| FRAGMENTOS |
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Ainda agora olhei para o céu, Mas tudo o que vi, foi a face da noite, Como uma elegante senhorita vestida de preto. Gélida, bela, inexaurível. Igual a tantas deixadas para trás, Relegadas ao esquecimento oportuno. Amiga insólita e fiel, amante, meretriz, Apegada a velhos caprichos e doces carícias. O vento cortante açoita, a pele arrepia, enquanto a cidade dorme. É apenas mais uma noite, que da minha varanda escura, perscruto o nada. As poucas pessoas que passam, alheias à figura imóvel Que do alto e distante, fita seus passos, Não sabem que tamanho é o medo e tacanha a coragem. Quem me dera, ter por companheira uma pequena gaita, Para que com seu choro em melodia, eu componha a canção perfeita. Mas os versos fogem, ante a minha insistência. Queria dizer-te palavras doces, reservar-te meu melhor sorriso, Mas tudo o que tenho, é um lamento. Meus lábios se fecham, nos meus olhos já não há mais a luz de outrora. Meu coração, em clausura, Sozinho chora. As sombras rondam, a solidão espreita. Em minha torre, lembro de ti. És tão rápido em machucar, ligeiro em teu julgar. E impiedosamente desfere a sentença. Meu coração, nesse momento é dor, em pedaços feito, Por tuas mãos habilidosas e palavras implacáveis. Como frio metal, corta, fere, mutila. Mas em minha varanda escura, me lembro do teu amor, Como ungüento que sara e o bálsamo que alivia, Recordo-me dos teus beijos e a escuridão se dissipa, deixando-me em adormecência de calmaria.
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