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| ESA # 17 - Os amigos esquisitos de Sofia |
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Guta tinha certeza que as coisas ficaram estranhas e diferentes para todo mundo depois da festa de Joaquim: Não estava falando com Erick e nem com André, o primeiro desaparecia todo intervalo entre aulas certamente para ficar com Sofia, e o segundo, a ignorava enquanto fingia que o seu namoro com Joyce estava a mil maravilhas.
Renato continuava ocupado com seus treinos de basquete e em manter boas notas na escola para tentar entrar na seleção do estadual até o meio do ano. Cecília se dedicava ao jornal da escola, que a cada dia parecia estar mais interessante e cheio de novidades para contar. Cecília pretendia até o fim do ano ser editora do jornal e com isso conseguir uma boa indicação em uma revista ou jornal de verdade - em uma editora comercial - para que pudesse começar a pensar em um estágio no futuro capaz de garantir a sua carreira jornalística... e ia conseguir, ao menos, se esforçava para isso. Guta se sentia uma fracassada e sem amigos, e passou a semana toda chateada com tudo e com todos, até faltou um ou dois dias, para não ter que encarar André de novo... No final da aula, na sexta-feira, quando ia guardando o seu material em sua mochila verde jeans, Erick, que se sentava ao seu lado, comentou, ao ficar em pé: - A Sofia hoje tem um ensaio extra do recital e queria que eu fosse. Quer ir junto? - Eu? - Guta surpreendeu-se e fechou o zíper da mochila. - Você tá me ignorando a semana inteira... nem bom dia tem me dado. - É, pra falar a verdade eu estava chateado com você. Mas aí a Sofia disse que eu estava agindo errado... e pra variar ela tem razão... - Então o seu convite para o recital é um pedido de desculpas forçado? - É um pedido de desculpas, mas não forçado. Além do mais depois do ensaio vamos a uma lanchonete e lá tem um milkshake de chocolate que você precisa tomar! - Nesse caso, vou pensar a respeito. - Guta sorriu. - Passo na sua casa umas três horas e vamos juntos. - depois disso, saiu da sala apressado. Joyce acertou o seu casaco jeans cor-de-rosa no corpo e tocou a campainha da casa de André. Os cabelos negros e lisos estavam devidamente alinhados, com a franjinha na frente, penteada. Estava com um vestidinho preto de bolinhas brancas, sandálias e de batom vermelho, parecendo uma Pin-Up Girl saída de um panfleto antigo, procurando estar sensual o suficiente para André. A bolsinha era preta e pequena, parecia um saquinho de pano, com um laço branco como alça. A porta abriu e Joyce encarou Erick em seus olhos azuis de vidro. Ele estava de saída, de camisa de manga curta verde exército com botões no ombro e o nome de uma banda no bolso direto. Braceletes de couro até quase a metade do braço, alguns lisos outros com ilhós e alguns com spikes, em ambos os braços. Sua calça, peça como sempre esquisita e exótica, preta e branca como um tabuleiro de xadrez - ou piso de cozinha! - e um coturno militar com a ponta de ferro que na canela tinha uma corrente pendurada por cima da bota. Joyce ergueu as sobrancelhas. Não tinha visto Erick assim antes, parecendo um rock star, ficava até bonitinho. - Oi Joyce. - sorriu encantadoramente com seus piercings. - Não sabia que você vinha pra cá. - Tá saindo? - É... o André tá lá em cima, pode subir! - avisou, passando pela porta, dado espaço para Joyce entrar em casa. - Você tá bem? - Estou sim. Aliás, não disse antes, mas obrigada pela ajuda no sábado. - a garota pin-up sorriu um pouco sem graça por tudo o que tinha acontecido. - Dei o maior vexame. - Acredite, você se comportou bem. Só deixou todo mundo preocupado. - É, imagino, não sou de beber... foi a primeira vez. - Faz parte. - riu. - Mas tente não fazer isso muitas vezes, não combina com você. - É, eu sei. Mesmo assim, obrigada... Aonde você vai?! - Encontrar a Guta e depois vamos até o ensaio da Sofia. - não escondeu. - Por quê? - Ah! - Joyce lembrou-se que Cecília disseram que Sofia estava interessada