Ser Semelhante Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Mark Brunkow, em 25-08-2008 16:08
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Nunca soube verdadeiramente o que faltava, só sabia que alguma coisa não estava onde deveria estar. Sempre com aquela sensação de que esqueceu algo, mas não sabe o que. Ou que precisa fazer algo muito importante, mas não recorda o que. Vinte e tantos anos vendo todos a sua volta em estado vegetativo ou sonambúlico.
Era como estar olhando constantemente para uma vitrine, onde manequins inertes sorriem, conversam absurdamente vivos felizes e conformados com suas prisões de vidro, aparências, ilusões e futilidades.
E ele, ele que sempre acreditou que era o único que realmente estava vivo não sentia nada. A não ser aquela constante falta de ser.
Ser feliz, ser bonito, ser inteligente, ser simpático, ser aquilo o que todos os demais esperam de um semelhante.
Dias se arrastam, horas voam, anos passam e ele a procura de um significado.
Foi buscando se encontrar que se perdeu.
Perdeu-se nos braços de cada prostituta que assim como ele, buscam incansavelmente este algo que tanto nos faz falta e nos atormenta.
Procurou em cada fundo de garrafa a resposta que era sempre a mesma, o reflexo de seu rosto distorcido, amargurado e cansado.
Nunca percebeu que a resposta sempre esteve ali, bem em baixo de seu nariz.
Se não pode vencê-los, una-se a eles.
Entrou para uma igreja, arrumou um bom emprego, uma moça direita e aos poucos começou a perceber que seus membros começavam a enrijecer.
Primeiro suas pernas, que não tinham mais vontade de sair e conhecer novas pessoas. A seguir seus braços começaram a ficar rijos e já não mais abraçavam como antes. Seus olhos já não captavam mais as belezas e cores do mundo, enxergavam apenas o cinza. Seu cérebro aos poucos foi parando e já não mais questionava a vida. Passou a executar as mesmas tarefas repetidamente sem reflexão ou questionamento. Até que um dia finalmente seu coração já não batia. Estava duro como pedra.
Então pela primeira vez em sua triste vida sentia-se vivo. Um ser humano completo. Afinal conquistara o direito de fazer parte de uma vitrine e poderia assim como seus novos amigos inertes ser FELIZ.


Publicado em : Literatura - Contos, Diversos
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Comentários (2)
Postado em Bruxa dos Contos, em 19-12-2008 09:29, , Membro Registado
Profundo ... 
 
Como ele mts, se n todos, se encontram. N se olha pro q se tem, mas pro q a si falta(com base no q os outros têm). 
 
'Enrijecer' ... verbo adequado pra definir aquele que morre aos poucos sem nunca ter verdadeiramente vivido. 
 
Parabéns ! Bela obra ! 
 
Beijo da Bruxa
 
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Postado em SANTOSH, em 19-12-2008 00:06, , Membro Registado
EXCELENTE!!! 
Dizer mais o quê?
 
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