| A Família |
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Hoje , ao abrir o jornal e deparar-me com mais uma triste história de desentendimento entre filhos e pais - e esta chegou ao paroxismo, pois culminou com o assassinato do pai pelo filho, veio-me à lembrança um antigo conto (short story) americano , de autor desconhecido. Intitula-se FAMILY (FAMÍLIA), que abaixo passo a narrar na primeira pessoa.
"Hoje pela manhã, caminhando apressada para tomar a condução que me levaria ao trabalho, esbarrei em um homem e, educadamente, pedi-lhe desculpas. Ele respondeu-me: "a culpa foi minha. Estava distraído, pensando em outras coisas, nem vi a senhora..." Após as 'desculpas', seguimos nossos caminhos e, muito provavelmente, nunca mais nos veríamos. Todavia, em casa, mais tarde, agi de forma diferente. Enquanto preparava o jantar, após um dia exaustivo de trabalho, picava eu legumes na bancada da cozinha quando minha filha de seis aninhos aproximou-se e ficou ao meu lado quietinha, sem dizer palavra. Não percebi sua presença, pois estava a pensar nos problemas que o chefe ranzinza tinha criado por pura implicância, ao mesmo tempo em que estava preocupada em colocar o jantar na hora. Ao virar-me rapidamente, esbarrei em Jessica, vindo a tropeçar. Asperamente, quase aos gritos, falei: "Saia do meu caminho!" Minha filhiinha baixou a cabecinha e afastou-se triste e vagorosamente de mim, saindo da cozinha. Mais tarde, já deitada, minha consciência falou-me alto e fundo: "Hoje trataste um estranho de forma cortês... ao passo que a tua filha, a quem tanto amas... Vai à cozinha e verás algumas flores esparramadas no chão. Ela as segurava nas mãozinhas para dar-te. Colheu-as nas cores rosa, amarelo e azul, pois sabe o quanto as aprecias - e nessas cores... Manteve ela quietinha ao teu lado, pois sua intenção era surpreender-te... quando falaste com ela grosseiramente, nem mesmo chegaste a ver as lágrimas que lhe rolavam pela face..." A essas alturas, era eu quem não mais conseguia conter as lágrimas. Levantei-me rapidamente, fui à cozinha e vi, em um canto, as flores, já murchas. Apanhei-as, coloquei-as em um vaso e a tristeza tomou conta de mim. Deveria ter contido meu temperamento. Senti-me totalmente culpada por ter feito com que minha Jessica se entristecesse, quando o que ela queria era alegrar-me. Como pude ter agido de maneira tão impensada? Não me contive. Não havia como esperar até o amanhecer. Fui até o quarto de Jessie (assim a chamamos carinhosamente). Ajoelhei-me à cabeceira de sua cama, toquei-lhe os louros cachos que lhe cobriam as rosadas faces, beijei-as com ternura. Ela acordou e, com se olhar de anjo, sorriu-me e perguntou-me com vozinha suave: "o que foi, mamãe?" Disse-lhe, com voz entrecortada pela emoção e arrependimento: "Filhinha, são essas as lindas flores que colheste para mim?" "Sim, mamãe", respondeu-me ela com um sorriso desenhado em seu lindo rostinho. "Eu as colhi pois são tão lindas quanto tu és e eu sabia que gostarias, principalmente das azuis, pois são da cor dos teus olhos" - que são da cor do céu ... Disse-lhe eu, acariciando-lhe a cabecinha repousada sobre o travesseiro: "filha querida, sinto muito mesmo pela forma como te tratei antes do jantar. Desculpa-me, meu amor. Nunca deveria ter gritado contigo". Jessica respondeu-me com voz angelical: "está tudo bem, mamãe. Eu entendi. Não te preocupes. Amo-te de qualquer forma..." Tomei-a em meus braços e sussurrei-lhe: "também te amo, minha filha - e muito! Gostei das flores que para mim colheste! Olha! Estão reavivadas pela água do jarro! São realmente muito lindas, com cores vivas, alegres! Muito obrigada meu amorzinho!" MORAL DA HISTÓRIA Conscientiza-te do que é realmente importante em tua vida. Se morreres amanhã, a companhia para a qual trabalhas em breve colocará outro empregado em teu lugar e logo serás esquecido. Todavia, a família que deixarás aqui, sentirá sempre tua falta... nos menores detalhes, por mais que tenha havido desentendimentos entre vocês, acima de tudo, há amor. Pensa! Dedicamo-nos, maioria das vezes, mais ao trabalho do que à família, o que, na verdade, não é o melhor dos 'investimentos'... precisa-se trabalhar, sim, mas a dedicação aos nossos jamais deve ser suplantada por qualquer outra que, naturalmente, devemos ter. Sabe o que o vocábulo "família" signifca em inglês? F.A.M.I.L.Y. = "FATHER AND MOTHER, I LOVE YOU" (ou, em vernáculo, em tradução livre: "PAPAI E MAMÃE , EU AMO VOCÊS" !) Assim , deixo os leitores com esses pensamentos para reflexão ... ... e lembrem-se que o entendimento só pode vir do diálogo , quando o amor se encontra presente no coração das criaturas . PAZ E LUZ PARA TODOS !
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