A MORTE ESCONDIDA Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por GERALDO JOSÉ COSTA JUNIOR, em 30-07-2008 13:16
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Há um silêncio perturbador que me envolve completamente. Como se o mundo desmoronasse ao meu redor. Como se faltasse chão sob os meus pés. Como se faltasse oxigênio. Como se faltasse vida. Dentro de mim e por toda parte. O eterno vazio me consome como se fosse um buraco negro. Não encontro respostas na filosofia nem consolo nas religiões. A vida não me oferece rumo. Eu sempre escrevi para mim. Há momentos em que sou Werther. Mas quase sempre sou apenas Quasimodo. Rei Lear eu jamais serei. Um pedaço de pano atirado num canto eu sou. Vai acabar pra todo mundo. Esta certeza me conforta. A morte iguala a todos. Que venha, pois. Que venha logo. E que me deixe em paz. Traga-me a certeza de que realmente a vida não é só isso o que meus olhos cansados podem ver. Isso que machuca o meu coração, afronta o meu orgulho e faz pouco caso do meu egoísmo. Eu deveria agora estar revisando aquele texto. Mas já estou farto dele. Já brigamos por demais, durante dias, meses, anos, feitos cão e gato. E antes que ele me destrua, eu o farei a ele. Eu o destruirei. Com todo o ódio que sempre desejei, mas que jamais tive por mim e por as pessoas. Todas elas. Mas afinal por que existem? Não as convidei para participarem de minha vida. Talvez eu deixe a barba crescer. Talvez eu alimente o gato. E esqueça do passarinho na gaiola. E mesmo que tudo isso aconteça, a maldita folha ainda estará em branco presa à máquina de escrever. As palavras destroem. Elas enganam, manipulam... Mentem. O que somos afinal? Tapetes pisoteados? Canos entupidos de merda? O que somos? Pontes levadiças por onde passam, sem pedir licença, a demência e a vontade de muitos? Somos deuses? Podemos tudo? Nós, que inventamos mentiras e estórias com palavras. Nós que concebemos os sonhos. Porque a vida, talvez, não poderíamos. Porque esta muitas vezes nos falta dentro de nós. Como agora falta dentro de mim. E sinceramente não sei porque estou dizendo isso pra que um bando de idiotas me ouça e me dê razão. Tolos. Boçais. Vivam suas vidinhas miseráveis e sejam felizes. Deitem-se satisfeitos no berço esplendido da eterna mediocridade. Caminhem para Deus. Creiam no amanhã. Rezem a cartilha dos dominadores. Vou me atirar dessa ponte. Indo ao encontro do infinito. Braços abertos diante do sol, sugado pelo vento, envolvido pela noite. Vale de sombras. Frio. Solidão. Vultos passando. Vozes ao longe. Vozes. Ouço vozes...


Publicado em : Crônicas, Crônicas
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Comentários (4)
Postado em SANTOSH, em 18-12-2008 21:12, , Membro Registado
"E sinceramente não sei porque estou dizendo isso pra que um bando de idiotas me ouça e me dê razão. Tolos. Boçais."  
 
Cara, você tem toda razão!!! 
(Embora, eu acredite que dela, é o que menos você necessite).
 
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Postado em Pandora, em 20-08-2008 23:29, , Membro Registado
:upset Extraordinária composição. Visualizei neste texto, uma alma atônita, caminhando sem rumo, sem direção, tentando descobrir-se à si mesmo...Inconformada com a vida que o destino lhe ofereceu... 
Meus Parabéns, conseguistes com maestria passar a indignação dessa morte escondida... 
Meu voto com admiração. 
beijos 
Pandora :p
 
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Postado em Catucha, em 03-08-2008 19:33, , Membro Registado
Júnior, você está no caminho certo...está destruindo este "eu" que te escraviza para renascer num "eu" muito melhor, mais pleno, mais livre e mais feliz.Usas as palavras para isso, eu entendo e o parabenizo.Um grande abraço.
 
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Postado em Celina de Fátima, em 01-08-2008 00:59, , Membro Registado
Não sei por que, 
mais tive a sensação de ter sido chingada, rs,rs. Será? 
Vc é um escritor extraordinário, 
mas essa "morte escondida" assusta  
quem ler, a vida já é tão dificil,  
por que se prender a sentimentos tais, 
como ódio, abominação... 
e até a merda vc colocou pra fora... rs  
Olha Junior... 
Mesmo vc não querendo vou dizer, 
Você é um escritor "retado" de bom! rs 
Beijos querido!
 
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