| Saudades |
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Vovô Andrey era um homem sério, austero tinha sobrevivido à segunda guerra mundial.
Chegou ao nosso país com alguns patrícios em meados de 1946, todos traziam na bagagem os sonhos de uma vida melhor. Toda a guerra por si só já é um horrível pesadelo. Quando ela nos tira o bem mais precioso, que é a família, só podemos nos agarrar ao sonho do recomeço. O destino marcou um encontro entre a minha avó, viúva com cinco filhos e ele, moço solteiro, vindo de terras longínquas. Devem ter se amado desde o primeiro encontro, pois ali nasceu uma relação que durou "até que a morte nos separe". Não tiveram filhos desse casamento. Minha mãe era a filha mais velha da minha avó, por isso quando eu nasci, virei uma neta filha para este avô. Belas recordações povoam a minha mente quando lembro dos muitos momentos marcantes da minha infância. Vovô era um homem culto, desde cedo me incentivou o gosto pela música clássica, e pela leitura. Ele gostava de contar histórias de sua terra, a Europa. Perdi o meu pai aos dez anos. Meu avô, de alguma forma ou podemos dizer da melhor forma que ele sabia tentou preencher esse vazio, com muito carinho e dedicação. Aquele homem frio e austero para alguns, para mim foi a criatura mais doce e delicada que, em nenhum momento deixou transparecer o sofrimento que a guerra tinha lhe proporcionado. Muitos anos depois, já bem velhinho, de barbas brancas e pouca visão, sorria com os seus dentes amarelados e estendia os braços com toda a ternura quando escutava a minha voz.
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