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Escrito por Helena Karsof, em 07-11-2007 23:53
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Ainda agora olhei para o céu,

Mas tudo o que vi, foi a face da noite,

Como uma elegante senhorita vestida de preto.

Gélida, bela, inexaurível.

Igual a tantas deixadas para trás,

Relegadas ao esquecimento oportuno.

Amiga insólita e fiel, amante, meretriz,

Apegada a velhos caprichos e doces carícias.

O vento cortante açoita, a pele arrepia, enquanto a cidade dorme.

É apenas mais uma noite, que da minha varanda escura, perscruto o nada.

As poucas pessoas que passam, alheias à figura imóvel

Que do alto e distante, fita seus passos,

Não sabem que tamanho é o medo e tacanha a coragem.

Quem me dera, ter por companheira uma pequena gaita,

Para que com seu choro em melodia, eu componha a canção perfeita.

Mas os versos fogem, ante a minha insistência.

Queria dizer-te palavras doces, reservar-te meu melhor sorriso,

Mas tudo o que tenho, é um lamento.

Meus lábios se fecham, nos meus olhos já não há mais a luz de outrora.

Meu coração, em clausura,

Sozinho chora.

As sombras rondam, a solidão espreita.

Em minha torre, lembro de ti.

És tão rápido em machucar, ligeiro em teu julgar.

E impiedosamente desfere a sentença.

Meu coração, nesse momento é dor, em pedaços feito,

Por tuas mãos habilidosas e palavras implacáveis.

Como frio metal, corta, fere, mutila.

Mas em minha varanda escura, me lembro do teu amor,

Como ungüento que sara e o bálsamo que alivia,

Recordo-me dos teus beijos e a escuridão se dissipa,

deixando-me em adormecência de calmaria.
Publicado em : Literatura, Poesias
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