em Erick e considerou que Guta já estava mexendo os pauzinhos para os dois ficarem juntos. E Sofia não perdia mesmo tempo, primeiro aquele lance no parque e agora essa inesperada notícia. - Estava pensando que podíamos combinar com o pessoal de irmos comer uma pizza, ou algo... - Certo... - Erick ergueu as duas sobrancelhas, meio sem saber o que dizer. Um programa com os mauricinóides não era o tipo de coisa incluída em sua lista de "preferidos". - Se vocês decidirem alguma coisa, basta ligar. - foi educado. - Agora preciso ir! - Tá bem...! Vamos nos falando! - Joyce fechou a porta e entrou seguindo em direção ao quarto de André. A porta estava fechada, ela bateu algumas vezes. André abriu a porta com um sorriso, os cabelos cacheados molhados, de calça jeans e uma camisa verde água, com um barco desenhado em branco. - Estava morrendo de saudades! - disse assim que viu Joyce, abraçando-a com carinho. Joyce o abraçou e se beijaram. Depois André e Joyce entraram no quarto de André, decorado com pôsteres de ídolos do basquete. A garota sentou-se na cama, enquanto André no rack arrumou o DVD para assistirem. Enquanto ela soltava as sandálias dos pés, comentou: - No começo não fui muito com a cara do Erick... mas agora mudei de idéia. - Como assim? - aquele comentário soou meio fora de contexto para André, que se enciumou, mas procurou não demonstrar, continuando a abrir a bandeja do DVD e escolhendo um dos filmes que alugou. - Ele é um pé no saco de tão anti-social. - Anti-social? - É, fica no quarto, nunca sai... outro dia o Renato tava aqui e nem desceu pra dar um oi... mau-educado. - Que estranho, acabei de perguntar a ele se podíamos ir todos comer pizza mais tarde e ele disse que sim... André gargalhou e fechou a bandeja do DVD. - Certeza que ele só foi educado com você Joyce. Na boa, olha pra ele e depois pra gente... não somos da mesma turma! - Ele estava indo com a Guta pro ensaio da Sofia. - Joyce anunciou. - Acho que o anti-social é você, André. Você nem se esforça pra se enturmar com seu próprio irmão. - Ei! Não somos irmãos, tá bom? - André sabia que o problema não era esse. - Tá bem, desculpe! Não vou ficar insistindo. Só acho que você podia facilitar um pouco, sabia que a Sofia está afim dele? Podíamos ajudá-los! - Sem querer estragar seus planos, mas eu acho que ele é afim da Guta. - O que quer dizer? - Ele tá sempre com ela, ficam horas juntos depois da escola... acho até que deve estar rolando alguma coisa entre eles. - André sabia que não, mas quanto mais Joyce acreditasse nisso, menos ela desconfiaria que ele havia transado com Guta duas vezes na última semana. - Ih, isso vai dar confusão. - foi o que Joyce comentou. André, para não dar brecha de o assunto continuar, apertou play para o filme começar. Guta estava de calça jeans azul, bota plataforma cinza e uma blusa cinza folgada no corpo. Saiu de casa com uma bolsa marrom no braço assim que viu Erick chegar. - Você não acha que às vezes exagera nos acessórios de rock'n'rol? - Guta comentou assim que se encontraram na rua. - É heavy metal. - debochou. - E não acho. - A Sofia não acha? - Não perguntei, por quê? - Nada, é que ela é tão delicadinha e você com esse visual aí de garoto agressivo. Imagina o dia que você for ser apresentado aos pais dela? Eles vão ter um enfarte! - Guta, você é hilária. - Erick riu e os dois começaram a andar pela rua. - Prometo que nesse dia eu uso umas roupinhas do André, pra parecer uma pessoa normal. Embora o André seja um lobo com pele de cordeiro, correto? - Nem me diga... essa semana foi só mais uma prova em como ele é um imbecil. Ele me ligou ontem, para dar boa noite... depois de me ignorar a semana inteira e ficar se agarrando com a Joyce na minha frente. - Preferia que você não se envolvesse com essa confusão. A Joyce é uma garota legal, você é uma garota legal e o André é um ridículo... ele não merece todo o seu esforço. - O que posso fazer? Gosto dele, gosto há muito tempo... e ele não é ruim, vai largar da Joyce quando tiver certeza que gosta de mim. - O