As pérolas dos vestibulares Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Sonia Amélia, em 16-08-2008 09:22
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Toda vez que disponibilizam as correções das redações dos vestibulares, corre livremente pela Internet as pérolas "redassionais" daqueles que estão, ao mesmo tempo, correndo atrás de uma melhor escolaridade e tentando colocação no mercado de trabalho.

Como a maioria das pessoas, não me furto a rir. Afinal, com sinceridade, mais que erros grotescos, essas pérolas valem-se de uma originalidade e criatividade que até amedronta... Como uma atribuída a um vestibulando da PUC-Rio (2007), cujo título da redação era "Sobrevivência de um aborto vivo", entre outras... Destaco a imponência desse título. Imagine o amigo, se o autor dessa "çenssassão" soubesse do que está falando, com que soberania estaria tratando do assunto...

Obviamente, como não escondo de ninguém a afinidade que me liga às palavras, isso também me faz sofrer. Somatizo toda essa "inguinorância" e tenho acessos nevrálgicos... Dói-me da ponta dos pés até ao último fio de cabelo, mas, confesso... Dói-me muito mais a alma, porque, acreditem ou não, muitos desses novos "Aurélios" vão, sim, entrar para as Faculdades e, pasmem!... Vão se formar e atuar no mercado.

E o pior ainda está por vir... Já se imaginaram se consultando com um médico que tenha escrito sobre a "sobrevivência de um aborto vivo"??? Sim, porque estes serão os médicos que vão diagnosticar e tratar os nossos filhos, os advogados daquela causa vital para a sobrevivência da sua empresa, o engenheiro agrônomo que instruirá [ou destruirá???] a plantação de uma horta orgânica que fatalmente nos contaminará e assim por diante.

Aliás, por falar em contaminação, é bom salientar que está ocorrendo uma epidemia muito grave, cujos sintomas, causados pela falta de leitura, quando não pela preguiça de escrever, de falar, de escutar e de estudar, tem atingido índices alarmantes e que vem passando despercebida pelos nossos governantes.

Sofre a língua portuguesa hoje, sofreremos nós amanhã...

Sabe-se que a não retenção dos alunos [repetência] nas séries escolares parte da necessidade de atender às imposições do Banco Mundial. [Nação sem níveis ótimos de escolarização não correspondem ao perfil exigido para negociações com esta entidade] Entretanto, essa submissão aos desmandos capitalistas tem transformado nosso país em uma pátria de "desalfabetizados", aqueles que, desnutridos de conhecimentos, embora vítimas do excesso de informações veiculadas por todas as mídias, não sabem o que fazer com elas.

É aquela velha história de que ouviram o galo cantar, mas não sabem onde.

Só vejo duas alternativas para por fim nesse caos... Ou trazem o galo para mais perto dos ouvintes, ou abrem os ouvidos destes... Caso contrário, meus amigos, daqui há pouco estaremos todos nós contaminados... Ou o que é pior... Sendo discriminados por falarmos ou escrevermos corretamente...


Publicado em : Crônicas, Crônicas
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