EFEITO DIAMANTE Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Sonia Amélia, em 16-08-2008 09:42
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Se tem uma realidade incontestável é que a maturidade vai nos fazendo ficar mais seletivos... Ou “apurados”, como queiram.

Não fugi à regra.
Hoje sei muito mais o que desejo, enquanto há algum tempo atrás eu só sabia o que 'não' queria.

Sim... Hoje tenho muito mais desejos.

Reconheço com mais facilidade as minhas emoções, podendo até nomeá-las. Coisa difícil, antes.

Por outro lado, aprendi, sobretudo, a detectar suas causas e prever os efeitos delas sobre mim.

Não sei se o efeito diamante também é regra.
Trata-se daqueles casos em que a pessoa se torna mais dura com o passar do tempo, embora lapidada e com mais brilho.
Ganha-se um polimento pessoal, que invade tanto o campo profissional quanto o social:
uma espécie de verniz que esconde, com seu ofuscante luzir, a verdadeira essência.

Por ter observado tanto isso nas pessoas que me cercam, tentei me livrar dele, mas acabei sucumbindo, pelo menos em partes...

As lágrimas fáceis da juventude se tornam raras e as demonstrações de sentimento, o impulso transformador, a coragem de enfrentar desafios, vão sendo, paulatinamente substituídos pela ponderação, pelo medo de arriscar e principalmente de perder.

Chamam a isso de equilíbrio. Também obtive minha porção. Não exagerei na dose, confesso, mas ganhei um bocado.

Encontro-me na fase mediana. Casa dos 40... Dizem que de intensas reflexões.
Talvez...

Mas, se também nisso não fugi à regra, posso afirmar que os seus efeitos não são lá muito animadores.
A continuar assim, tenho medo dos resultados finais. Onde, ou melhor, como estarei daqui há alguns anos?

Uma vez li em um desses livros que jorram auto-ajuda, que nossos sonhos precisam ser altos.
Nele, aprendi que se deve mirar a lua, porque se errarmos, na pior das hipóteses acertaremos as estrelas.
Achei a metáfora tão interessante que a trago escrita na primeira folha de todas as minhas agendas, ano após ano.

Isso tem me tornado convicta de que não quero me tornar uma pessoa literalmente envelhecida. Não de idade, que a isso faço questão de não me furtar.
Quero viver muito para ter tempo de curtir os netos que certamente hão de vir...

Refiro-me à questão da intensidade de vida.

Tenho visto tantas pessoas ao meu redor que por medo, comodismo, ou sei lá o quê, com o passar do tempo deixam suas almas envelhecerem...

Não sei como, mas conseguem viver sem sorrisos, sem ternura, enrustidas...
Enclausuradas numa encimesmação tão violenta, que não enxergam nada além de dor e sofrimento. Voltadas para o passado, não fazem expectativas para o futuro, como se envelhecer fosse sinônimo de deixar de viver...

Contudo, não se pode deixar de afirmar que existem pessoas que envelhecem diferente, e é dessa turma que quero fazer parte.

Conheço um senhor de 74 anos, absolutamente jovem.
Ele planta sementes de aroeira, árvores que só vão germinar daqui a 20 ou 30 anos, e ainda acredita que se sentará à sua sombra.
E que dizer de uma outra, que também é um exemplo de vida, que quase aos sessenta anos, apenas com o primário completo, entrou para a escola, numa tentativa de recuperar o tempo e os sonhos perdidos e da qual tive noticias ontem mesmo de que está cursando a Faculdade?

Isso é viver!

Não quero esquecer que viver com intensidade requer coragem, convicção nos ideais, mas, sobretudo, vontade e coragem para assumir esse risco...

Quero chegar nessa idade colhendo as esperanças que planto hoje. E audaciosa o suficiente para empreender buscas intensas sobre mim e ainda assim continuar sonhando...

E é porque desejo verdadeiramente que nos encontremos nesse futuro, que resolvi escrever para você.
Ame, corra, conte histórias, sofra quando for inevitável e chore... chore sempre que tiver vontade.
Reclame de algo, mas apresente soluções. Se deixe afagar, abrace, passeie de mãos dadas...
Faça de tudo um pouco e com muita intensidade.
Viva!


Publicado em : Crônicas, Crônicas
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