| Orgasmo cardíaco |
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Isabelita estava lá, como em todos os sábados. Parecia uma sereia bronzeada entre as enormes pedras do riachão, seu bate-esfrega de roupas deixando as águas leitosas de sabão. Seu Abel desceu a encosta íngreme serpenteando entre os carrapichos e as malícias. O sol a pino lhe fazia suar em bicas.
_Tarde Belita? _B’as tarde Seu Abel. _Quente né? _Dimais! Num sei Cuma o sinhô guenta í pá roça cum essa idade. _É o jeito m’afía. Ele apeou a enxada, a cabaça e a peixeira num canto qualquer e aboletou-se pesadamente a sombra de um ingazeiro. A bela matuta continuou como estava. Sentada na pedra, pernas entreabertas, o vestido de chita levantado até o meio das coxas. Inclinada sob as roupas que lavava, o pródigo decote revelava seios firmes a cada esfregada. A labuta fez ensopar o tecido ordinário e as auréolas mamiformes e escuras estavam nítidas. Seu Abel olhando de soslaio, encheu as mãos em concha com aquela água mineral e jogou sobre o rosto comentando: _Esse sol cunzinha o juízo... _I purquê num sí banha logo? _ Só adispois di voismicê acabá. _Sí banha cá rôpa di baxo homi. Aí eu apruveito e bato essa rôpa do sinhô, qui ta munto preta! _É qui fico incabulicido num sabi, voismicê tem idadi di fia minha. _Dêxe di bestage Seu Abel! Já sô muié feita viu? I nóis num ta fazeno nada dimais. _Num sei... _Andi homi, si avexe qui si não o só baxa e as rôpa num quára! Acanhado, Seu Abel entrou no riacho e com a água pelo umbigo, tirou as calças e a camisa, cheias de remendos e entregou a moça. Debalde foi a tentativa de ocultar sua masculinidade imperiosa. A cueca rota e esburacada nada escondia e o cristalino das águas amplia o que se configura numa jibóia submersa, uma anaconda ciclópica. A Isabelita com um olho lá e outro na roupa, remexendo-se inquieta sobre a pedra íngreme. Aumentou o ritmo das batidas e o balançar ritmado quase precipitava os seios grandes decote afora. Ousada ela ordena calma e imperiosamente: _Tira tomem a cueca qui num adianta vistí uma rôpa limpa i ôta suja! _Oxente Belita, tu ta doida? I vô fica disprivinido aqui? _Qué qui tem? Quem é qui vem nêssi fim di mundo? Tremendo, mas não de frio, tirou o que um dia fora uma cueca e jogou para ela, que olhou atentamente para o homem nu e depois para a peça íntima, que apesar de molhada apresentava uma estranha viscosidade na parte frontal. Deu um sorriso lúbrico e cheirou a peça, para total estranhamento do outro. _Essa minina ta é aluada! Num adianta lavá não, ta munto véa. _Lavo ainda assim. Sabi qui é a primêra rôpa de oto homi qui eu lavo tirano meu pai? Como veio ao mundo, o outro tentava esconder sob as mãos calosas o exorbe pênis, agora liberto. Ela se divertia, deliciada com o controle da situação. _Qui foi Seu Abel, ta cum frí? _Não, é qui to mei inveigonhado. _Apois podi í perdeno essa veigonha qui o sinhô vai mim ajudá a trocê umas rede. É o trabái mais pesado da lavage sabia? _Mais eu num posso fia! Num vê Cuma tô? Qui o povo vai dizê si subé? _Ninguém vai sabê di nada. I eu agaranto qui num vô ispiá essa sua coisa, qui eu já vi até dimais! _Cuma? _Ora Seu abel, acha qui dá pá iscondê um negóço dessi tamãe cum a água limpa assim? Há há há há há.... _Belita!!! _Vamu, venha mim ajudá qui eu num téim o dia todo! _Mais Belita... _Chêgui logo homi, num mim tiri a paciênça! _Intoci vô, mais é você qui tá afuleimano! Emergiu do poço qual um bombeiro, a mangueira colossal a verter água, apontando para o horizonte. Isabelita olhou extasiada e sem cerimônia comentou: _Nossa mãe do céu Seu Abel! Cuma é qui sua muié consegue? _O quê? _Aguentá isso aí dêssi tamãe! O sinhô é um alejado! _Adiscuipe, mais bem qui eu num quiria saí da água. _Dêxe de bestêra homi, eu tava mermo quereno vê! _Belita!!! Ai meu Padim Ciço... _O sinhô ta assim pú causa d’êu? _Não...Dêurmi livi... é...mim vala Frei Damião! _Entonce in quéim pensô? Nas cabra? _Cruis credo Belita, você tá malucano tá? _Entonce diga qui foi pu causa d’êu! _Ai Jisús...