! E diga que libertem Gutiérrez a meu pedido. Depois faça que Esteban venha até mim. Podem ir!

(SAEM COM A MULHER, FICA SOMENTE SEBASTIAN A ESPERA DE ESTEBAN, ENTÃO ENTRA ESTEBAN)

ESTEBAN - O que deseja comigo!

SEBASTIAN - Você deve referir-se a minha pessoa como Senhor. Por acaso não recebeu a notícia da minha promoção?

ESTEBAN - Desculpe-me Senhor, foi o hábito.

SEBASTIAN - Tudo bem. Esteban como pôde fazer aquilo?! E com uma mulher confinada ao celibato, a frente de tantos fiéis?!

ESTEBAN - Realmente eu não tive culpa alguma! Aconteceu tão rapidamente, que eu me senti envolvido e não percebi o que estava acontecendo!

SEBASTIAN - Então não errei!? Teresa realmente é uma Bruxa, e o pecado dela será punido como desejo, em praça pública, para que não mais aconteça, e que portanto, a punição seja feita por você! Esteban.

ESTEBAN - O quê?

SEBASTIAN - Sim! Você ateará o fogo em Teresa em praça pública, para você comprovar que nada sente por ela.

ESTEBAN - Mas, não precisa, eu sei que nada sinto por ela. Não tenho que ser colocado à prova.

SEBASTIAN - Não discuta! Amanhã logo após a ceia estarão todos reunidos em praça pública para vê-lo purificar pelo fogo, mais uma alma! Tenho que ver com está Gutiérrez! (SAI)

ESTEBAN - (PARA SI) Ah, meu Deus! (Sai)

(APAGAM-SE TODAS AS LUZES E AO SOM DE CANTOS GREGORIANOS DUAS ÚNICAS LUZES SOBRE TERESA E MADALENA, SUSTENTAM A CENA)

TERESA - Será que estou ficando maluca! Depois de tudo que aconteceu, eu...

MADALENA - Teresa...!

TERESA - Madalena!? O que faz aqui no cárcere?...

MADALENA - Sebastian me considera uma ameaça para a Igreja, então resolveu me enclausurar! Mas isso não importa! Eu...

TERESA - Como assim não importa!? Simplesmente acha que deve abandonar sua vida por alguém considerá-la uma ameaça, ainda mais vindo de Sebastian tal afirmação?

MADALENA - Você ainda não sabe! Mas vou contar. Isso lhe fará muito infeliz e talvez até faça aumentar seu ódio por Sebastian e por mim também.

TERESA - Como!? O que você quer dizer com isso?

MADALENA - Eu não presto Teresa! Tudo que lhe aconteceu foi premeditado! Tudo planejado para que Gutiérrez, parente de Sebastian fosse libertado!

TERESA - Você está dizendo que tudo que aconteceu comigo foi premeditado! Impossível! Madalena, jamais um anjo como Gabriel faria algo assim, o que aconteceu foi por obra divina! Para que a partir do meu sacrifício os homens mudem sua maneira de pensar! Eu sou uma nova chance que Deus quer para o mundo.

MADALENA - Não Teresa! Não se iluda! Você nunca foi visitada por um anjo!

TERESA - O quê! Você duvida de mim?

MADALENA - Não. (CHORANDO) É que naquela noite em que você recebeu o anjo na verdade não era um anjo...

TERESA - Como?!!

MADALENA - Ouça! Veja se reconhece:” Não te aproximes. Não posso ser tocado por seres inferiores aos anjos!”

TERESA - Meu Deus! Quer dizer...

MADALENA - Sim! Teresa, eu fui obrigada por Sebastian a fazer tudo que fiz, só porque eu o amava! Ah, meu Deus me perdoe! Agora por minha culpa Gutiérrez que merecia ser punido está livre e você será queimada em praça pública.

TERESA - (COMEÇA A PASSAR MAL) Madalena... Como pode! Como...

MADALENA - Me perdoe Teresa, me perdoe...

TERESA - De que adiantaria, agora está tudo acabado...

(LUZ APAGA-SE SEGUIDA DE UM BARULHO COMO SE FOSSE UMA GUILHOTINA DESCENDO, CANTOS GREGORIANOS, SEBASTIAN ENTRA COM UMA VELA NA MÃO E COM UMA TAÇA, VAI ATÉ MADALENA E FAZ ELA TOMAR O LÍQUIDO DO COPO A FORÇA... VENENO LETAL... SEBASTIAN DEIXA O CÁRCERE E MADALENA MORRE AOS POUCOS COM UM SOFRIMENTO INTERMINÁVEL. AOS POUCOS O PALCO VAI SENDO ILUMINADO, TERESA AMARRADA, PRONTA PARA SER QUEIMADA E QUEM COLOCA O FOGO É ESTEBAN)

ESTEBAN - Me perdoa, sei que você não é culpada, mas tenho que fazer!

TERESA - Posso pedir algo antes de ser queimada e para que eu possa realmente perdoá-lo?

ESTEBAN - Sim. Qualquer coisa!

TERESA - Quero saber se realmente o que aconteceu foi verdadeiro, se realmente foi amor que nos uniu frente a todos! Me beija!

ESTEBAN - O quê?

TERESA - Me beija, só assim poderei perdoá-lo!

( ESTEBAN SEM DIZER NADA DÁ AS COSTAS PARA TERESA JÁ EM PRANTOS, DÁ ALGUNS PASSOS, QUANDO DE REPENTE ESTEBAN VIRA-SE DÁ UM GRITO, AGARRA TERESA E A BEIJA, AO MESMO TEMPO QUE COLOCA FOGO NAS PALHAS E NA LENHA ABAIXO DOS DOIS, TUDO COMEÇA A QUEIMAR, ENTÃO, JÁ EM CHAMAS E OS DOIS MORREM QUEIMADOS, MEIO A CANTOS GREGORIANOS)

(TUDO SE APAGA COMO SE O ESPETÁCULO ACABASSE. TUDO ESCURO PÔR UM MINUTO, QUANDO O PÚBLICO FICAR INQUIETO, ACENDE LUZES, COM MUITA FUMAÇA SOBRE SEBASTIAN E GUTHIÉRREZ QUE SE APROXIMAM LENTAMENTE UM NA DIREÇÃO DO OUTRO E SE ABRAÇAM, SEBASTIAN LHE DÁ UM BEIJO NA TESTA, DEPOIS TORNA A ABRAÇÁ-LO COM FORÇA, LUZES ESCURECEM LENTAMENTE.)


Publicado em : Arte Teatro, Roteiros
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