POR UMA NOVA REVOLUÇÃO Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Sonia Amélia, em 17-08-2008 09:23
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Acredito que a verdade seja como a faca, que nos fere a carne.
Assim como que ela pode se tornar um incômodo difícil de ser tolerado. Mesmo assim me arrisco...
Afinal, existe algo mais incômodo do que ter que tolerar as imposições atuais que são feitas às mulheres?

(Espero que as feministas se desarmem e que tentem me compreender e perdoar, depois de lerem até o final).

Não se trata de um caso típico de vira-casacas, uma vez que sempre defendi com unhas e dentes o direito de trabalhar fora, de ser reconhecida como profissional, enfim, de ter direitos tanto quanto os homens.

Mais ainda: confesso que, por muitas vezes, me senti – e ainda me sinto - sufocada pela pressão machista de nossa sociedade, que ditava - e ainda dita - moldes a serem seguidos, quase sempre baseados na submissão feminina.

Entretanto, compreendi, a duras penas, que nossa emancipação não facilitou em nada a vida das mulheres.
Além de quê, ela tem acontecido de uma maneira totalmente desconectada da realidade.

Sim, é verdade... Hoje trabalhamos. Temos casos de mulheres ocupando cargos antes absolutamente destinados aos homens. Tornamo-nos importantes. Somos reconhecidas e até mesmo preteridas para a realização de algumas funções para as quais nossa sensibilidade e destreza superam as dos homens.

Mas, por outro lado, não nos desvencilhamos das tarefas culturalmente destinadas às mulheres.
Ao contrário, apenas “acumulamos” funções.

Além de profissionais, somos também mães, donas de casa, companheiras de nossos maridos e, via de regra, suas amantes. E, para cada uma destas funções, são nos imputadas inúmeras tarefas: lavamos, passamos, arrumamos a casa e cozinhamos. Ensinamos as crianças a se portarem em sociedade, auxiliamos nos deveres de casa, levamos ao dentista e ao pediatra, tudo isso depois de passarmos noites em claro, velando seus sonos, rezando por seu futuro...

Apoiamos nossos maridos quando algo os perturba, evitamos contar as proezas dos filhos para que ele não se sinta pressionado, fazemos vistas grossas às suas escapadelas, abrimos mão de suas companhias no final de semana para que eles se desestressem no futebol ou no bar, na companhia dos amigos.

Um número crescente e substancial de mulheres acumula ainda as funções de pai, no sentido literal, e também no de provedor da casa.

Sei que a lista não pára aí, mas seria inútil encompridá-la.
Basta dizer que, além de tudo, somos induzidas a pensar que devemos fazer tudo isso e ainda nos sentirmos felizes e recompensadas.
Como se isso fosse possível...

Sem dúvida houve um grande progresso, embora seja preciso ressaltar que há, ainda, muito o que se fazer.

Na ilusão do sexo livre a mulher é ainda taxada de vulgar e sem princípios.
Apesar de termos uma legislação avançada como a atual Lei Maria da Penha, paradoxalmente convivemos ainda com a impunidade de homens agressivos, torturadores fantasiados de maridos, de pais ou de amantes.
E com mulheres que temem denunciá-los por viverem coagidas, sob ameaças.

Quanto mais me aprofundo nessa reflexão, mais acredito que aquelas que nos antecederam nessa luta, erraram.
E erraram feio...

O certo é que, antes de lutarem para que as mulheres se igualassem aos homens, deveriam ter batalhado com todas as suas forças para que os homens se igualassem às mulheres.

Que os ensinassem a se sensibilizar com outros seres humanos e a respeitá-los; a amar incondicionalmente seus filhos e a cuidar deles com esmero, não se preocupando exclusivamente com seu sustento; a se sentirem iguais e não melhores que suas esposas e companheiras; a dividirem tarefas e, sobretudo, pensamentos e emoções.

Se há, ainda, uma ou mais mulheres que ainda não esteja com suas forças exauridas devido às jornadas cada vez mais exaustivas de trabalho e ao acúmulo de funções, fica aqui a dica para que concebam uma outra revolução, baseada dessa vez numa reeducação masculina.

As mulheres agradecem.
E penso que, no futuro, toda a sociedade agradecerá também.


Publicado em : Crônicas, Crônicas
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