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Nas escrituras perecíveis ao tempo se encontram os parágrafos da vida Com poucas ou muitas vírgulas, lá estão, perpétuos. Evidentes coincidências, onde autores se perdem sozinhos, nos seguem sem temor. Assim continuamos a sorrir, desconsolados e imundos, No fundo do poço que reservamos para brindar a ridicularizada rotina. Dessa "sincerenidade" que buscamos surgem falsas verdades estampadas Em rostos, mascaras, de cada ser entristecido e desesperado, Como urubus rondando carniças já inutilizadas por outros humanos Parágrafos, extensos parágrafos perdidos nas sobras de um quinhão sem nexo, De um náufrago sem mar, de uma luta sem oponentes e sem discórdia [Entre os obrigados a brigar] Assim é a vida de quem vive na pororoca dos sentimentos, Contra a correnteza do mais fácil, contra o igual, a mesmice, De um mundo de jardins plásticos acinzentados e idênticos Onde o amor, conquistado em escala industrial e persuadido pela ergonomia do ouro, Torna-se inexistente neste universo de jogos humanos. Incontáveis teses indicadas por aqueles experientes artistas da vida Se confirmam a cada instante e que respiramos este ar enfumaçado. Escondidos das luzes, nos ofuscados poços flagelados indagamos porquês. Sem alívio nem perdão requeremos nossos valores jamais perdidos Enquanto vivos continuarmos nesse universos que acabou num anteontem muito distante.
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