Lágrimas de Prata - A Ilha Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Brunno, em 17-09-2008 23:21
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Enquanto os homens do SAS seguravam nas barras laterais do B-29 a caminho da floresta de Ardenes, os britânicos e franceses recompunham as forças e enviavam coordenadas à Fleet Air para interceptar a Luftwafe, quase exatamente sobre o céu da antiga Linha Maginot.

Liv descansava sobre um sofá, coberta por uma manta fina e espirrava devido ao frio. Foi acordada por um soldado, simpático e sorridente, dizendo que a estavam esperando na sala de reuniões. Ela pediu um café, sentia-se zonza e fraca.

Os comandantes estavam reunidos na mesa maior enquanto ela e os demais membros da Comissão de Guerra estavam divididos em mesas redondas menores. Ela recebeu um memorando de Washington e leu rapidamente. Os olhinhos verdes diminuíram para tentar entender o que era aquilo tudo.

" O Excelentíssimo senhor professor Niels Henrik David Bohr, dinamarquês com formação em Cambridge e Manchester, publicou relatório semelhante ao que discutíamos na última reunião. Está, portanto, provado que é possível, através de grandes colisões com corpos altamente carregados, executar mudanças da camadas mais internas para as camadas mais externas, evidenciando assim, nitidamente, a qualidade de urgência dessa decisão. Ao que parece os alemães estão avançados nessa pesquisa e a quantidade de energia contida no projeto, é avassaladora."

__General Bouffey, o que é este relatório? - perguntou Liv.

O homem tirou das mãos dela com toda cautela. Depois a segurou gentilmente pelo braço e levou até um canto isolado da sala.

__Liv, este é um relatório consagrado como "Ultra-Secreto". Uma cópia está nas mãos do Presidente dos Estados Unidos. Os comandantes ingleses e franceses estão a par do que está contido aqui. O General Charles de Gaulle quer que você e somente você, avalie este documento. - disse com frieza e em tom baixo, quase sussurrando.

A bela morena aprendera a confiar em Bouffey. Se ele dizia que os demais não deveriam saber sobre aquilo, ela tomaria cuidado. Mas ainda assim, queria saber exatamente do que aquilo se tratava, porque o restante do documento era praticamente grego para ela.

"Desde que o corpo gerador seja dotado de massa suficiente e desde que se possa colidir contra o núcleo desse corpo quantidade certa de energia cinética, a reação exotérmica seria de proporções jamais vistas, já que quando ocorre salto de uma camada interna para camada mais externa, ocorre liberação de energia."

O relatório continuava com dezenas de desenhos de ponto e círculos concêntricos, com linhas tortas indicando camadas numeradas de N-1, N-2, etc. Liv pegou seu café e pôs-se a tentar decifrar que coisas eram aquelas.

Algum tempo depois, na cidade de Oak Ridge, estado norte-americano do Tennessee, dentro de uma sala retangular extensa, onde centenas de mulheres com fones de ouvido trocavam freneticamente plugues de grandes placas transferindo ligações telefônicas, uma dessas mulheres ouviu com atenção, rasgou o papel que era impresso quase constantemente e correu até o final da sala.

Logo que entrou, o major que tomava conta daquela sessão leu o relatório e dispensou a mulher. Em seguida ligou para seu oficial comandante e repassou o relatório. Esse homem, na cidade de Los Alamos, Novo México, apagou seu charuto e foi até seu superior, relatando o que Oak Ridge havia enviado.

__Está interceptado - concluiu o homem em uniforme completo, cabelos fartos com uma mecha branca na frente, bochechas coradas e olhar firme. Estava pouco acima de seu peso mesmo sendo um desportista, mas ainda era o equivalente em terras americanas do General David Dwigth Eisenhower - Os alemães estão avançando nas pesquisas. Temos de dar início imediatamente.

Seu interlocutor era um homem calmo. Alheio a reações extravagantes, e avesso a rompantes de personalidade. Era sorridente, mas ainda guardava um ar sombrio no olhar. Formado em 1925 na Universidade de Harvard, tendo sido graduado doutor Ph.D em física aplicada, antigo nome da disciplina física de partículas, ou física nuclear, o professor J. Robert Oppenheimer tinha muitas razões para aceitar aquele trabalho.


Seu colega dinamarquês havia estudado o comportamento de metais de grande carga radioativa, cujos núcleos atômicos, quando fissurados, liberavam os prótons mais próximos do núcleo, enviando-os para as camadas menos energéticas e distantes do centro, emitindo assim, quantidades inimagináveis de energia.

Este cientista dinamarquês, por sua vez, foi inspirado pelas idéias de um grande físico alemão, chamado Albert Einstein, que havia propalado a idéia de que se essas reações pudessem ser controladas, seriam capazes de gerar quantidade de energia calorífica semelhante às da superfície solar.

O dinamarquês e o alemão jamais se deram bem, tanto que mesmo radicado nos Estados Unidos, Einstein recusou-se quando convidado, a participar daquele projeto. O professor Oppenheimer tinha outros motivos para tomar parte naquilo.

Ele nascera no seio de uma família judia que residia no estado de Nova Iorque. Decidiu de vez entrar no protejo do governo quando os espiões americanos divulgaram fotos dos resultados das câmaras de gás dos campos de concentração alemães. Robert havia chorado pela última vez naquela guerra. Decidira que iria levar a cabo o que dizia o doutor Bohr.

O doutor Oppenheimer cumprimentou seu belicoso amigo e deixou a sala sorrindo da forma sombria como fazia. Seguiu para a cidade secreta de Hanford. Pacata, com padarias simples e barbearias cheias de homens conversando sobre a guerra na Europa, Hanford guardava um silo subterrâneo gigantesco, praticamente outra cidade sob a terra.

Depois de viajar de trem por quase um dia inteiro, o doutor Robert usou seu passe para entrar pela pequena porta, tomou o elevador demorado até o mais profundo pavimento do silo e identificou-se a uma série de soldados armados que nem sequer fazia idéia do que realmente era aquilo.

Seguindo ao batalhão de agentes de segurança, chegou a sua sala e abriu a gaveta fechada a chave, dentro do cofre na parede. A pasta que tirou do cofre era quase e mesma que Liv tinha nas mãos em Londres. Dizia "Projeto Secreto Manhattan". Era o início de setembro de 1944.


Publicado em : Literatura - Contos, Policial
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