que pode demorar ou nunca acontecer. - Erick foi sincero pra variar. - E você e a Joyce nunca mais serão amigas de verdade... - Eu sei, Erick... não precisa ficar o tempo todo me lembrando de como eu estou sendo cruel com a Joyce. - reclamou. - Então pare de ser, Guta. - Mas dessa forma eu seria cruel comigo. - Sei lá, você já tem a minha opinião. - Que eu acho super válida, Erick, mas eu gosto do André e estou disposta a lutar por ele! A Joyce vai entender... - Vai nada... - ambos pararam no ponto de ônibus, para esperar a condução que os levaria até a rua do curso de música de Sofia. O ponto estava vazio, só havia os dois lá. - E se fosse com você? Imagine o seguinte: A Sofia tem um namorado e você gosta dela pra caramba, então ela começa a te dar bola, rola umas coisas... você ia fazer o quê? - Primeiro que se a Sofia tivesse namorado e começasse a me dar bola, não ia rolar nada. - Nem se você estivesse bêbado? - Tá, se rolasse seria só essa vez, eu não daria continuidade com essa palhaçada. E sabe por quê? - Não... - Porque quando começasse a namorar, eu nunca confiaria nela e acharia que ela estaria dando bola pra outro. - Discordo, eu acho que quando a gente gosta de verdade, não trai. Portanto o que acontece é que o André não gosta da Joyce de verdade! - E nem de você, se você pensar um pouco no assunto. - Isso é cruel de se dizer, Erick. - É sincero. Não vou enganar você para que você se sinta momentaneamente feliz e certa, Guta. O André tá na situação mais cômoda do mundo e vai ferrar com você e com a Joyce, porque ele não gosta de nenhuma de vocês duas. - Erick, você só está falando isso porque não gosta do André. - Você quer trair a Joyce e roubar o André dela? Faça. Mas não espere que eu vá te apoiar nessa idéia maluca, ridícula e errada que não vai te trazer nenhum bem. - Poxa, dá pra você se esforçar e tentar me compreender? - Eu compreendo, Guta. Você tá apaixonada e fazendo merda. Guta ficou calada, chateada com Erick. Ela tinha medo que ele tivesse razão e portanto, recusava-se a escutar os conselhos do amigo. Para ela, essa era a chance de ficar com o amor da sua vida, André, que ela sabia que estava agindo assim porque estava confuso com tudo isso, com todos esses sentimentos. Guta tinha certeza que André nunca faria uma coisa dessas se gostasse de Joyce de verdade. O ônibus chegou e os dois ficaram em silêncio todo o caminho. Sofia estava no palco com seu violino no ombro. Calça jeans azul clara, sapato branco como sua camisa e uma faixa negra de cetim enrolada na cintura em varias voltas que demarcava o contorno de seu corpo. Os cabelos presos em rabo de cavalo, lisos, porque não tinha tido paciência de usar o revelador de cachos e ficar horas se arrumando. Isabella estava do seu lado, uma japonesa baixinha e magrinha, de rosto redondo, usando uma luva de renda negra na mão direita e uma pulseira de estampa de zebrinha na esquerda. Adorava estampa de zebras e seu all star era com essa estampa. Calça jeans e uma camiseta sem manga, babylook verde-limão com um coração humano estampado. Seus cabelos eram compridos e lisos, enfeitado com muitas presilhas prateadas com glitter. Usava delineador fortemente marcando os olhos e muito rímel, para os cílios terem mais destaque. - Tá bem, vamos tentar mais uma vez. - disse Ênio, da ponta do palco, um rapaz magricelo e alto, com cabelos tingidos de azul e roxo, arrepiados com gel, de olhos azuis e pele bem clara. Estava de calça preta e sandálias de plástico brancas, uma camiseta de manga comprida listrada de branca e preto e com um cinto de couro sintético branco. Sua função naquela tarde era ajudá-las a regular o som. - Pronto... Isabella começou a introdução novamente, mas o som não saiu. - Ênio, você é uma droga! - reclamou. - Pra regular pra sua banda você sabe, seu pedaço de banana amarga! - Estou ficando cansada... - Sofia reclamou, porque estava há mais de meia hora na mesma posição de introdução e nunca dava certo. Tirou o violino do ombro e se esticou. - Vamos ficar com o acústico mesmo, acho