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Conto Número 10 - Grisalho Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Bruxa dos Contos, em 16-08-2008 11:42
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Há olhares que dizem tudo e silêncios que revelam segredos.
Durante toda a noite olhares e pensamentos se cruzaram pelos salões da adega onde estávamos.

Eu de longe observava o homem grisalho, admirando seu porte e sua simpatia enquanto conversava com os seus. E sei que também fiz-me notar porque não foram poucas as vezes em que nossos olhares se cruzaram.

A casa não estava cheia, mas também não era de toda deserta. Havia risos e ruídos pelo ar, mas minha mente vagueava em pensamentos com o grisalho... via suas mãos grande e imaginava como seriam elas tocando em mim.

Não sei se por efeito do vinho que bebi - apenas meia taça -, ou se pelo descontrole dos meus pensamentos, um calor sufocante tomou-me o corpo deixando-me inquieta e ligeiramente irritada.
Pedi licença aos amigos e retirei-me para buscar um pouco de ar fresco no jardim.
A lua estava fascinantemente bela ... branca e majestosa brilhando intensa num céu que parecia só a ela pertencer.

O jardim estava deserto ... talvez o frio da noite tenha inspirado os freqüentadores à buscarem aconchego no interior da casa. Fato lamentável, porque cá fora a natureza era toda espetáculo e o cheiro de jasmim no ar reforçava ainda mais o convite para ali ficar. Mas o frio realmente não estimula a demorar.
Mesmo assim resisti e resolvi caminhar pelo jardim, sozinha com meus pensamentos e em companhia daquela que brilha e atiça-me fantasias.

Em meio aos meus passos, sinto-me observada ... olho por sobre o ombro e percebo que o grisalho me segue, segurando algo que imaginei ser a sua taça de vinho..
Ignoro-o, apesar de saber que ele sabe que o vi ... sigo com o meu caminhar ...
Vou dando voltas por entre os canteiros e árvores .. afastando-me da entrada principal da casa ... e ele a seguir-me cada vez mais de perto...

Por fim chego ao limite extremo do jardim. Uma mesa de madeira, acomodada sob as árvores e agora, à noite, à sobra da lua, serve-me de assento ...
Atrevidamente acomodo-me sobre ela e ... com um sorriso matreiro ... encaro o grisalho que se aproxima.

Fitando-me nos olhos e sem mudar o ritmo dos passos, ele vêm a mim e me saúda com um ‘Boa noite ... vinho ??' e ergue as taças e a garrafa que trazia em mãos.
Olho para aquela cena e lembro do calor que senti instantes antes ... ‘Claro, por que não ?', respondi ... e seja o que os céus quiserem, pensei...

Com taças servidas até a metade brindamos à lua que ele também admira. A bebida espanta o frio da noite. A conversa flui naturalmente: trabalho, lembranças de infâncias, amigos, preferências musicais, cinema ... é como se ao invés de estranhos fôssemos antigos amigos que se reencontram.

Mas o vinho e a lua não perdoam e os olhares trocados ficam cada vez mais provocantes. Com malícia e pouco caso cruzo as pernas deixando a fenda lateral da saia abrir-se e exibir o contorno de minhas coxas.
Ele responde no ato ao meu ataque e com igual descaso curva-se sobre mim para pegar a taça que pousei do meu outro lado, sobre a mesa, e me oferecer mais vinho... sinto o perfume e o calor que emana da sua pele ... bandido ! O contra ataque dele foi pior que o meu ! Só de captar sua energia já senti umedecer-me.... poderia ter roçado o braço em meus seios, discretamente, como quem não quer nada .. mas não o fez ... e o fato de não o fazer deixou-me ainda mais atiçada do que eu ficaria se o tivesse feito.

Respiro fundo e tento controlar-me, mas aquele olhar não deixa ... depois desse duelo de sedução o silencio reinou absoluto ... com seu olhar bem dentro do meu, eu viajo em fantasias ... deliro com pensamentos obscenos, despertando em mim a libertina que sou e que há horas tento conter...

Cansei de esperar. Puxo o grisalho pela gola da camisa e selo em seus lábios um beijo intenso, dividindo com ele o pecado dos meus desejos ... e dissolvendo-lhe a decência que o impedia de desrespeitar-me.

Sem mais demoras ele põe-se de pé entre minhas pernas e corresponde ao meu beijo enlaçando-me pela cintura e colando o seu peito ao meu.
Sentada à mesa enrosco minhas pernas em suas coxas e forço meus joelhos contra o seu quadril, exibindo-lhe a força das minhas pernas e a fome do meu corpo.

O homem, antes sereno e quieto, agora invade minha saia com sua mão, buscando sentir nos dedos o mel que a luxúria dos meus pensamentos faz-me produzir.
Geme gostoso, enquanto me beija, ao sentir que, de tão molhada, já encharquei até a calcinha ... e eu retribuo com um suspiro contido e cheio de satisfação quando ele invade meu corpo e busca o mel direto da fonte ... ‘que dedos maravilhosos você tem', sussurro entre gemidos ...

