Conversas Fortalecedoras Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Tania Paupitz, em 31-08-2008 22:36
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O título acima acabou surgindo de forma inesperada, através de um bate papo, com uma pessoa, pela qual tenho grande estima e admiração. Encontrava-me, na ocasião, participando de um encontro semanal(grupo de estudos) e, de repente, surgiu como um "flash", essa frase que achei bastante sugestiva e interessante, para desenvolver um próximo tema, relacionado às coisas que gosto de refletir e escrever.

Retornando ao passado , me veio a lembrança de uma pessoa que , constantemente, estava reclamando da vida - era o marido não ajudava em casa, as amigas com as quais não podia confiar, a vida que estava difícil, os filhos que incomodavam... Enfim, sua vida girava em torno de reclamar de tudo e todos, por isso, dificilmente estava satisfeita com alguma coisa.

E o que fazer numa situação dessas, a não ser apenas ouvir pacientemente? Quando uma pessoa utiliza sua energia de forma tão negativa, ela tem uma grande necessidade de desabafar, de pôr para fora aquilo que incomoda. Nesse momento, o que me restava era simplesmente, escuta-la com os ouvidos bem atentos, procurando a ocasião propícia, aonde pudesse interferir de alguma forma, mostrando a ela o quanto, talvez, estivesse exagerando, pois costumamos ver os defeitos alheios, sempre maiores do que na verdade eles são, além do fato de, algumas pessoas também terem uma grande tendência, a aumentar de maneira desproporcional, o problema com o qual esta lidando.

Meus esforços, porém, na maioria das vezes, acabavam tornando-se inúteis, pois a mesma não dava o espaço necessário e muito menos oportunidade de sequer tentar, ajudá-la, pelo menos, com alguns conselhos, que eu considerava importante. Sua necessidade de desabafo, era tão intensa que normalmente, eu acabava deixando-a vontade para falar tudo o que lhe viesse na cabeça. Isso acabava gerando, em mim certa sensação de alivio do tipo "missão cumprida", o que me deixava também mais confortável, com relação a minha consciência.

Só que quando ela acabava de colocar todas as suas queixas, e ia embora, normalmente, sempre muito melhor, do que havia chegado - tipo "feliz da vida", eu literalmente, despencava, ficando tão cansada e exaurida que, após sua saída, tinha que me deitar para recuperar toda energia que havia sido sugada.

Realmente conversar ou até mesmo encontrar com essa pessoa, era para mim na época, algo bastante complicado, pois como tirar alguém de um estado tão negativo e transmutá-la para o lado positivo da vida? Foi então que comecei a me dar conta do bem que proporcionava à pessoa e do mal que acabava fazendo a mim mesma, de maneira, talvez até mesmo inconsciente.

Concordo que é algo muito positivo ajudarmos uma pessoa a sair de uma situação problemática, ouvindo-a, para que ela possa colocar seus conflitos, porém, torna-se importante obtermos experiência e sabedoria suficientes, para saber transformar um simples desabafo (aonde há somente o interlocutor) numa conversa fortalecedora.

Os aprendizados acabaram me proporcionando um novo olhar para determinadas situações, percebendo que, não podemos deixar que alguém domine uma conversa, principalmente, sendo ela negativa, pois não somos obrigados a ouvir o que não desejamos e, tampouco, sermos usados por alguém que esta somente a fim de despejar todo seu conteúdo negativo, em cima de nós.

Para tratar desse tipo de situação, existem pessoas especializadas na área da Psicologia, Terapia Comportamental-Cognitiva, Psiquiatria, e varias outras especialidades.
O que aprendi com tudo isso? Bom na verdade, a coisa mais importante que talvez tenha aprendido é que ouvir, nem sempre significa aceitar qualquer coisa como algo imposto pelo outro, ou seja, colocado de "goela abaixo". No fundo todos nós sabemos que não precisamos ouvir o que não queremos ou gostaríamos e que todos, uma vez ou outra, precisamos aprender, a separar o "joio do trigo".