o som bem melhor e posso tocar com o meu violino. - É uma boa saída. - Ênio esticou as costas. - Não agüento mais ficar de cócoras! - Tá bem, no dia do recital vai estar tudo regulado pelos professores, que sabem o que estão fazendo! - Isabella não perdeu a chance de caçoar de Ênio. Desceu do palco para pegar seu violino e pegou o case de Sofia, levando até a amiga. A porta da entrada principal abriu. Guta colocou a cabeça para dentro do teatro e avistou Sofia lá em baixo no palco. - Sofia! - anunciou sua chegada e escancarou a porta. Sofia ergueu a cabeça e viu Guta descendo os degraus do teatro. Erick vinha logo atrás dela, mas parou para fechar a porta que Guta escancarou sem necessidade. Isabella levantou-se curiosa, porque estava esperando conhecer o novo namorado de Sofia. Torceu o nariz assim que viu o garoto: esperava que Sofia apresentasse um mauricinho de moletom GAP e calça da TNG, de tênis Pulma vermelho... e não um metaleiro cheio de spikes e calça quadriculada ridícula. - Olá. - Sofia respondeu e desceu do palco. - Essa é a Isabella, e esse o Ênio. - Vocês vão tocar todos juntos? - Guta quis saber. - Eu e a Isabella. - Sofia respondeu com um sorriso. - O Ênio estava tentando nos ajudar com o som... tem a banda dele, onde a Isa também toca! - É, mas na banda eu toco guitarra! - Isabella comentou, descendo do palco também e indo cumprimentar Guta. - O Ênio é o baterista. - Ah, que legal! - Guta cumprimentou Ênio também. - Essa é a Guta, minha amiga do colégio, e esse o Erick. - Sofia apresentou os amigos e o namorado, abraçando-se com o garoto. Deu-lhe um selinho. - Oi. - foi a única coisa que Erick disse. Sofia voltou para o palco em seguida. - Fiquem à vontade. - Isabella falou seguindo a amiga. - Estamos com um probleminha no som, mas não iremos desapontá-los! - A Isa como violinista é uma ótima guitarrista! - Ênio brincou, indo sentar-se em uma das poltronas da primeira fileira. Guta e Erick sentaram-se também, para assistir ao ensaio. Foi um desastre! Isabella não conseguia acertar a introdução e teve que repetir umas quinhentas vezes, a ponto de irritar Ênio, que ficava pegando no pé da japonesa, atrapalhando ainda mais. Quando finalmente conseguiram passar da introdução, a música fluiu bem. Guta impressionou-se com o talento de Sofia, ainda não tinha visto a amiga tocar violino e sempre ouvia Cecília debochar dela com piadinhas sem graça. Nunca havia sido convidada para nenhum recital, mas Sofia tinha talento! Expressava-se bem no palco e nem parecia ter dificuldade com o instrumento, tocando com um sorriso e com leveza nos movimentos. Ao fim da tarde, as duas violinistas já cansadas, finalizaram o ensaio: - Eu estou com fome, podemos ir comer?! - Isabella quem anunciou, espreguiçando-se. - É, eu também. - Sofia guardou o violino. - Vou me arrumar, esperem a gente lá na porta! - Tá bem! - Ênio confirmou. Isabella e Sofia saíram por destras do palco, indo em direção ao camarim dos artistas, onde tinha um banheiro com pia e espelho para se arrumarem. - Não vou deixar mais você trazer esse tal Erick. Você não parava de tremer, foi horrível! - Isabella comentou, assim que entrou no banheiro com a amiga. - Eu sei, Isa! - Sofia confessou enquanto lavava o rosto. Secou-se com a toalha de papel. - Estava tão nervosa... e era só o ensaio, imagina o recital! - Ele é meio calado, né? - Isabella contornava seus olhos com mais lápis preto. - Só quando tem muita gente... - abriu a bolsa e pegou um batom brilhante e alaranjado, passando nos lábios. - Você esperava alguém mais boyzinho, né? - Eu esperava aquele Renato que veio aqui daquela vez. Sofia riu, achando graça. - Eu trouxe o Renato para ele conhecer você, bobona! - O cara pra namorar comigo tem que gostar de NX Zero! - O Renato deve gostar. Não sei. - Esse Erick é metaleiro... Não tem nada a ver com você! Onde foi que você o arrumou, hein? - Na escola. - Sofia terminou de se arrumar. - Vamos? - Vamos. - Isabella sorriu pelo espelho para Sofia. Assim que se sentaram à mesa redonda da lanchonete, o