Podemos ouvir a música que vem da adega, e o ruído das conversas dos freqüentadores ... tal coisa poderia nos inibir ... ao menos DEVERIA nos inibir ... mas o efeito é inverso: nos excita. Somos todo atrevimento.
Ele põe-me deitada sobre a mesa e ergue toda minha saia ... ao ter minhas carnes expostas, sinto o frio da noite beijar meu fogo ... e isso dá-me um arrepio gostoso.
Compartilho com meu homem mais um beijo, acariciando seus cabelos enquanto ele desabotoa minha camisa expondo meus seios à noite ... e a seguir suga-os por sobre a fina renda da lingerie que os cobrem ... delícia de boca !

Mais uma vez ele invade-me com seus dedos e fica a observar o poder que tem sobre mim, vendo-me arranhar a mesa com o salto do meu sapato enquanto contorço-me de prazer...
Com os olhos fechados concentro-me no vento, na luz branca da lua e nas maravilhas que aquele grisalho me faz sentir ... é quando sinto um líquido quente jorrando sobre meu clitóris, escorrendo pelos meus lábios íntimos e provocando uma ardência tão surpreendente que chega a me assustar, mas que não deixa de ser excitante.

Abro os olhos pra entender o que se passa e vejo-o com uma taça na mão ... ele sorve um pouco do vinho, aquece-o mais ainda em sua boca, e a seguir banha meu sexo com ele ... enlouqueço ao ver aquilo ... eu que já considerava-me tão experiente no assunto sou surpreendida com algo que nunca havia sequer imaginado .. e que sensação prazerosa é essa ardência que em mim provoca.

E ele não para ... agora suga-me sentindo em sua boca o gosto do meu mel misturado ao sabor do vinho ... a avidez com que me suga faz-me quase desfalecer de desejo.
Busco desesperadamente aproximar o corpo dele do meu ... Inclino-me um pouco pra fora da mesa e puxo-o pela calça ... apresso-me em abrir-lhe o zíper e trago pra fora seu membro que já tem a glande brilhando de tão rígida.

Sugo-o sem pudor ... com a mesma intensidade com a qual sou domada por sua boca. Sinto-o pulsando e deleito-me com o gosto do seu mel que se espalha em minha boca ...
Ele intensifica os carinhos que faz em mim, e eu não poupo esforços em retribuí-los. E não nego que aquele membro rígido, latejado em minha boca, deixa-me extremamente excitada.

Num movimento ríspido ele priva-me daquele prazer, afastando-se por uns rápidos instantes e pondo-me de bruços sobre a mesa, com as pernas voltadas para fora. Sinto então ele roçar, com sua glande, o meu bumbum e o meu sexo ... que rígido ele esta .. que delícia ... quero tudo dentro de mim ...

Estou tão intumescida de desejo que ele custa a penetrar-me .. fica a acariciar-me com sua virilidade ... puxa-me pelos cabelos e sussurra ao meu ouvido ‘você é o tipo de mulher com quem eu gostaria de ficar várias horas, na escuridão total...só eu e você ..., com uma música lenta tocando ... muito perfume no quarto ... a janela entreaberta para deixar a lua aparecer ... um vento ralo soprando na cortina....'

Ai ... em meio a tanta luxúria ele ainda fala essas coisas ... me entrego inteira.
Sou dominada na razão e na emoção. E aproveitando-se da minha fraqueza ele então invade-me, num movimento intenso e contínuo, com sua espada viril.
Quase desmaio de tanto prazer ... tendo ele a puxar meus cabelos e investir fortes estocadas em mim ... coloco uma das pernas sobre a mesa, pra permitir uma penetração mais intensa ... agarro-me como posso, pra não perder o equilíbrio .. e entre gemidos de sussurros imploro que ele me tome com toda a intensidade de que for capaz.

E assim ele o faz ... agarra-me firme pelas ancas e atende ao meu desejo, saciando também a sua fome ...
Como um mestre na arte de amar ele alterna seus movimentos de intensos - ao ponto de me desmontar -, à suave - ao ponto de unir-nos em uma dimensão desconhecida, distinta dessa- ... é quando ele me abraça por traz, pousando seu rosto em minhas costas ... beijando-as enquanto acaricia meus seios e eu aproveito pra rebolar suavemente o meu quadril, roçando sua masculinidade dentro de mim ... e sentindo seus pelos acariciando o meu bumbum ... delícia de homem !

Ele volta a pôr-me de frente ... sentada sobre a mesa ... aquece toda a minha pele com seus beijos ... rosto ... ombros ... braços ... seios ... ventre ... coxas ... sexo ... pernas ... pés ... e boca ....
E, enquanto me beija, penetra-me novamente ... impossível contermos os gemidos durante esse ato de senti-lo, tão grande, preenchendo-me por completo.

O grisalho não cansa ... passa os braços por sob as minhas coxas e suspende-me no ar. Penetra-me então assim, de baixo pra cima, com meu corpo inteiro colado ao dele e meus cachos caindo por sobre seu rosto, cobrindo-lhe a face.
Selamos os lábios num beijo intenso ... tão intenso quanto os golpes com os quais me ataca.
Eu o beijo ... mordo ... arranho ... suplico que não pare ... minha pele arrepia num frio quente ... sinto o coração dele disparado batendo contra o meu ... e em meio à tanta exaltação gozo sufocando meu grito entre seu ombro e meus braços ... apertando firme minhas coxas em seu quadril ... cravando minhas unhas em suas costas ...