é... ta bom, toda vida qui li vejo fico assim... mais num é farta di respeito não, e.... _Dêxe pra lá Seu Abel. Eu num achei rim não. Até qui gostei. É a premêra vêiz qui um homi mim diz a verdade. Agora sei purquê os homi fica assim quando eu passo. Cada um segurava na extremidade das longas redes de varanda e torcia ao contrário do outro, até que saísse todo o excesso de água. Quatro redes depois: _Acho qui vô vistí as rôpa muiada mêrmo... _Num vai não! Inda quero qui o sinhô mim ajudi aqui! E tirou o vestido! Estava nua em pêlo! A visão do busto firme e do ventre já peludo fez o homem cambalear. O membro ficou ainda mais túmido. Isabelita exultava: _Nossa! Parece que vai isprodí! I essa bába pingano, o quí é isso? E tocou a glande eqüina. Ele, de olhos vítreos, estático, sem mover um músculo além do membro que ela examinava agora, falando para si mesma: _Nunca vi um assim di perto... téim um xêro di frêsco... i essas bola...paréci as dum tôro. Num cábi néim na mão...paréci um cabo di inchada... _Belita..eu num vô agüentá...eu vou... _Vai nada! Vai é isfregá minhas costa sem dá um pil, isso sim, e agora! Disse e mergulhou no riacho, de onde saiu com os cabelos emoldurando a perfeição. Seu Abel estava de sezão. Ela ensaboou-se toda diante dele, mudo, patético, todo a sua pulsação concentrada no pênis, que parecia sugar toda a sua vida para manter-se rochoso. Dedicou especial atenção aos peitos, e enquanto passava o sabão, olhava diretamente para o outro, como que instando-o a reagir. Ele não se moveu. O membro, entretanto parecia ter vida própria, palpitando loucamente e babando. Enfim ela pegou uma bucha de maxixe - uma espécie de esponja-e o entregou sem dizer palavra. Deitou-se de bruços sobre uma grande pedra. Seu Abel agora babava por cima e por baixo. Diante de si a visão mais linda da lascívia feminina. Como ele não se movia, ela o provocou mais: _Vai mim dexá isperano ô vai fazê arguma coisa? Andou até a pedra, agachou-se junto dela. E naquele momento, um homem pacato e cordato transmutou-se numa besta tarada. Pôs-se por sobre ela, segurou seus cabelos calma mas tenazmente, encostou a cabeçorra na entrada virginal lambuzada e penetrou-a. Ela pareceu não sentir dor, e veio com sua concha de encontro a estaca, gemendo prazerosamente. A metade foi o que ela suportou antes do orgasmo. Eletrizada, abriu-se toda, pedindo mais, pedindo tudo. Foi totalmente satisfeita. Não sentiu dor nenhuma. Tocou de sorte da completa penetração do outro ser simultânea ao seu êxtase. Melhor, teve uma sucessão orgásmica, em quanto a picarmada entrava e saía pacientemente ritmada pelo veterano fornicador. Cada movimento de vai e vem era seguido das súplicas dela para botar mais. Em três minutos a microscópica fenda recebia o membro jumêntico como o receberia a mais experiente e decaída mulher-dama. Num momento, ele acelerou as estocadas, apertou-lhe os seios com mais força.... _Ah...aaaaaaaahh... tudo... aaai... vai.... _Ahh... Belitaaaaaaaa..... aaaaaaahhhhh..... Aquele calor dentro de si deixou-a louca, transtornada. Não queria que aquilo fosse retirado de dentro de si jamais. Ficaram imóveis, na posição original do coito, por uns cinco minutos, até que o sol pôs-se a descer atrás do chapadão. Quando ela quis mexer-se sob a massa lânguida, ele caiu de lado, dentro da água, onde submergiu lentamente, os olhos fixos, a boca entreaberta, o membro ainda em riste, deixando na água um rastro alvirrubro. Fora fulminado no exato instante do gozo por um ataque cardíaco, eternizando aquele orgasmo sui generis.
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