Bêbados, prostitutas, a merda do gordo e eu. Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Arostegui, em 11-08-2008 22:12
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Segurei o copo de cerveja alguns instantes no ar e olhei para os outros que estavam na mesa comigo antes de derramar um pouco na boca. Desceu amarga e gelada. Despreocupado, lancei meu olhar em volta. Na nossa frente uma mulher falava alto, quase aos gritos em alguns momentos. Junto com ela, mais umas duas garotas e três homens com cara de bêbedos seculares. As mulheres eram prostitutas, sem dúvida. Uma delas olhou pra mim com cara de sexo.

A mesa do lado tinha um casal de meia-idade, distinto. Falavam baixo e riam, provavelmente, de coisas inteligentes. Muito sem graça, mas convidativo.
Olhei para mesa atrás de mim, um cara gordo engolia uma comida que era mais gorda que ele. A bebida era algum desses refrigerantes diets. O gordo misturava a lavagem com farinha, molho e refrigerante, nessa exata ordem repugnante. Por alguns instantes me ocupei em imaginar como aquela comida descia pelo seu esôfago que, entre um espasmo e outro chegaria até ao estômago e ali permaneceria por algumas horas, dias até, sendo dissolvida pelas enzimas, indo pelo piloro, intestino delgado, intestino grosso, até que renasceria em forma de MERDA. Poético.

O garçom suava entre os atendimentos. Carregando as bandejas com eficiência e rapidez, parecia um malabarista, que sem as luzes do palco era triste e irritado. Desisti do garçom.
Voltei para minha mesa. Era a pior de todas, pelo menos para mim. Preferia a companhia do gordo e sua lavagem, que agora, me parecia apetitosa. O casal na minha frente, que não chamo de amigos porque são alguns poucos que possuem esse privilégio, discorriam sobre algo sem graça e desmotivante que, de maneira incompreensível para mim, os animava horrores...

O cara da ponta, a minha direita, era um daqueles tipos que se acha O engraçado, O inteligente. Para ele, as piadinhas com os outros são o motor de uma conversa que, no final, não é melhor do que a comida renascida do gordo na privada de sua casa!

A garota do lado dele, bem... Ela já foi pior. Mas não posso falar de alguém que ainda está na porra da puberdade! Querer aparecer e ser adulta é o mal de quem é jovem e sem graça.

Bebi da minha cerveja de novo e resmunguei atrocidades. Mentalmente, lógico. Nada de mal me fizeram essas figuras pálidas, o problema é comigo mesmo. Se os considero chatos, feios, sem graça, inertes na evolução humana, parentes próximos dos símios pré-históricos, narcisistas de suas inteligências e atitudes medianas, fracos de espírito, mal educados, analfabetos funcionais, refugo de suas próprias comidas... bem... isso é um problema meu.

Assim, preferi o silêncio.


Publicado em : Literatura - Contos, Diversos
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Comentários (2)
Postado em Fátima, em 18-08-2008 22:12, , Membro Registado
Gostei! Você tem um humor negro que me fascina. Li todos os seus textos. Bjim!
 
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Postado em Celina de Fátima, em 17-08-2008 21:18, , Membro Registado
As vezes fazemos de nossa vida  
um tedio, e olhamos pras pessoas  
como se fossem elas intediantes. 
e a vida delas parecem ser muito pior  
que a nossa! 
Bom seu texto  
Beijos
 
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