Para ouvir o que outro tem a nos colocar, precisamos acima de tudo, estar abertos e receptivos para saber acolher sua necessidade, desde que, o mesmo também nos proporcione a chance de interação, ou seja, que possamos estar com ele no sentido de efetuarmos um diálogo e não um monólogo. A troca, ou seja, o sentido de estar se compartilhando algo ou alguma coisa com alguém, é de extrema importância dentro de qualquer tipo de relacionamento; ocasionando o que chamo de uma "conversa fortalecedora, aonde os dois somam na questão de conhecimentos e aprendizados".

Hoje mais consciente de que, essa não seria a maneira mais correta de ajudar alguém; diria que estou ainda em processo de aprendizagem, aprendendo a separar as coisas, ou melhor, os problemas de cada um, separando o que é meu do outro - tentando administrar melhor o meu pensamento de que o problema está fora de mim e, não que eu faça parte dele. Penso que, talvez, esse seja um pré-requisito, quando se deseja ajudar alguém que se encontra em dificuldades.

Para isso, é de suma importância não nos envolvermos emocionalmente no problema da outra pessoa; termos a capacidade de separar a razão da emoção, sem sermos tragados por ela. Se entramos na emoção, com certeza, não estaremos ajudando e sim, quem sabe, piorando a situação, deixando que a pessoa acabe tornando-se prisioneira da própria situação na qual se encontra. A pergunta é: Como posso ajudar alguém que esta se afogando e, deliberadamente me jogo no mar, se não sei nadar?

Estou aprendendo que, só posso me permitir entrar na vida do outro, quando me predisponho, a saber, até onde vão os meus limites e de que, maneira posso ser útil; pois se percebo que o outro somente quer me usar para desabar, seus conflitos ou problemas emocionais, então é hora de sair fora.

Acabei me dando conta da importância de preservar esse sentimento interno de autoproteção, como uma forma de não ser envolvida por questões que não me dizem respeito ou, das quais não me sinto preparada para atuar.
Uma conversa fortalecedora tem por objetivo, principalmente, o fato de aprendermos a visualizar o lado positivo, dentro das coisas negativas, pois a vida acaba nos mostrando que, por trás de toda adversidade, sempre haverá de surgir uma luz no final do túnel, ou seja, poderemos vislumbrar a claridade, após a tempestade. É dessa forma que acabamos aprendendo, através das várias lições, que cada problema trás dentro de si mesmo.

"Lembrando um livro que li recentemente e, que se chama: "Exercícios para o Autodesenvolvimento", de Dr.Joop Van Dam, tem um trecho que comenta sobre um exemplo do exercício da Positividade: " Cristo e seus discípulos, em uma de suas caminhadas, encontram um cachorro morto à beira da estrada. Os alunos de Cristo desviam-se do cadáver que se encontrava em estado de decomposição, cheios de horror. Cristo, contudo, segue um passo adiante. Ele não se afasta do cachorro, mas continua a observá-lo e admira os dentes brancos e brilhantes que não se sujeitam a deterioração".

Na maioria das vezes, nós somos assim, com relação às pessoas e situações do nosso dia-a-dia; quase sempre, deixando que o lado negativo de uma situação ou de uma pessoa, que mal conhecemos , prevaleça acima do positivo. Isso ocasionalmente, pode ocorrer dentro de uma relação afetiva, aonde costumamos ver mais os defeitos do(a) parceiro(a), do que suas reais qualidades ou virtudes. É aonde a maioria dos rompimentos acabam ocorrendo, pois se não conseguimos fazer com que na balança da vida, pesem mais as coisas positivas e boas da pessoa, então chegamos à conclusão de que, talvez, não tenha valido a pena. Esse é um grande erro que muitas pessoas cometem e do qual, mais tarde, acabam se arrependendo.


Publicado em : Relacionamento, Auto Ajuda
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