Considerações sobre o cinema. Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Nildon da Silva de Figueiredo, em 10-08-2008 21:04
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A arte acompanha a infra-estrutura da sociedade em questão, ainda que isso não se dê no mesmo compasso. De qualquer forma, a atmosfera cultural está sempre impregnada de elementos que são projetados dos contextos político e econômico. O filme é tido como uma contra-análise da própria sociedade, já que as imagens mostradas pelo cinema nada mais são do que uma construção de seleção e integração de imagens que buscam reconstruir uma história. Tendo isso em mente, podemos fazer uma rápida análise sobre as mídias visuais, mais especificamente sobre o cinema.
Desde dezembro de 1895, quando os irmãos Lumière, fizeram a primeira projeção pública da história em um café parisiense, o cinema mudou muito. A concepção e a relação do homem com a imagem em movimento também. Hoje a mídia visual ganhou status de "Quarto Poder Constituinte" de um Estado de Direito, ou seja, já foram os tempos onde ela era apenas a dita Sétima Arte. Mais ainda, o cinema passou a ser mercadoria, o ideal do entertainment estadunidense impregnou a lógica da produção cinematográfica.
Esse fato pode ser analisado sob dois olhares, um positivo e um negativo. No primeiro caso, nunca na história ocorreu essa grande quantidade de investimentos em produção de tecnologia, de matérias e recursos, criação de roteiros, etc. Tudo isso criou uma indústria sólida e que movimenta bilhões de dólares por ano, gerando empregos de forma direta e indireta. Há ainda a divulgação de conceitos e idéias em larga escala, democratizando formas culturais. Essa divulgação em larga escala também possui seu lado negativo, massificando o pensamento e perpetuando caricaturas e preconceitos. Outro ponto negativo a ser citado é a distorção do "aprender": quantas vezes já ouvimos pessoas falarem sobre deixar de ler um livro para ir assistir um filme baseado no mesmo? Hollywood é a síntese do cinema como mercadoria. Analisado-o como tal, ele não tem obrigação de ensinar, de fazer pensar. Sua única obrigação é a celebração do ócio, do divertimento e, obviamente, da fatura financeira.
Assim, ao assistir um filme, principalmente os de história, muito freqüentes ultimamente, lembre-se que o objetivo é o entretenimento. Utilizando o escritor Neil Gaiman, "são mensagens do País dos Espelhos e imagens em nuvens que mudam de forma: fumaça e espelhos, é tudo o que eles são".


Publicado em : Crônicas, Crônicas
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Comentários (1)
Postado em Liz, em 11-08-2008 19:36, , Membro Registado
Muito bom! Parabéns!
 
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