| Escrito por camila meneghetti, em 08-08-2008 22:56 |
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E eu baixinho sempre dizia: "por favor continue, não pare nunca de
lembrar de mim". Ainda lembro do jeito que o vento tocava as folhas, do
sereno da noite, das estrelas no céu tão misterioso que de vez em
quando dizia : "Ele pode voltar, algum dia, ele pode voltar". Então eu
sorria olhando em volta e sabia que aquela solidão era minha apenas por
enquanto, que daqui a pouco você voltaria, que daqui a pouco o céu
teria certeza e eu nunca mais precisaria ficar naquele estado.
Mas
você nunca voltou, não presente, apenas deixou um buraco, deixou o céu
mentindo, deixou o sereno me encobrir, mas tudo bem por mim, eu já olho
para o céu com um olhar de quem se conforma e ouve pacientemente uma
história sem sentido. "Ele pode voltar, algum dia, ele pode voltar". Me
soa agora tão falso, tão utópico. Agora nem fico mais na escuridão da
noite, aproveitando a brisa, apenas me prendi aqui dentro, sempre
acreditando que amor a gente encontra, basta abrir os olhos, então eu
permiti, que venham outras histórias, doloridas, coloridas, mas que
venham. E que Deus não permita, que essa força misteriosa não permita
que acabemos no nada, que se for haver um reencontro que seja
fervoroso, amoroso, com gosto de aconchego, que eu nunca parta dos seus
braços. Porque eu não aguentaria, não saberia te olhar e pensar como
você é idiota, ou arrogante, que ninguém permita essa destruição de
imagem que tenho de ti. Que ninguém permita o fim, nem eu e nem você.
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