| DIÁLOGO APAIXONADO |
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Você chegou agora? Sim. De onde? Longe. Por que veio? Porque era você. Faria diferença fosse outro? Toda a diferença. Como assim? Fácil. Não seria eu, simplesmente. Seria outra. Como aquele ditado que diz: para cada panela sua tampa? Isto mesmo. Houve tempo em que você não se pintava. E isto era bom? Não fazia diferença. Continua não fazendo, pelo jeito. Porque, até agora, você não me tocou. Estou pensando como devo fazê-lo. Se com gestos ou palavras. Gestos machucam. Palavras muito mais. Depende. Você não deveria se expor tanto assim. Aceitar tudo o que lhe mandam, sem restrições. Gosto de fazê-lo. Então, você não vale nada. Um preço irrisório, como sempre Uma prostituta? Também elas servem para alguma coisa. Dar prazer a quem procura. A quem deseja, querido. O que não parece ser o seu caso. É que antes, só de olhar pra você eu sentia prazer. E como é que me vê agora? Como um desafio. Ótimo. Adoro desafios. Eu detesto. Então você já não vale a pena. Vou-me embora. Isto. Vá embora. Não posso. Por quê? Porque há uma razão pra eu estar aqui. E qual é? Livrá-lo. Do quê? Do abismo. Já estive lá outras vezes. E voltei. Mas desta, talvez não volte. Não importa. Este momento haveria mesmo de chegar. Mas não precisa ser agora. Não? Claro que não! Estou aqui pra lhe salvar. De novo? Mais uma vez. E outras tantas quanto forem precisas. Você me ama? Não. Pelo menos, neste momento. Sou feita daquilo que me dedicam. E o que sente neste momento? O mesmo que você. Um vazio. Significa que devo preenchê-la? Sim. Como você sempre fez. Com amor e verdade. Não sei se posso. Não hesite. Tente. Tudo começa com um desejo. Então ele a tomou nas mãos e amassou-a e a fez em mil pedaços. E sentira-se satisfeito e aliviado. Daquela folha em branco havia se livrado finalmente. Desta vez, para sempre.
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