| PAI |
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Pai Quando a saudade aperta Procuro-te Em cada elemento da natureza Que com maestria me ensinaste a amar. Vejo neles a tua delicadeza Teu imenso coração desenhado no ar. Se eu procuro tua suavidade, busco-te na lua Que do céu me sorri tão tua E ainda encontro seu anil olhar Sempre a me falar! Seu cheiro encontro num botão a desabrochar, Na terra molhada, pronta para arar. A tua paixão pela ópera Encontro no cantar do curió, Dos pássaros, teu maior xodó, Que trinava tua canção, Ao nascer do dia, com exatidão. Vejo tua alma entre as verdes matas Que preservava com imensa devoção. Nas orquídeas encontro a beleza Do teu coração, pelas flores a tua afeição. Na estrelinha perdida no céu Encontro a tua admiração pelo belo, Pelo puro, pelo singelo! No rochedo encontro a tua determinação, A tua força e a tua proteção! No sol encontro o teu brilho e teu calor E a imensidão do teu amor! No espelho das águas Encontro a tua face Num entrelace de carinhos e afetos Neste vínculo secreto Que persiste entre nós E jamais se dissolverá! Porque pai, tu deixaste como herança, Não a tua abastança, Mas toda uma vida pautada Na retidão de caráter, na honestidade, Na simplicidade e sensibilidade. Tatuaste todo o conjunto de teus traços Na alma de tuas filhas Que sobrevivem nesta ilha Com o coração pleno de amor! E se a vida é cheia de percalços Guiadas por ti, nosso herói digno de fé Passamos por eles descalços Mesmo com bolhas nos pés, Buscando sempre a sombra das árvores As margens do rio, O cair da tarde E se o caminho é deserto Você sempre está por perto Num jardim de lembranças Amenizando nosso sofrimento! Pai, tu deixaste um belo exemplo Seus mais nobres sentimentos Que cultivamos num sólido templo!
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