Hoje, exatamente hoje, oh lua, tu vens a me luminar, não imaginava que podia acontecer, depois de tudo o que vivemos, o que passamos, ainda me quer enamorar?
Teus olhares, oh lua, são pétalas nuas que transcendem meu ávido coração flechado em pua, ora sangra desejos, ora emana saudades... E na tua avidez perpetua sinto a claridade em supra-sumo inundando meus desejos e minha vida.
Se tive que banhar-me em teu leito, oh lua, foi por cultivar tua beleza, esmerilhar teus contornos e degustar tua intimidade.
Não me deixes sem força, oh lua, tua força és minha força, onde prisma cheia, oferece-me estonteante nova, d'um amor crescente em solidão minguante...
Somos duas metades, oh lua, porém, deveras, a juntasse e não levar em conta o quanto somos banais. Nossa história aqui recomeça, como uma saga dos mais belos casais, que ultrapassou fronteiras do proibido, percorreu o mundo, embora despercebido, atravessou décadas em disfarces e catarses, alimentadas pelas lembranças, por onde esvaiu-se a idade d'um humilde poeta sem vaidade, despertando em raio de luar seu eterno amor.
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