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Escrito por renato valoto andrade, em 03-09-2008 21:23
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Nó na garganta
Coração na contra- macha
Vácuo cerebral
Olhos vendados
Mãos amputadas
Pés acorrentados
Seca os nós lacrimais
Veneno nas veias
Chumbo nos músculos
Fel na lingua
Ouvidos desligados
Oito dias pouco mais de uma semana
Duas semanas
Menos duas
Mais duas mais um pouco
Quase dois meses
Primeira poda
Segunda, terceira...
Golpe fatal
Ferida de morte
Sangramento seco
Cicatriz que doi
Medo de viver
De nascer
De ser jardim
Ser cultivado, cativado
Ser adubado
Florescer , muchar , apodrecer
Secar, reduzir ao troco
Acorrentado
Uma,duas ,três
Quatro... oito vezes açoitado
Sempre vítima ao carrasco?
Deste flagelo
Que querem , provam
E se envenenam todos
Passa o inverno
Passa o ônibus
Perdi o tempo
A confiança
O ânimo
E o lugar
Perdi a primavera
Renascer
Rebrotar
Reviver é um direito
Porque?
Anoiteceu
Acabou minha tarde
E o dia não nasceu
Onde procurar?
Preciso brotar para florecer,
Mas a madrugada não acabou
O sol ainda não nasceu , e eu não sei quando e onde chega a primavera.

Publicado em : Literatura, Poesias
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