| EU-CONTRADIÇÕES |
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Você conhece aquela comidinha mineira gostosa, com sabor de saudade da infância, feita à base de fubá de milho? Se não conhece, deveria... Angu com couve é uma das minhas maiores perdições e hoje, especialmente, me colocou de frente com minhas muitas contradições...
Há em mim uma porção moderna, tipo avançadinha demais, que em pleno século XXI ainda insiste em querer comer angu com a mesma ânsia que, quando criança, me impelia para os sorvetes. Uma outra que, contrapondo-se à mulher madura, é moleca o bastante para sentir prazer em pequenas coisas, como andar descalça na enxurrada, rir até chorar, cantar no chuveiro [alto, bem alto, sem pena dos ouvidos vizinhos], passar a noite teclando no messenger... Rebelde o suficiente para primeiro falar e só depois pensar... Mãe ditosa, chata, preocupada, quadrada, que passa noites acordadas esperando os filhos ou num boteco com eles. Ou dias e dias pendurada num alambrado qualquer, torcendo até ficar rouca pelos gols que não virão. Rude... Ridiculamente rude consigo mesma para quem sempre se dedicou a vida inteira a amar... aos outros... Infinitamente contraditório, tenho um lado submisso demais para o tamanho da minha independência. Independência essa que trava batalhas homéricas numa tentativa vã de conciliar a profissional, mãe, mulher, dona de casa, numa pessoa só, especialmente nesse momento em que me divido ainda mais com uma nova paixão. Feita de metades, busco os pedaços que me faltam para me completar, mas me fascino muito mais com a busca, que propriamente com as partes que consigo encontrar... Goiabada sem queijo, pipoca sem guaraná... E, por que não?... O velho e bom angu, quase sempre com os caroços...
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