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A Guerra Das Aguas Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por João Batista Drummond, em 01-09-2008 18:30
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Naquela manhã de sábado, quando cheguei a Brejolândia, senti algo estranho no ar. Tia Nicinha me recebeu com a costumeira cortesia, mas senti que estava tensa.
- E aí tia, tudo bem? A senhora me parece preocupada.
- Preocupada não, estou é transtornada. O Arlindo desta vez passou de todos os limites inimagináveis. Já estou com minha trouxa pronta e a qualquer momento me mando para a casa da Lucrecia.
- Mas é assim tão grave? (já sentindo um frio na boca do estomago me ofereci para ajudar), quem sabe não posso fazer alguma coisa? O que o tio aprontou desta vez.?
- Com esta polemica toda sobre a escassez de água o Arlindo parece ter chegado nos limites de sua paranóia. Veja você mesmo.
E a tia foi me mostrando que todas as torneiras da casa estavam travadas com grossas correntes e cadeados.
- Que é isto tia? (eu estava chocado).
- Não te falei, há três dias que ninguém toma banho nesta casa. O Arlindo decretou tolerância zero para o consumo de água aqui no sitio.
- E onde está ele agora tia? Vou levar um papo serio com aquela peste.
- Está lá no galpão de armazenagem.
Cheguei ao tal galpão gritando;
- Ô tio Arlindo, sou eu, vou entrar.
- Alto, quem vem lá. Diga a senha.
Entrei e vi o velho vestido com o uniforme e capacete da segunda guerra, armado com seu velho e enferrujado bacamarte e entrincheirado atrás de sacos de ração.
- Mas que senha o caramba, sou eu seu, sobrinho.
- Quem me garante? Pode muito bem ser um espião inimigo disfarçado.
- É assim, então pode me devolver a revista playboy que te emprestei.
- Ah é você mesmo pode vir. O único que sabia desta revista era você mesmo.
- Enlouqueceu tio? A tia Nicinha está indo embora por conta desta palhaçada...
Observei a seguir que o galpão estava abarrotado de garrafinhas cheias de água.
O velho saiu de sua trincheira e começou a se explicar:
- Você não viu na Tv? A guerra das águas vai começar. Dizem que água vai valer ouro e quem controlá-la vai ser o dono do mundo.
Aquela expressão séria e assustada do tio me desarmou e tive que me controlar para não rir.
- Ta bom tio, qual é o plano desta vez?
- Estou armazenando toda a água que posso e quando ela acabar advinha quem vai mandar no mundo?. Os Estados Unidos vão ter que me pedir a benção.
Resolvi entrar no espírito da coisa:
- Mas tio, como o sr vai proteger toda esta água? Qualquer pelotão pode entrar aqui e se apossar dela.
- Já pensei em tudo (continuou o velho). Na próxima semana vou despachar uma força-tarefa para resgatar o maior guerrilheiro da atualidade. Bin Laden vai ser o chefe da minha policia de segurança.
- Tio, o Bin Laden já deve estar morto.
- Isto é o que o inimigo quer que a gente pense. Clebão e mais dois vaqueiros de um sitio vizinho vão sair de Brejolândia com um forte aparato bélico e trazer Bin Laden para o nosso time.
- E você acha que estes três caipiras serão páreo para o poderoso exercito americano?
- Os caras que estou mandando são muito bons e bem armados. Eles contam com três bacamartes, duas cartucheiras, duas pistolas de dois tiros, fora as peixeiras e os facões.
E o tio terminou aquele papo com uma frase que pode ser profética.
- A guerra das águas já começou e o General Arlindo sai na frente. Eu e Bin Ladem vamos botar prá quebrar.
Fui embora pensando que se o maluco do tio é inofensivo, o mundo está cheio de doidos com poder de destruição real e imediato, prontos para invadirem paises e declarar guerras de verdade pelo domínio do nosso mais precioso tesouro, as águas do planeta Terra.

(Da serie Brejolândia dos Canfudós)


Publicado em : Literatura - Contos, Diversos
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Comentários (1)
Postado em Catucha, em 02-09-2008 10:56, , Membro Registado
:) Olá amigo, você criou uma estória leve de se ler, uma maneira interessante de nos passar a realidade de um artigo muito precioso e que muitas pessoas não sabem cuidar: A água. Parabéns, adorei ler este texto. Um grande abraço.
 
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