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ERIK - Capítulo XXII Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Laura Treviso, em 24-07-2008 11:21
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materiais de qualidade a preços mais baixos. Eu pass_ Você não está pensando em fugir daqui? Está? - perguntou-me Paul, preocupado.

_ Parece que a história se repete. Pensei por um tempo que as coisas estavam

estabilizadas, mas agora vejo que foi só por um curto período. Mesmo que Raoul não

me encontre, sempre haverá a possibilidade de que outra pessoa me reconheça e me

denuncie. Aqui ou em outro lugar da Europa.

_ Você está pensando em mudar de continente?

_ Talvez. È uma possibilidade. Lembra daquele comerciante de pedras que vive fazendo

a rota para o Brasil? Lá tem um mercado de ouro, prata e pedras preciosas

importante. È uma monarquia independente, pronta para ser explorada, com uma

burguesia em ascensão, pronta para consumir produtos que os diferenciem das classes

inferiores, entre estes indumentárias e jóias. Sem contar com a aristocracia local que

deve sentir falta dos requintes das cortes européias.

_ O que você quer dizer com tudo isso? Está pensando em abrir uma filial das Joalherias

Marback no Brasil?

_ Para ser mais preciso, no Rio de Janeiro, que é a capital do Brasil. Eu continuaria a

mandar-lhe as minhas idéias para a confecção de novas jóias . Talvez pudéssemos

adquirir aria a ser nosso próprio

fornecedor. O que acha?

_ Erik, como você consegue, em meio a todo este problema, visualizar uma saída

estratégica , que ainda por cima poderá nos trazer lucros? Sem falar que continuaríamos
nossa sociedade.

_ Exato.

_ Falando deste jeito, parece muito animador. Teria que pensar um pouco.

_ Não tenho muito tempo. A pessoa em questão deverá chegar em menos de 10 dias.

Este será o tempo máximo que teremos para resolver minha partida e os negócios.

_ E Catherine? Você poderia esperar a data do casamento e partir depois.

Senti um peso descendo sobre o peito ao pensar na sua reação.

_Isso se ela ainda me quiser. Não quero sacrificá-la numa aventura a um país distante,

deixando-a longe de você e de tudo que ela mais aprecia. Por enquanto, não conte

nada a ela. Não quero forçar nenhuma atitude impulsiva. Deixe-a resolver se ainda me

ama como antes e se vale à pena ficar comigo nestas condições.

_ Ainda acho que você está sendo precipitado, mas posso entender o seu receio.

_ Não posso arriscar a perder tudo que conseguimos até aqui, Paul. Jurei a mim mesmo

que não deixaria isto acontecer.

_ Está bem. O que você pretende fazer de imediato?

_ Soube que aquele mercador, de quem falei, está em Londres. Vou procurá-lo e obter

mais informações sobre a situação no Rio de Janeiro e sobre os navios que partem da

Inglaterra esta semana.

Despedi-me de Paul. Ainda olhei na direção do quarto de Catherine, na esperança de

vê-la com uma decisão a nosso respeito, o que infelizmente não ocorreu.

Consegui localizar o senhor Jackson em um pequeno hotel em Southwark. Conversamos
muito a respeito de meus planos e suas palavras só serviram para fortalecer a minha

convicção de que deveria partir naquela aventura. Ele poderia estabelecer ligações entre

mim e os comerciantes locais a fim de que eu pudesse iniciar meu estabelecimento no

Rio de Janeiro.

Ele próprio estaria embarcando de volta ao Brasil dentro de uma semana, no porto de

Southampton, a cerca de 110 quilômetros ao sul do país. Poderíamos seguir juntos, se

eu realmente estivesse disposto a investir nesta idéia. Ele me forneceu nomes de outros
conhecidos no ramo da ourivesaria, residentes em Londres, que poderiam informar-me

melhor a respeito do Brasil e as vantagens de realizarem-se negócios por lá.