garçom aproximou-se. Todos pediram milkshakes de chocolate e seus respectivos sanduíches. Enquanto esperavam o pedido, Ênio iniciou o assunto da conversa: - E então Erick? Como você conheceu a Sofia? - Derrubando suco de goiaba nela. - Isso foi na festa do André? - Guta indagou. - No colégio... no meio do pátio, fiquei toda suja! - Pior é você ter desculpado! - Isabella caçoou. - Ele foi fofinho, me emprestou o uniforme dele. - Sofia contou. - E depois trouxe o meu uniforme limpinho de volta. - É, nesse caso, ganha mesmo um ponto, Erick. - Guta riu. - Eca, você vestiu o uniforme sujo de suco da Sofia? - Isabella indagou. - Claro que não. - Se bem que usar a camiseta da Sofia ia ficar tipo babylook em você. - Ênio comentou. - E cor de rosa... - Guta continuou. - Nesse caso você perderia cinco pontos. - Sofia deu a nota. - Rosa não combina com seu tom de pele. - Todos riram da piada de Sofia, inclusive Guta, que não sabia que ela tinha um senso de humor... mesmo com uma piada chata, - E você já passou pelo teste da Cecília, Erick? - Ênio quebrou o clima divertido da mesa, com a pergunta indevida que chegava a ser indelicada. - Que teste? - Erick não entendeu. Sofia perdeu todo o seu bom humor com o comentário de Ênio, Isabella percebeu e beliscou o amigo por baixo da mesa, que sem noção, berrou: - Ai, Isabella, por que me beliscou?! - Você é um idiota. - Isabella comentou. - Não liga pra ele Erick. - Eu não sou idiota e fiz uma pergunta simples, todo mundo sabe que a Cecília morre de ciúmes da Sofia. - Ênio continuou, encarou Erick que esperava o resto da história. - Ela é doente, sério... não deixa a Sofia namorar ninguém. - O Ênio acha que a Cecília gosta de roubar os namorados da Sofia. - Isabella disse, torcendo o nariz. - E não é verdade. - Sofia chateou-se. Não gostava que falassem essas coisas de sua irmã. - Tive um namorado que deu em cima da Cecília, afinal somos gêmeas e ele confundiu. - Ela fez de propósito, Sofia! Tenho certeza que fingiu ser você. - Ênio irritou-se. - Estou falando sério! Ela é doente! Guta não disse, mas concordava com Ênio. Às vezes tinha a mesma impressão de Cecília. - Não importa. - Erick deu de ombros, não queria falar em Cecília e não gostava de ouvir conselhos para tomar cuidado com ela... mesmo que fosse verdade, era chamá-lo de idiota! Como se ele não fosse capaz de reconhecer Sofia entre elas ou como se ele não soubesse se defender. - Você nem liga, né? Deve achar o máximo, vai tentar ficar com as duas? - Ênio continuou com a hostilidade. - Ei, qual o seu problema? - Erick comprou a briga de Ênio. - Não é porque um dos namorados dela era um imbecil que eu vou ser também. Se você tem algum problema com a Cecília por que não vai lá resolver com ela? - Calma, gente. - Sofia interviu. - A Cecy não faria isso. E eu não quero ficar falando de ex-namorado nenhum na frente do meu namorado, pode ser? - Pode. - Isabella foi a primeira a concordar. - Chega, não agüento mais esse papo. - Ênio levantou-se da mesa abruptamente. - Vou embora! - Vai logo de uma vez! - Erick! - Sofia o repreendeu e ele deu de ombros. Ênio saiu da mesa indo até a porta. Sofia suspirou e encarou Erick. - Olha o que você fez! - Eu? Fala sério, Sofia! Só falta me dizer que não percebeu que ele está com ciúmes. - O Ênio é meu amigo, Erick! - É, você não percebeu! - e com um sorriso de deboche chacoalhou a cabeça. - Você tá sendo rude! Vou lá falar com ele... - Sofia ficou em pé, mas Erick a segurou pelo braço. - Ei! Não vai, não! - Deixa que ele vá embora, Sofia. - Guta se meteu. Mesmo que concordasse com Ênio, estava do lado de Erick. - O Ênio tá irritando de propósito. - Isabella comentou, um pouco chateada. - Você sabe como ele às vezes é insuportável. Sofia suspirou resignada e sentou-se novamente, com ares de chateação. Queria que seus amigos se dessem bem com seu namorado. O clima na mesa continuou estranho, mas todos tentaram continuar curtindo a noite sem deixar-se abalar completamente com a cena.
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