| Quando o amor me ensinou a ter fé |
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Eu tinha 7 anos de idade quando minha mãe teve um sério problema na coluna dorsal causada por uma hérnia de disco.
Lembro-me como se fosse ontem, estávamos deitadas na cama do meu irmão assistindo televisão, quando derrepente uma forte crise de tosse seguida de um grito de dor fez com que nossa sessão de filme não tivesse um final feliz. Minha mãe estava impossibilitada de mexer as pernas e uma dor insuportável lhe acometeu. Essa cena fez com que um pavor tomasse conta do meu corpo. Não havia mais ninguém em casa além de nós duas e, vendo a dor de minha mãe, percebi que a sua vida dependia da minha coragem e foi assim que uma força interior tomou conta de mim e não tive outra alternativa a não ser sair correndo e pegar o telefone. Disquei 190 e expliquei para a atendente o que estava acorrendo e imediatamente ela enviou um carro do resgate para minha casa. Logo após, liguei para nossa vizinha, a Dona Aidê, que sempre foi muito querida por todos lá de casa e em segundos ela já estava ao meu lado tentando acalmar minha mãe. Quando o carro do resgate chegou, o portão já estava aberto e eles foram logo entrando. Isso, é claro, chamou a atenção de todos os vizinhos que, curiosamente, não demoram muito para ficar em frente a nossa casa observando. Minha mãe gritava de dor e o medo tomou conta de mim. Eles tentaram por diversas maneiras encontrar a melhor forma de conduzir minha mãe, e a única que encontraram foi a de carregá-la com o próprio colchão da cama. A janela do quarto não era tão alta e dava acesso direito à garagem, portanto, conduziram minha mãe por ela mesmo. Neste momento alguns vizinhos tentaram me tirar de perto da minha mãe e eu pedia desesperadamente que me deixassem ficar. Não consigo descrever tudo o que senti, mas o medo de perder minha mãe foi o maior medo que senti na vida até hoje. O carro do resgate saiu em disparada, e quando suas luzes perderam-se de vista e os barulhos das buzinas cessaram, corri para o meu quarto, enterrei meu rosto no travesseiro e chorei copiosamente todas as lágrimas que eu tinha direito. Dona Aidê, respeitosamente, permaneceu na sala a espera da minha família. Durante o choro, lembrei-me do que minha avó Nena sempre dizia: "Nos momentos mais tristes ou quando sentir medo você deve rezar e pedir a Deus para que ele venha lhe ajudar". E assim o fiz. Rezei, da maneira que sabia, ajoelhada próxima a cama, com as mãos unidas coladas aos lábios. Senhor Deus, Cuide da minha mãezinha. Ela chora de dor e eu estou com muito medo de ficar sem ela. Não sei o que fazer sem a minha mãe. Será que o senhor poderia ir junto com ela no carro dos bombeiros para ela não ficar sozinha? Só até o meu pai chegar lá? Eu queria também que o senhor tirasse o medo que sinto agora. Minha vó Nena disse que o senhor faz isso. Vou ficar quietinha e esperar. Amém! Após alguns minutos, o pranto já havia cessado e a lembrança do sorriso brilhante e dos olhos azuis de minha mãe permaneceu comigo e um sentimento muito forte de que ela ficaria bem me tranqüilizou. Daquele momento em diante nunca mais deixei de conversar com Deus. Passaram-se dias, semanas e meses. Meu Pai e minha avó cuidaram de mim e do meu irmão com muito carinho, tentando suprir a falta que minha mãe fazia. Falávamos com ela todos os dias ao telefone, mas não era a mesma coisa. Desejávamos sentir o seu carinho. Enfim, chegou o dia em que minha mãe voltaria para casa. Juntos, arrumamos a casa, compramos flores, minha avó pediu para que colocássemos a melhor roupa para recebê-la. Eu estava tão ansiosa que me pegava sorrindo sem motivo algum. As unhas já não existiam mais, eu havia roído tudo o que tinha direito. Nossa querida vizinha Dona Aide também estava lá em casa. Derrepente, ouvimos o barulho do carro do meu Pai, corri para a janela (a mesma em que os bombeiros retiraram minha mãe do quarto). Meu irmão mais espeto, correu para o quintal e abriu o portão. Fiquei tão feliz que não pensei duas vezes e com um forte impulso tentei pular a janela, e acredite, eu cai e quebrei o braço. È claro que na hora nem dei importância a isso e corri para abraçar minha mãe que nos beijava sem parar. Almoçamos felizes, como se fosse a primeira vez. Havia uma explosão de sentimentos em mim, estava feliz, alegre e aliviada. Naquele dia, mesmo com o braço doendo, não sai um minuto se quer de perto da minha mãe a não ser para ser levada ao médico que realmente constatou que eu havia fraturado o braço. Hoje minha mãe está muito bem e feliz. Está sempre visitando amigos e parentes, viajando sempre que possível e graças à Deus, nunca mais teve um problema como aquele. Termino esta história, com minha visão borrada pelas lágrimas, mas ainda assim, pela primeira vez enxerguei que o amor me ensinou a ter fé. Eu encontrei em Deus o apoio necessário para suprir a falta que minha mãe fazia e ele respondeu confortando meus sentimentos. Na época, mesmo sem muito conhecer sobre Deus, eu sabia que ele me ouvia e que me amava, só não sabia que enviava muitos espíritos de luz para me tranqüilizar e para auxiliar minha mãe no fosse possível segundo a vontade Dele. E desde aquele dia eu tenho a certeza que Deus é nosso o Pai e está no entardecer semelhante a um incêndio nas nuvens, está no colorido das flores e na beleza do mar. Está em tudo e em nossos corações. Aquele episódio ensinou-me ainda muito pequena a ter fé e a compreender o grande amor que Deus tem para conosco. Quando temos fé, nossos medos se vão como a brisa que leva o frescor e o perfume da natureza e consigo se vai também nossas dúvidas. A fé é sentimento, é energia poderosa que cura e alivia as dores do espírito.
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