E antes que meu êxtase termine escuto-o gemer de prazer também ... estremeço ao sentir seu jorro dentro de mim enquanto ele morde meu pescoço e aperta firme meu bumbum, puxando-me contra seu corpo ... colando-se a mim como se de dois fossemos um.

.............. A fraqueza vem em seguida e ele cai de joelhos ao chão, comigo sentada a seu colo, ainda enlaçada a ele ...
Impossível conter o riso ... um grisalho e uma mulher madura agindo como adolescentes que não conseguem - nem querem tentar - conter seus instintos ... trocamos beijos e selinhos entre sorrisos e olhares maliciosos, quando notamos que, ao longe, alguém se aproxima.

Um dos meus amigos saiu à minha procura, pois estranhara a minha demora ...
Não há tempo para despedidas .. rapidamente me recomponho, fechando a camisa, baixando a saia e arrumando o cabelo ... o grisalho afasta-se por um lado enquanto eu, pelo outro, vou ao encontro do meu amigo .. ainda de perna bamba e tentando disfarçar a respiração ofegante ...

‘Você esta bem ?', pergunta ele preocupado comigo ... respondo que sim, colocando a mão no pescoço pra esconder a marca da mordida que com certeza ficou ... é quando sinto que minha mão cheira a sexo ........ e rio escondida pensando no cheiro que deve estar na boca do grisalho.
Aviso ao meu amigo que vou ao toalete e afasto-me o mais rápido que minhas pernas tremulas conseguem me levar.

Lá fito-me no espelho com olhar de reprovação, mas a imagem que eu vejo refletida tem um sorriso safado ! ... que loucura ...
Lavo o rosto, as mãos ... e confirmo a marca no pescoço ... felizmente o cabelo longo e volumoso pode me ajudar a escondê-la.
Volto para a mesa com a cara mais lisa do mundo. Perguntam porque eu demorei no jardim e eu respondo ‘foi culpa da lua', apontando para a bela cheia lá fora ... sabendo da minha paixão por ela, ninguém questiona mais nada ...

Com um olhar discreto busco o grisalho, mas a mesa na qual estava com seus amigos encontra-se vazia ... que pena.
Já é tarde, hora de ir embora. O vinho faz maravilhas conosco e a brincadeira agora é saber quem vai poder dirigir o carro ... como fui a que menos bebeu (assim eles pensam), por ter passado a maior parte do tempo fora da mesa, sou a escolhida.
No descuido entre as gargalhadas e repreensões pelos exageros da noite, esbarro em alguém que estava à porta da adega: o grisalho ... rapidamente e com descrição ele põe algo em minha mão, encara-me com um sorriso, e segue em direção oposta.

Entro no carro e enquanto espero os amigos acomodarem-se e apertarem os cintos, olho rapidamente o papel que ele me passou. É o seu cartão de visitas, com nome, endereço, telefone ... e atrás tem escrito: ‘você é o tipo de mulher para se curtir a sós por muito tempo. Você me fez remoçar...'
............. incrível ... até longe ele me faz pulsar por ele ... olho pra lua que já ruma em direção ao poente e falo baixinho: ‘culpa sua, não é, perigosa ?'

A algazarra dentro do carro é total. Sinto-me acompanhada por um bando de crianças do pré-escolar. Realmente eles não tem condições de dirigir.
Apresso-me a levar cada um às suas casas e, chegando à minha, jogo-me na minha cama e fico à pensar na loucura que fiz essa noite ... no grisalho com fôlego de adolescente e criatividade de mestre.

Olho para o cartão em minhas mãos .. ‘amanhã é um novo dia .... mas a lua ainda vai estar cheia', penso eu ... e adormeço.


Publicado em : Eróticos, Contos Eróticos
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Comentários (3)
Postado em Catucha, em 07-09-2008 23:31, , Membro Registado
:) Bruxa dos contos, você deveria se chamar "Rainha dos contos".Você não faz uma narrativa do desejo e excitação entre homem e mulher, você vive-o para nós.A cada parágrafo que te lemos, aumenta o batimento cardíaco, aumenta a fantasia, a imagem que se forma em nossa mente com perfeição. Você é demais! Beijos.
 
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Postado em Pitz, em 17-08-2008 21:46, , Membro Registado
Nossa Bruxa... Que véio de sorte! 
Viajei toda a cena. Você nos conduz magicamente, um perigo para quem anda celibatário. 
 
Ótimo conto! 
 
:zzz
 
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Postado em Lucelio Garcia, em 16-08-2008 23:11, , Membro Registado
:p Que belo conto. Parece que as cenas descritas são reais e todo o entorno onde ele se desenvolve é coberto de emoção. Trata-se de um texto com alma, vida e cheiro de amor. 
O conteúdo é denso e romântico.
 
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