Biografia de uma mulher Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Míriam Stolear, em 31-07-2008 00:40
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Desde criança tenho o hábito de observar os movimentos, as reações, os tipos que surgiram em meu caminho. Discordei e me rebelei , muitas vezes e até fui diferente, audaciosa, rebelde. Gostava de testar a tudo e a todos. Apesar de tantas experiências desagradáveis, posso contabilizar momentos de glória.
Sempre soube amar, talvez até além do que devia. Irritava a todos quando mostrava não ter apego às coisas materiais. Ainda menina, desfazia-me de brinquedos que os mais "pobres" gostavam. Eu sabia que poderia conseguir um outro ou talvez não, mas era a minha alegria assistir um sorriso de outra alegria.
Meus avós vieram fugidos das perseguições e conseguiram reconstruir suas vidas. Eu admirava, como ainda admiro, as pessoas que conseguem refazer suas histórias. Como pessoas muitas vezes se entregam à impossibilidade de começar algo novo e como invejam àquelas que lutam , batalham superam?
Eu sou vitoriosa e não pensem que isto é vaidade: Isto é auto- estima.
Refazer a vida depois dos desabamentos, dos terremotos, dos" tsunamis", é trinfar, sempre!
Vítimas somos todos e nem por isso temos que entregar as armas e desistir de lutar.
Chorar, amar, poetizar, sonhar, não são fraquezas: são virtudes.
Eu estou seguindo minha trajetória e meu destino , capaz de mudar a rota. Dizem que pessoas racionais, não crêem em Deus. Pois eu discordo e acho que Deus nos criou à sua imagem e semelhança, assim como nós o criamos à nossa imagem e semelhança.
O Deus que existe em mim, é um Deus liberal, que permite que escolhamos os caminhos mesmo sabedores das consequências. Este Deus liberal é meu sustento e sua presença se dá quando conseguimos entender que à nossa frente existe um outro com os mesmos direitos e com diferenças que nos distinguem.
Sou única e ao mesmo tempo igual. Esta é ambiguidade da vida e a sabedoria da existência.
Estou viva e este é o maior milagre da vida.
Devo continuar enquanto viva, uma vida digna e produtiva. Aprendi a ser rebelde e contestadora. Estou eu aí, candidata à vereadora. Levantei-me das dores e enxuguei minhas lágriamas e continuo minha jornada, apesar de cansada.
Um câncer pode ser o maior estímulo à vida e a maior lição que recebemos para compreender que nossa onipotência surge do medo de lidarmos com o incontrolável e o insustentável modo de Ser.
Somos nada e tudo !
Há pouco tempo eu fui ingênua e perdi o jogo. aprendi a enxergar e a ligar o sinal de alerta. Hoje, estou mais ligada e mais ousada , com menos medo e com todo o medo.
Aprendi que sou e não sou.


Publicado em : Relacionamento, Minha História
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