Começava a ficar animado com a idéia de iniciar vida nova naquele jovem país. Seria

melhor ter mais tempo para definir todas as questões , prós e contras de uma resolução
como aquela, mas não tinha. Resolvi que o dia seguinte seria utilizado para alicerçar

melhor meu plano, de forma a poder convencer Paul desta minha empreitada. Segui

para casa bastante excitado com tudo que tinha ouvido de Jackson, mas com o coração

apertado pela possibilidade de perder aquela a quem eu propusera amor infinito.

Ao atravessar a porta da entrada, procurei em vão a presença de Catherine. Será que

ainda estava recolhida em seus aposentos?

_ Senhor Erik?

_ Sim, Emma?

_ O senhor Paul pediu-me que o avisasse que ia jantar fora esta noite. A senhorita

Catherine não está bem disposta e disse que não vai descer para jantar. Posso servi-lo

agora?

Parece que estaria sozinho naquela noite.

__ Não, Emma. Não se preocupe comigo. Estou sem fome. Mary Ann e você estão

liberadas por esta noite. Até amanhã.

_ Posso ajudá-lo em alguma coisa? O senhor parece um pouco abatido. Se precisar de

qualquer coisa é só chamar que estarei ao seu dispor.

_ Obrigado por sua preocupação, mas realmente só estou um pouco cansado. Nada

mais. Boa noite.

_ Boa noite, senhor.

Ao chegar ao primeiro piso, fui até a porta do quarto de Catherine. Ali fiquei parado

alguns minutos, pensando se deveria bater e conversar com ela. Porém, faltou-me

coragem para isso. Não queria forçá-la a nada. Finalmente, tomei a direção de meu

sótão. Livre de meus trajes e de minha máscara, permaneci um bom tempo sentado,

junto a janela de meu quarto, vendo as luzes dos lampiões de Londres a flamejarem e a
névoa começando a tomar conta das ruas. Enquanto isso, tentava tirar Cathy de minha

cabeça e concentrar-me em todos os acertos que teria a fazer para poder partir dali o

mais breve possível, deixando meu sócio em boa situação até organizar meu

estabelecimento no Rio.O tempo era curto, mas intimamente sabia que havia grande

chance de toda esta loucura dar certo.

Fui subtraído de minhas reflexões, por uma batida leve na porta. Senti minha pulsação

acelerar-se ao abri-la e deparar-me com Catherine, vestida apenas com uma camisola

branca, ligeiramente transparente, parada a minha frente, corada como se estivesse

febril.

_ Catherine! O que houve? Você está bem?

_ A-acho que sim. Posso entrar? - sua voz era tremula.

_ Não acho muito adequado.

_ Não estou preocupada com o que é adequado ou não. Só sei que preciso falar com

você agora .

Agora parecia mais segura. Entrou , fechando a porta atrás de si.

_ Venha, sente-se aqui - falei apontando-lhe a poltrona onde eu estava sentado até a

pouco e já puxando uma cadeira , de forma a ficarmos frente a frente. Porém, ela

preferiu manter-se de pé.

_ Parece que sou sempre eu que o procuro para expor meus sentimentos. Às vezes isso

me preocupa.

_ Meu bem, a pouco quase invadi o seu quarto para falar-lhe, mas desisti ao pensar que
poderia estar forçando você a uma decisão prematura. Quis dar o tempo que você

pediu , depois de ouvir minha lúgubre história, hoje à tarde.

_ Já tive tempo suficiente para pensar e decidir o que quero. Esta decisão está tomada

há muito tempo. Desde o dia em que o conheci e tive certeza de que você era o homem
da minha vida. Nada vai fazer mudar este sentimento dentro de mim. Não vou mentir e

dizer que não fiquei chocada com o que ouvi. Por isso pedi um tempo para refletir sobre

tudo. Nestas últimas horas, a admiração que tinha por você só cresceu, fortalecendo

ainda mais o meu afeto. Você poderia ter se deixado levar por toda aquela loucura em

que estava envolvido, mas não. Conseguiu lutar contra os piores sentimentos e

sobreviver, libertando a pessoa empreendedora, amável e sensível que é hoje. Esta

pessoa que eu amo mais que tudo. È este Erik que eu quero ter ao meu lado para

sempre.

