| ANJOS DO CAIS |
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Que as árvores desfolhem Que os galhos se quebrem Que os laços se rompam Que seja o caos E que a dor Empurre adiante Que traga a luz... Que clamem os espíritos E os pássaros voem Que a carne apodreça E a pústulas espirre em nossos rostos Que a verdade se destrua Por nossas mãos Como um feixe de mil luzes E que revele a noite E que esta responda por que Por ti somos entregues Olhares se perdem Sonhos se desfazem Somos reputados para a morte, para o vale de sombras Como anjos decaídos Anjos do cais Onde não se vê horizonte Onde o caminho do meio se bifurca em dois, três, mil nadas Onde, como loucas possuídas, clamamos por amor E ouvimos vozes ao longe a nos dizer adeus Onde plantamos flores e, cheios de esperanças Colhemos...
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