Abriu os olhos. Estava confuso, não sabia onde estava. Seus olhos demoraram a focalizar as imagens ao seu redor, pois a claridade bruxuleante do local tirava seu senso de direção e sua percepção de profundidade. Estava só. Aos poucos percebeu que estava num local fechado e muito amplo, parecido com um largo corredor e que não dava para divisar o seu fim. Querendo saber onde estava e porque estava ali, resolveu andar em direção ao que achava que seria o final daquele espaço. Andou durante minutos, horas, dias. Não soube mensurar quanto tempo ficou andando. A paisagem igual dava-lhe a impressão de que não saíra do lugar. Quanto mais ele andava maior a impressão de que estava parado no mesmo ponto. As paredes e o teto eram brancos e lisos, não havia nenhuma imperfeição ou sinal da presença de outra pessoa. Outro ponto que lhe chamou a atenção foi a ocorrência de total silêncio, não havia som algum, ao menos audível, ao seu redor. Confuso, cansado, perdido e com medo, resolveu parar. Sentou e se encostou à parede. Começou a assobiar uma antiga canção de infância. Pensava que jamais sairia dali. Jamais voltaria a ver outra coisa que não fosse um largo corredor com paredes brancas.
Olhou ao redor, estava visivelmente perdido e amedrontado. Em seu redor só existiam paredes brancas e lisas, à sua frente, um longo corredor. Ficou desesperado, começou a andar de um lado para outro e a procurar alguma brecha ou mecanismo na parede que abrisse alguma saída. De repente algo lhe chamou a atenção. Um assobio muito distante de uma triste melodia. Resolveu ir até ela. Pôs-se a andar, minutos, horas, dias, meses. Não sabe quanto tempo andou, apenas que quanto mais ele andava mais distante se tornava a melodia. Chorou.
Levantou-se assustado, pôs a mão no seu peito e percebeu que seus batimentos estavam acelerados. Resolveu ficar em silêncio para perceber seu corpo. Com isso pode ouvir, bem distante, um assobio e um choro. Resolveu ir ao encontro desses sons. Pôs-se a correr, minutos, horas, dias, meses, anos...
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