_ Cathy...

Mal podia crer no que acabara de ouvir. A emoção tomou conta de mim. Enlacei-a em

meus braços, estreitando-a junto a mim, inalando seu perfume e deixando o desejo

tomar conta de meus sentidos. Experimentei seus lábios carnudos e macios,

aumentando minha pressão sobre eles, sentindo o gosto e o calor de sua boca até ouvi-

la gemer baixinho. Suas mãos me acariciavam ansiosas. As formas delgadas de seu

corpo amoldavam-se ao meu, provocando uma onda de calor arrebatadora. Por um

momento, tentei frear os anseios de possuí-la, mas fui barrado pelo seu olhar intenso

que implorava para que eu continuasse, ao mesmo tempo em que deixava deslizar as

mangas de suas vestes pelos ombros, deixando entrever seus seios perfeitos, de

mamilos enrijecidos, exigindo carícias e beijos. Logo, a camisola deixou-se escorregar

por inteiro, expondo o paraíso diante de meus olhos. Não podendo mais resistir, tomei-a
nos braços e levei-a para o leito. Sentia seu corpo tremer de prazer, quando iniciei a

exploração de seus contornos sinuosos com as mãos. Despido, pude unir pele a pele,

brasa com brasa e terminar por possuí-la cuidadosa e completamente, em meio a

gemidos, suspiros e palavras de amor. Nunca experimentara tais sensações, de um

prazer indescritível, impossíveis de traduzir em palavras. Um torpor delicioso tomou

conta de meu corpo e de minha mente. Caímos preguiçosamente, lado a lado,

expressões serenas e agradavelmente cansadas. Abracei-a, para prolongar o prazer de

sentir seu calor e sua doce respiração junto a mim. Gostaria que aquele momento se

eternizasse.


O dia amanheceu resplandecente. Sentia meu espírito rejuvenescido e pronto a enfrentar
quaisquer dificuldades que pudessem surgir.

Fiquei observando aquele belo rosto adormecido por um bom tempo, com medo de

acordá-la e desfazer o encantamento.

_ Bom dia - falei ao ver seus lindos olhos azuis abrirem-se de encontro aos meus.

_ Bom dia, meu amor - cumprimentou-me com ternura - Já amanheceu?

_ Sim.

_ Talvez seja melhor ir para o meu quarto. Não vai ficar bem o Paul ou a Emma

descobrirem que nós...bem...Você não acha? - sua fala parecia a de uma menina

travessa que acabara de roubar um doce.

_ Acho - disse , enquanto acariciava e afastava os cachos de seus cabelos que insistiam

em cair-lhe sobre a face.

_ Com você me olhando desse jeito fica difícil. Faz-me pensar em bobagens.

_ Está bem. Tem razão. Não vai ficar bem para mim se a pegarem aqui.

_ Seu bobo - sorriu faceira e, enrolando-se nos lençóis pudicamente, foi procurar a

camisola que deixara cair no chão do quarto horas antes. Assim que a encontrou, vestiu-

a e voltou ao meu encontro para despedir-se.

_ Nos encontramos no café?

_ Pode estar certa disso - falei , já retribuindo o beijo carinhoso que me oferecia.

Apreciei cada passo seu até vê-la fechar a porta cuidadosamente, olhando para todos os
lados, sorrateiramente, antes de sair.

Apressei-me em vestir -me para o café, a fim de encontrar Paul antes de Catherine. Eu

lhe pediria que não contasse nada sobre meus planos para ela. Pelo menos por

enquanto.

Hoje teria a oportunidade de novos contatos para apaziguar as dúvidas de meu sócio.

