| Anseio |
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Gritai, ó presos Do pântano fundo Do mundo Dos ricos palácios Dos palcos Do sol da desgraça Da praça Da imaginação Da ilusão Da barriga e da fome Do nome Do coração Do bicho papão Gritai! Rangei, ó correntes Das velhas tradições Das tradicionais inovações Das tentativas frustradas Do nada Rangei! Que não haja sossego, Nenhum só minuto de calmaria! Agitai-vos, Gritai, rangei! Inquietai-vos, ó mortos Dos cemitérios das maternidades Dos semáforos das cidades Das delícias dos motéis Da maravilha da ciência Do fim da inocência Não vos conformeis! Que não haja sono, Que a ilusão se desfaça E que toda alma humana se satisfaça De paz. A paz conquistada Após a convulsão febril Dos gritos, Dos rangidos E das inquietações.
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