SONHOS QUE SE DESFAZEM AO PÔR DO SOL Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por GERALDO JOSÉ COSTA JUNIOR, em 01-09-2008 19:46
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Precisava apenas relaxar, concentrar-se e perceber os acontecimentos do mundo à sua volta, a uma distância segura, para não se envolver com eles.

Para tanto, havia procurado refúgio no isolamento de uma praia deserta.

Lá chegara cheio de esperança. Mas, depois de uma semana, experimentava agora um incômodo sentimento de frustração.

Naquela manhã, diferentemente das outras, acordara bem cedo, e caminhara pela praia, cerca de um quilômetro e meio.

A cada dez metros interrompia a caminhada e ficava olhando na direção do mar, fascinado pelo poder que a natureza possui de reconduzir o homem à sua insignificância.

Propositadamente, não trouxera consigo documentos, dinheiro e pertences pessoais.

Apenas três mudas de roupas, suficientes para aquela semana.

Propusera-se a se alimentar de peixes, e se não os pescasse, não se alimentaria.

Talvez a fome lhe devolvesse a disciplina. E a necessidade, o desejo de conquista.

Alguém, que não fora ele, escrevera que a ignorância é a comodidade da sabedoria.

Tolice. Nunca se convencera disso. Sempre fora um guerreiro, disposto a lutar até a morte por seus objetivos. Jamais lhe perturbara a certeza de que mesmo os vitoriosos trazem no corpo cicatrizes e na alma, feridas.

Às vezes, para conviver em meio aos ignorantes, precisava perder a lucidez. Não fazem isso também os anjos? Não se rebaixam a nós para se fazerem ouvidos?

Voltou a caminhar próximo das ondas, exatamente onde elas agonizavam. Acusou a temperatura agradável da água, e convenceu-se a dar um mergulho, mesmo que isso contrariasse as recomendações médicas.

Ao emergir, os raios de sol ofuscaram o brilho dos seus olhos verdes.

Outra onda o envolveu por inteiro, fazendo-o perder o equilíbrio, da mesma forma como Adriana o fazia perder a compostura, toda vez que o agarrava pelas costas, inesperadamente, num lugar qualquer, o menos provável e o menos indicado.

Por que não um badejo na brasa? - ele pensou, de repente - Talvez dois, com um pouco de sorte.

Mas os peixes ficariam esquecidos sobre a areia da praia, porque Adriana não estava a esperá-lo.


Publicado em : Literatura - Contos, Diversos
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Comentários (3)
Postado em SANTOSH, em 28-12-2008 01:10, , Membro Registado
O sofrimento é uma prisão que construimos para nos livrarmos da liberdade.
 
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Postado em Bruxa dos Contos, em 04-09-2008 19:33, , Membro Registado
'... e ficava olhando na direção do mar, fascinado pelo poder que a natureza possui de reconduzir o homem à sua insignificância.' 
 
O mar tem mesmo esse poder, de nos mostrar q somos insignificantes. Mas o mais admirável é q ele faz isso sem arrogancia alguma. Simplesmente é superior, e pronto. 
Tb gosto de caminhar pela praia pra limpar a mente. 
 
Não sei pq, mas achei q a história esta incompleta. Vou fazer a mesma pergunta q fiz no meu ultimo comentário a outro texto teu: vai ter continuação ? 
 
Aqui esta 'faltando um pedaço' igual a música. 
Continua, viu ! 
 
Beijo da Bruxa
 
» Responder a este comentário...

Postado em Bruxa dos Contos, em 04-09-2008 19:32, , Membro Registado
'... e ficava olhando na direção do mar, fascinado pelo poder que a natureza possui de reconduzir o homem à sua insignificância.' 
 
O mar tem mesmo esse poder, de nos mostrar q somos insignificantes. Mas o mais admirável é q ele faz isso sem arrogancia alguma. Simplesmente é superior, e pronto. 
Tb gosto de caminhar pela praia pra limpar a mente. 
 
Não sei pq, mas achei q a história esta incompleta. Vou fazer a mesma pergunta q fiz no meu ultimo comentário a outro texto teu: vai ter continuação ? 
 
Aqui esta 'faltando um pedaço' igual a música. 
Continua, viu ! 
 
Beijo da Bruxa
 
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