Se tudo desse certo, em 6 dias estaria partindo de Southamptom, a caminho de um país
exótico chamado Brasil.

_ Não há problema, Erik. Você vai buscar mais dados para embasar nosso negócio,

enquanto vou para a joalheria com Catherine. Ficamos de receber os interessados na

vaga de atendente e entrevistá-los hoje pela manhã. Ela vai ajudar-me nesta tarefa,

pois ninguém melhor do que a antiga funcionária para avaliar os candidatos.

_ Sem dúvida.

_ Bom dia , rapazes! - cumprimentou-nos alegremente.

_ Ora, vejo que tivemos uma boa noite de sono. Está linda, minha irmã.

_ È... deve ter sido a longa noite de sono.

Pude ver suas maçãs do rosto corando-se intensamente, provavelmente ao relembrar a

noite anterior.

Dois dias passaram-se e a minha certeza de que abriríamos um bom negócio no novo

mundo só aumentara. Chegara a hora de contar a Catherine sobre meus planos. Nos

reunimos naquela noite, como sempre , após o jantar.

_ Cathy, você sabe que está para chegar a Londres uma pessoa que pode me

reconhecer e arruinar tudo o que conquistei até aqui.

_ Sim...

_ Bem. Desde que soube disso, eu venho pensando numa maneira de evitar que isto

ocorra a qualquer custo, pois além de prejudicar-me fatalmente, acabaria com a

sociedade que tenho com Paul. Infelizmente, não posso continuar a viver na Inglaterra

ou em outro país europeu, pelo maior risco de ser encontrado e caçado neste continente,
já que as pessoas que mais me odeiam são da nobreza e, portanto, pessoas com livre

transito nos países em questão. Não quero arriscar nada. Por isso, a melhor saída

mostrou-se como sendo a ida para o Rio de Janeiro, no Brasil.

¬_ Brasil? - perguntou espantada.

_ Sim...Brasil. Lá teremos, não só o esconderijo ideal, mas também uma opção de

mercado para as Joalherias Marback. Talvez um pouco precocemente, mas com

perspectivas muito grandes de expansão. Lá existe a matéria prima e mão de obra a

custos menores que aqui. Além disso existem rotas de navegação quinzenais que ligam

o Brasil á Inglaterra, facilitando a comunicação entre os dois países. Eu poderia continuar
enviando meus desenhos para Paul, mantendo a criação de jóias exclusivas, além de

eliminar os intermediadores na compra de vários elementos como ouro, prata e pedras

preciosas.

O próximo navio rumo ao Rio de Janeiro sai dentro de quatro dias, do porto de

Southamptom.

Catherine permanecia estática em sua poltrona, com o olhar perdido, provavelmente

imaginando os horrores que poderiam aguardá-la em um lugar, considerado selvagem,

como a América do Sul.

_ Cathy, você não é obrigada a vir comigo. Podemos nos casar antes de minha partida e
combinar o meu retorno a cada três ou quatro meses.

_ Três ou quatro meses??

_ Cathy, muitos casais vivem assim. Não é o ideal, nem o que eu gostaria, mas

infelizmente não tenho alternativa melhor. Sinto muito ter que colocá-la nesta situação

de escolha mais uma vez.

_ Você prefere que eu fique aqui com Paul?

_ Não , claro que não. Você sabe como eu a amo e como seria penoso para eu ter que

me separar e vê-la esporadicamente.

_ Então, está resolvido!

_Como assim? O que quer dizer?

_ Você não pensou que fosse se livrar de mim tão fácil, pensou? - disse, olhando-me de
um jeito malicioso.

_ Catherine... Você caiu diretamente do céu para a Terra.

_ Além do mais, sempre sonhei em realizar uma aventura como esta, numa terra

distante. Vai ser maravilhoso satisfazer este sonho com você ao meu lado.

Dizendo isto, selou meus lábios com um beijo caloroso, para desconcerto de seu irmão.

Publicado em : Livros, Romance
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